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title: "Tapas honestas em Malasaña — 9 bares onde os madrilenos vão a sério"
excerpt: "Esquece a Gran Vía. As melhores tapas de Madrid estão em Malasaña, La Latina e Lavapiés — bares de azulejo, vermute a barril, tapa a 2,50€, ninguém a falar inglês."
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author: "Curadoria Voyspark"
published_at: "Tue May 19 2026 21:02:52 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)"
updated_at: "Wed Jun 03 2026 15:30:21 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)"
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# Tapas honestas em Malasaña — 9 bares onde os madrilenos vão a sério

A primeira vez que pedi tapas em Madrid foi num bar da Gran Vía em 2017. Paguei 38€ por três pratinhos de croquete murcho, uma cerveja choca e um empregado mal-encarado que falava inglês forçado. Saí com fome, com raiva, e com a certeza de que Madrid era cara e mentirosa. Estava enganado nas duas coisas.

Voltei em 2019 com um amigo madrileno. Levou-me a Malasaña num domingo às 13h, pediu três vermutes a barril a 2,80€ cada, uma tábua de enchidos a 9€ e duas tapas de tortilha a 2,50€. Pagámos 22€ no total. Sentei-me no passeio num banquinho de madeira encostado a um azulejo de 1924. Percebi tudo de uma vez.

Tapa em Madrid não é o que o português pensa. Não é entradinha de restaurante chique. Não é "petisco" no sentido lisboeta. É a unidade básica do jantar madrileno desde a década de 1860, quando o rei Afonso XII teria pedido que cobrissem (*tapar*) o copo de vinho com uma fatia de presunto para não cair mosquito. Lenda ou não, virou cultura. Entras num bar, pedes uma bebida, recebes a tapa grátis (em Granada e León ainda funciona assim — em Madrid pagas, mas pagas pouco).

Este guia é dos 9 bares que sobreviveram à gentrificação, à pandemia e ao Instagram. Estão todos em Malasaña, La Latina ou Lavapiés. Nenhum tem menu em inglês. Vários não aceitam cartão. Em todos comes bem, pagas pouco, e sais com a sensação de teres encontrado a cidade.

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### O mapa mental: três bairros, três temperamentos

**TL;DR**: Madrid tem mais de 10.000 bares. Cidade de bairros, não de centro. Para tapa a sério, foca-te em três zonas, todas a 15 minutos a pé umas das outras. Malasaña fica a norte da Gran Vía. Foi o bairro da Movida nos anos 80 — punk espanhol, Almodóvar, Alaska.

Madrid tem mais de 10.000 bares. Cidade de bairros, não de centro. Para tapa a sério, foca-te em três zonas, todas a 15 minutos a pé umas das outras.

**Malasaña** fica a norte da Gran Vía. Foi o bairro da Movida nos anos 80 — punk espanhol, Almodóvar, Alaska. Hoje é misto: lojas de design independente, barbearia de hipster, e bares que resistem desde os anos 30 com o mesmo balcão de mármore. Vibe noturna forte. Tapa moderna a conviver com tradicional.

**La Latina** fica a sul da Plaza Mayor, descendo a Cava Baja. É o bairro do *tapeo* dominical — entras num bar, comes uma tapa, sais, andas 40 metros, entras no seguinte. Em 4 horas passas por 6 bares. Domingo de manhã é sagrado. Multidão no passeio com vermute na mão.

**Lavapiés** é o mais multiétnico de Madrid. Bar de tapa clássico ao lado de restaurante senegalês, ao lado de bar de vinho natural. Mais barato que os outros dois, menos polido, mais real. Vai à noite.

A linha 1 do metro (azul clara) liga os três: Tribunal para Malasaña, Tirso de Molina ou La Latina para La Latina, Lavapiés para Lavapiés. 1,50€ a viagem.

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### Os 9 bares — por bairro

**TL;DR**: Casa Camacho (1928, Malasaña), Bodega de la Ardosa (1892, tortilha mítica), Pez Tortilla (12 versões rotativas), Casa Lucas (vinho), Taberna Almendro 13 (rosca), Casa Lucio (huevos estrellados), Bar Melo's (zapatilla), Antonio Sánchez (1787, o mais antigo), La Venencia (só jerez).

#### Malasaña

**1. Casa Camacho** (Calle de San Andrés, 4)
Aberto em 1928. Bar de azulejo verde-escuro, balcão de zinco, sem mesas. Pede o *yayo* — vermute com gin e gasosa, 3,50€. Foi aqui que se inventou. Tapa de boquerones em vinagre, 3€. Os velhos vão lá às 11h da manhã. Vais à noite e encontras os mesmos velhos.

**2. Bodega de la Ardosa** (Calle de Colón, 13)
1892. Cabem 18 pessoas ao balcão, mais 6 ao fundo numa cave minúscula onde tens de baixar a cabeça. A tortilha de batata é a mais famosa de Madrid — 3,80€ a fatia, vendem 200 por dia. Vermute a barril, 2,80€. Salmorejo cordobês, 4,50€. Cartão a partir de 15€.

**3. Pez Tortilla** (Calle del Pez, 36)
Mais recente (2014), mas já clássico. 12 versões de tortilha rotativas no balcão. A de chouriço cremoso (3,50€) e a de queijo brie com cebola caramelizada (4€) viciam. Cerveja artesanal espanhola, 6 torneiras. Sempre cheio. Vai antes das 20h30 ou depois das 23h.

#### La Latina

**4. Casa Lucas** (Calle Cava Baja, 30)
Vinho. Aqui vais pelo vinho. 50 referências a copo, todas espanholas, 3€-7€. Tapa: *huevos rotos con jamón* (8€ — divide entre dois) e *bocadito de morcilla con manzana* (3,50€). Balcão estreito, dez bancos, parede de cortiça com bilhetes de clientes desde 2003.

**5. Taberna Almendro 13** (Calle Almendro, 13)
Especialidade da casa: *rosca* — pão redondo recheado com presunto, queijo manchego ou lombo, 4,50€. Vermute próprio, fabricado por eles em barril de carvalho, 3€. Mesa de madeira escura, ambiente andaluz. Vai num sábado à tarde.

**6. Casa Lucio** (Calle Cava Baja, 35)
A exceção do guia. Não é barato (refeição a 40€ por pessoa), e é famoso — Penélope Cruz, Hemingway, reis. Mas os *huevos estrellados* (18€ para dividir entre três) são o prato mais imitado de Madrid e o original ainda vence todos. Reserva com 2 dias.

#### Lavapiés

**7. Bar Melo's** (Calle del Ave María, 44)
*Zapatilla* — sandes aberta de pão com lacón e queijo derretido, do tamanho de uma sandália, 6,50€. Divide entre dois. Croquetes de bacalhau, 1,80€ cada. Caña a 1,50€. Aberto desde 1985, fecha em agosto inteiro, paga só em dinheiro. Esquece a decoração: não vens pelo design.

**8. Taberna Antonio Sánchez** (Calle Mesón de Paredes, 13)
Bar mais antigo de Madrid ainda em funcionamento — 1787. A sério. Touros embalsamados na parede, balcão de madeira talhada à mão, vinho da casa em jarra de barro. *Rabo de toro estufado*, 14€. *Callos a la madrileña*, 11€. Vai num dia frio de inverno e percebes porque é que esta cidade aguenta.

**9. La Venencia** (Calle Echegaray, 7)
Tecnicamente em Huertas, mas vale o desvio. Só serve jerez (sherry andaluz). 5 tipos: fino, manzanilla, amontillado, oloroso, palo cortado, 2,50€-4€ o copo. Proibido tirar foto (cartaz na parede desde a Guerra Civil — o bar era ponto republicano, escondia atividade). Tapa simples: azeitona, atum de conserva, *mojama*. Não vais jantar ali. Vais perceber Espanha em 40 minutos.

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### Regras de sobrevivência

**TL;DR**: O horário importa. O madrileno almoça às 14h e janta às 22h. Bar com fila às 19h é bar de turistas. Bar a sério está vazio às 19h e cheio às 21h45. Não peças "tapas" no plural genérico. Olha para o que está no balcão, aponta, pede pelo nome.

**O horário importa.** O madrileno almoça às 14h e janta às 22h. Bar com fila às 19h é bar de turistas. Bar a sério está vazio às 19h e cheio às 21h45.

**Não peças "tapas" no plural genérico.** Olha para o que está no balcão, aponta, pede pelo nome. *"Esto, por favor, una tapa"*. O empregado respeita.

**Vermute só ao meio-dia.** Entre as 12h e as 14h. Pedir vermute às 22h é coisa de estrangeiro. À noite: vinho, cerveza, ou *cubata* (gin com tónica forte).

**Caña ≠ cerveja grande.** Caña é cerveja pequena, 200ml, 1,50€-2,50€. *Doble* é o copo grande. *Tercio* é a long neck. Pede *caña* sempre — é o ritmo madrileno. Bebes 4 cañas em 3 bares em 2 horas.

**Pagar.** Em bar tradicional dizes *"la cuenta, por favor"* só no fim, depois de comer e beber tudo. O empregado anota a giz no balcão ou guarda na cabeça. Sem conta escrita. Não tentes "fechar conta" tapa a tapa.

**Gorjeta:** 5-10% se gostaste. Não é obrigatório. Empregado espanhol não vive de gorjetas como nos EUA.

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### Custo real: um dia honesto de tapas

**TL;DR**: Domingo de tapeo em La Latina, duas pessoas: Total: 63€ para dois. 31,50€ por pessoa. Comeste em 5 bares, andaste 4 km, viste Madrid inteira, e gastaste menos do que um almoço para um na Gran Vía.

Domingo de tapeo em La Latina, duas pessoas:

- 12h30 — Casa Lucas: 2 vermutes + huevos rotos para dividir = 14€
- 13h45 — Taberna Almendro 13: 2 rosca + 1 vermute = 11€
- 15h — Casa Camacho (a caminho de Malasaña): 2 yayos + tortilha = 11€
- 17h — pausa, café num banco da Plaza del Dos de Mayo = 3€
- 20h — Bodega de la Ardosa: 2 cañas + salmorejo + boquerones = 13€
- 22h — La Venencia: 2 finos + azeitona + mojama = 11€

**Total: 63€ para dois.** 31,50€ por pessoa.

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### O que evitar

**TL;DR**: Bar com cardápio em 4 idiomas, "Sangria & Paella" em néon, Plaza Mayor inteira, "tapas tasting menu" por 45€/pessoa, bar que exige reserva online com depósito.

- Qualquer bar com ementa em 4 idiomas na montra
- Qualquer "Sangria & Paella" piscando neon
- A Plaza Mayor inteira (preço dobrado, qualidade dividida)
- Restaurante que oferece "tapas tasting menu" por 45€ por pessoa
- Bar que só aceita reserva online com depósito

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### Como chegar a Madrid a partir de Lisboa

**TL;DR**: Voo LIS-MAD em 1h15, 80-180€ ida-volta TAP. Comboio Lisboa-Madrid via Hendaye 20h+ não compensa. Ryanair, easyJet e Iberia voam diariamente. Comprar com 30+ dias antes derruba 30%.

A partir de Lisboa, é mais simples voar. TAP, Iberia, Ryanair e easyJet operam diariamente o LIS-MAD em 1h15. Tarifas típicas 2026: 80€-180€ ida e volta com 30 dias de antecedência, podendo descer a 50€ em low-cost sem bagagem.

Do aeroporto Barajas (MAD) ao centro: metro Linha 8 até Nuevos Ministerios (5€, 30 min) ou Aeropuerto Express (autocarro amarelo, 5€, 24h por dia). Táxi para Malasaña: tarifa fixa 30€.

Hospedagem em Malasaña ronda 80€-150€/noite em hotel 3-4★. Apartamentos turísticos a partir de 60€. Evita ficar perto da Gran Vía — sobe três quarteirões para Malasaña e poupas 20€/noite com melhor experiência.

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### Quando ir

**TL;DR**: De outubro a maio é a melhor temporada. Tempo bom, madrilenos na cidade, bares cheios da malta certa. De junho a agosto, metade da cidade vai à praia e bares fecham. Calor de 38°C complica o vermute.

**De outubro a maio** é a melhor temporada. Tempo bom, madrilenos na cidade, bares cheios da malta certa. De junho a agosto, metade da cidade vai à praia, vários bares fecham (Casa Camacho, Melo's, Antonio Sánchez fecham agosto inteiro), e o calor de 38°C complica o vermute. Setembro volta tudo.

Domingo é o dia do *tapeo* em La Latina — vai com tempo, fica das 13h às 18h. Quinta e sexta à noite em Malasaña é onde a cidade se move. Lavapiés funciona qualquer dia.

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Madrid não é Barcelona, não é Lisboa, não é Paris. É uma cidade que recompensa quem desce três quarteirões da rota óbvia. Os 9 bares deste guia existem há entre 11 e 239 anos. Continuarão a existir. Vão receber-te em espanhol, servir-te bem, cobrar-te pouco. Só tens de subir até Malasaña.
