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title: "Onde ficar em Paris 2026: o guia honesto de bairros e hotéis reais, do Marais a Belleville"
excerpt: "A maior decisão da vossa viagem a Paris não é que museu visitar. É em que bairro dormem. Escolham bem e a cidade torna-se caminhável, com padaria à esquina e bistrô onde o empregado já vos reconhece. Este guia disseca seis bairros reais, do Marais a Belleville, com hotéis verdadeiros em três escalões de preço, em euros, e o que comer perto de cada um."
description: "A maior decisão da vossa viagem a Paris não é que museu visitar. É em que bairro dormem. Escolham bem e a cidade torna-se caminhável, com padaria à esquina e bistrô onde o empregado já vos reconhece. Este guia disseca seis bairros reais, do Marais a Belleville, com hotéis verdadeiros em três escalões de preço, em euros, e o que comer perto de cada um."
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author: "Curadoria Voyspark"
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# Onde ficar em Paris 2026: o guia honesto de bairros e hotéis reais, do Marais a Belleville

Paris não desilude pela cidade. Desilude pela logística mal pensada. O viajante chega convencido de que vai vaguear por bulevares e acaba a descobrir que reservou um hotel em La Défense — o bairro financeiro de arranha-céus a 40 minutos de metro do primeiro café decente. Ou apanha um quarto barato perto da Gare du Nord e passa a estadia a desviar-se de malas perdidas e de gente apressada. A cidade tem um centro nítido e uma lógica de bairros que recompensa quem percebe e castiga quem reserva pela foto mais bonita do Booking.

Antes dos bairros, a estrutura. Paris organiza-se em 20 *arrondissements* (distritos) que sobem em espiral, no sentido dos ponteiros do relógio, a partir do 1er no centro — em redor do Louvre. Quanto menor o número, mais central. Os arrondissements de um algarismo (1 a 8) concentram quase tudo o que foram ver: Louvre, Notre-Dame, Torre Eiffel, Champs-Élysées, Marais, Saint-Germain. Os de dois algarismos (9 a 20) são onde se vive a sério e onde os preços ficam humanos. O Sena corta a cidade em duas: a *Rive Droite* (margem direita, a norte) e a *Rive Gauche* (margem esquerda, a sul). Esta divisão não é só geográfica — é quase um traço de personalidade. A direita é comércio, moda, negócio, vida nocturna. A esquerda é intelectual, literária, mais pausada.

A boa notícia: Paris é minúscula para padrões de capital. Cabe inteira numa caminhada de leste a oeste em duas horas. O metro tem 16 linhas e quase 300 estações — raramente estão a mais de 400 metros de uma. Logo, não existe bairro "longe de tudo" dentro do centro. Existe o bairro que combina convosco e o bairro que não combina.

A regra para escolher onde dormir é simples e tem três perguntas. Primeira: quantos dias têm? Em três ou quatro dias, durmam central (Marais, Saint-Germain, Quartier Latin) e poupem tempo. Numa semana ou mais, vale a pena dormir num bairro de vizinhança (Belleville, Canal Saint-Martin) e usar o metro — ganham em preço e em autenticidade o que perdem em minutos. Segunda: viajam com quem? Casal em lua de mel quer Marais ou Montmartre. Família com crianças quer Quartier Latin ou Saint-Germain (mais espaço, mais sossego). Mochileiro quer Belleville ou os arredores do Canal. Terceira: qual o orçamento real por noite? Isso define o escalão, e cada bairro abaixo tem opção nos três.

Uma última coisa antes dos bairros. Parem de procurar hotel "com vista para a Torre Eiffel". A vista custa caro, o bairro em redor da torre (o 7e e o 15e) é elegante mas morto à noite, e vão ver a torre na mesma — tem 330 metros e aparece de meia cidade. Durmam onde a vida acontece, não onde está o postal.

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### Le Marais (3e e 4e): a aposta segura, central e viva até tarde

Se só têm uma escolha e não querem falhar, é o Marais. É o coração medieval de Paris que sobreviveu — ruas estreitas de pedra, palacetes aristocráticos do século XVII (os *hôtels particuliers*) transformados em museu e, ao mesmo tempo, o bairro mais vivo da cidade em 2026. Galerias de arte partilham passeio com falafel, lojas de grife partilham esquina com bar gay histórico, e tudo fica aberto até tarde, inclusive ao domingo — raridade numa cidade que ainda fecha cedo. O Marais é o bairro judeu (a rue des Rosiers), o bairro LGBT, o bairro da moda e o bairro dos museus pequenos, tudo ao mesmo tempo. Funciona para quase todos os perfis, excepto quem quer silêncio absoluto à noite.

**Para quem:** primeira vez em Paris, casal, quem quer tudo a pé, quem gosta de vida nocturna sem ter de apanhar o metro para regressar ao hotel. Central a sério — Notre-Dame, Centre Pompidou, Place des Vosges e Bastille estão todos a uma caminhada.

**Metro:** Saint-Paul (linha 1), Hôtel de Ville (linhas 1 e 11), Rambuteau (linha 11), Chemin Vert (linha 8). A linha 1 leva-vos directos ao Louvre, Champs-Élysées e La Défense sem mudar de comboio.

**Hotéis reais:**
- **Boutique/médio — Hôtel Jeanne d'Arc Le Marais** (3 estrelas, rue Jarente). Encanto antiquado, quartos pequenos mas impecáveis, a 90 segundos da Place des Vosges. Diária EUR 165-220.
- **Médio-alto — Hôtel National Des Arts et Métiers** (4 estrelas, rue Réaumur, na fronteira com o 3e). Design contemporâneo, rooftop com vista de 360°, restaurante italiano no rés-do-chão. Diária EUR 255-330.
- **Luxo — Hôtel des Grands Boulevards** (5 estrelas descontraído, rue du Croissant). Tecnicamente no 2e, na orla do Marais, mas é o luxo de personalidade do bairro — quarto com dossel, pátio escondido, restaurante premiado. Diária EUR 415-600. Para quem quer ir mais alto: **Cour des Vosges** (palacete do século XVII na própria Place des Vosges, 12 quartos, EUR 1.100+).

**Comida ao virar da esquina:** falafel no **L'As du Fallafel** (rue des Rosiers, fila famosa, vale a fila), bistrô moderno no **Robert et Louise** (entrecosto na lareira, ambiente rústico), pequeno-almoço no **Jacques Genin** (chocolataria que serve o melhor *millefeuille* feito na hora). Para um copo, **Little Red Door** (entre os melhores bares de cocktails do mundo, rue Charlot).

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### Saint-Germain-des-Prés (6e): elegância da margem esquerda, para quem paga pela calma

Saint-Germain é o oposto educado do Marais. Mesma centralidade, mas Rive Gauche — mais sossegado, mais sofisticado, mais caro. É o bairro dos cafés literários (Sartre e Beauvoir no Café de Flore, Hemingway nas redondezas), das galerias de arte e antiquários, das livrarias e das montras de moda discreta. Dormem a dez minutos a pé do Louvre, do Musée d'Orsay, do Jardim do Luxemburgo e de Notre-Dame, rodeados de ruas limpas e elegantes onde nada é estridente. É o bairro que o parisiense rico escolheria. O preço reflecte isso, mas estão a comprar paz e localização imbatível.

**Para quem:** primeira vez com orçamento mais folgado, casal que prefere requinte a balada, família que quer espaço e sossego perto de tudo, amante de arte (Orsay e Louvre a pé).

**Metro:** Saint-Germain-des-Prés (linha 4), Mabillon (linha 10), Odéon (linhas 4 e 10), Saint-Sulpice (linha 4). A linha 4 atravessa a cidade de norte a sul, passando pela ilha da Cité.

**Hotéis reais:**
- **Médio — Hôtel des Marronniers** (3 estrelas, rue Jacob). Pátio-jardim com castanheiros no meio de Saint-Germain, quartos clássicos, café no jardim. Surpreendentemente acessível para o bairro. Diária EUR 175-240.
- **Boutique/médio-alto — Hôtel Récamier** (4 estrelas, na própria Place Saint-Sulpice). Discreto, sem placa chamativa, vista da igreja de Saint-Sulpice, serviço de hotel pequeno e atento. Diária EUR 275-385.
- **Luxo — L'Hôtel** (5 estrelas, rue des Beaux-Arts). O hotel onde Oscar Wilde morreu, redesenhado por Jacques Garcia em veludo e drama, com piscina privativa na cave. Vinte quartos, cada um diferente. Diária EUR 505-825. Acima disso: **Hôtel Lutetia** (palace art déco do boulevard Raspail, spa, EUR 920+).

**Comida ao virar da esquina:** café no **Café de Flore** ou no **Les Deux Magots** (pagam pela história, mas façam-no uma vez), ostras e marisco no **Huîtrerie Régis** (minúsculo, sem reserva), pão e doce na **Poilâne** (a padaria mais famosa de Paris, rue du Cherche-Midi), jantar de bistrô no **Le Comptoir du Relais** (do chef Yves Camdeborde, fila garantida).

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### Montmartre (18e): o postal que ainda funciona, se aguentarem a subida

Montmartre é a colina — literal e figurativamente. O ponto mais alto de Paris, coroado pela basílica branca do Sacré-Cœur, com ruas de calçada, vinha escondida, o último moinho de vento da cidade e a praça dos pintores (Place du Tertre) que de dia é armadilha turística e de noite se torna aldeia. É o bairro mais fotogénico de Paris e, por isso mesmo, o mais cheio de turistas no topo. O truque é dormir na encosta de baixo, longe da praça dos retratistas e do troço do filme "O Fabuloso Destino de Amélie". Ali em baixo, nas ruas dos arrondissements 9e e 18e, Montmartre ainda é um bairro de verdade: padaria, talho, café onde o dono vos conhece.

**Para quem:** casal romântico, fotógrafo, quem viaja sem mala pesada e não tem problema com subidas, viajante de regresso que já viu o centro e quer atmosfera. Pensem duas vezes se têm mobilidade reduzida — as ruas sobem a sério e não há metro no alto da colina (o funicular ajuda).

**Metro:** Abbesses (linha 12, a estação mais funda de Paris, com elevador), Anvers (linha 2, base do funicular para o Sacré-Cœur), Pigalle (linhas 2 e 12), Lamarck-Caulaincourt (linha 12, o lado calmo e residencial).

**Hotéis reais:**
- **Boutique/médio — Hôtel des Arts Montmartre** (3 estrelas, rue Tholozé). Quartos com personalidade, na rua que aparece em "Amélie", subida tranquila. Diária EUR 145-200.
- **Médio-alto — Le Relais Montmartre** (4 estrelas, rue Constance). Casinha provençal escondida numa rua sossegada, pequeno-almoço caseiro, longe do tumulto do topo. Diária EUR 210-295.
- **Luxo — Hôtel Particulier Montmartre** (5 estrelas, avenue Junot). Palacete escondido atrás de um portão sem placa, cinco suítes, jardim secreto desenhado por paisagista, bar de cocktails de culto. Um dos endereços mais discretos e românticos de Paris. Diária EUR 550-875.

**Comida ao virar da esquina:** bistrô clássico no **Le Relais Gascon** (saladas gigantes com batata salteada, perto de Abbesses), pão premiado na **Le Grenier à Pain** (já ganhou o concurso da melhor baguete de Paris), jantar com vista no **Le Coq Rico** (frango assado do chef Antoine Westermann) e a **La Maison Rose** (a casinha cor-de-rosa fotografada pela internet inteira — entrem para comer, não só para a foto).

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### Belleville (20e e parte do 19e/11e): a Paris real, multicultural e barata que o turista ignora

Belleville é onde Paris respira sem maquilhagem. A subir uma colina no leste da cidade, é o bairro mais multiétnico da capital — a Chinatown mistura-se com a comunidade norte-africana, com judeus tunisinos, com a juventude artística que foi expulsa do Marais pelas rendas. É onde nasceu Édith Piaf, é onde estão alguns dos melhores restaurantes baratos da cidade e é onde se vê o melhor pôr do sol gratuito de Paris (do Parc de Belleville, com a Torre Eiffel ao fundo). Não é polido. Tem graffiti, tem barulho, tem rua que pede atenção à noite. Mas é vivo, real e custa uma fracção do centro. Para quem fica uma semana ou mais e quer sentir a cidade por dentro, é a escolha.

**Para quem:** viajante de regresso, mochileiro, quem fica muitos dias, foodie de orçamento curto, quem prefere autenticidade a conveniência. Não recomendado para a primeira vez de quem só tem três dias — gastam tempo de metro que podiam gastar a ver a cidade.

**Metro:** Belleville (linhas 2 e 11), Pyrénées (linha 11), Couronnes (linha 2), Ménilmontant (linha 2). A linha 2 leva-vos à Place de Clichy e aos Champs-Élysées; a 11, recém-prolongada, liga ao centro pelo Châtelet.

**Hotéis reais:**
- **Económico — Mama Shelter Paris East** (boutique-económico de marca, rue de Bagnolet, no 20e). Design jovem, quartos compactos e baratos, rooftop, pizzaria. Diária EUR 100-155.
- **Médio — Hôtel Mom'Art** (3 estrelas, perto da estação Belleville). Limpo, colorido, dono atento, pequeno-almoço honesto, a poucos passos do metro. Diária EUR 120-165.
- **Médio-alto — Scarlett Hotel** (4 estrelas, rue Pradier, no 19e na orla de Belleville). Recente, design cuidado, óptimo custo-benefício para quem quer conforto sem pagar preço de centro. Diária EUR 175-240. Luxo a sério não existe em Belleville — quem quer 5 estrelas dorme no centro. É esse o ponto do bairro.

**Comida ao virar da esquina:** o melhor *bánh mì* e pato laqueado da cidade na zona chinesa do boulevard de Belleville, cozinha franco-natural premiada no **Le Baratin** (bistrô de culto da chef Raquel Carena, reserva obrigatória), pão de fermentação natural na **Le Bricheton** (padaria biológica de culto) e copos na **Combat** (bar de cocktails comandado por mulheres, na esquina entre o 19e e o 20e).

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### Quartier Latin (5e): o custo-benefício eterno, histórico e cheio de comida honesta

O Quartier Latin é o bairro mais antigo de Paris vivido por estudantes desde a Idade Média — o nome vem do latim que se falava na Sorbonne. Hoje continua a ser zona universitária, o que significa duas coisas: muito alojamento de família e económico, e muita comida boa e barata. É central na Rive Gauche, com Notre-Dame, o Panthéon, o Jardim do Luxemburgo e o Sena todos a pé. Tem as ruas medievais mais estreitas da cidade (cuidado com os troços turísticos de fondue perto de Saint-Séverin), mas também a livraria Shakespeare and Company, o mercado da rue Mouffetard e a mesquita de Paris com o seu jardim de chá. É o bairro que entrega Paris central por menos.

**Para quem:** família (mais espaço por menos), viajante com orçamento médio, primeira vez económica, amante de história e de livraria, quem quer estar a pé de Notre-Dame e do Luxemburgo sem pagar preço de Saint-Germain.

**Metro:** Saint-Michel (linha 4, e RER B/C — ligação directa ao aeroporto Charles de Gaulle), Cluny-La Sorbonne (linha 10), Maubert-Mutualité (linha 10), Place Monge (linha 7, perto do mercado Mouffetard).

**Hotéis reais:**
- **Económico — Hôtel Marignan** (rue du Sommerard). Histórico, simples, com cozinha partilhada e lavandaria — pensado para estadias longas e famílias. Quartos de EUR 80 a 140 conforme o tamanho.
- **Médio — Hôtel des Grandes Écoles** (3 estrelas, rue du Cardinal Lemoine). Casa de campo no meio da cidade, jardim com macieiras e mesas, sem trânsito, quartos clássicos. Um dos endereços mais queridos de Paris. Diária EUR 165-230.
- **Médio-alto/luxo — Hôtel Monge** (4 estrelas, rue Monge). Boutique refinado com spa e hammam, perto do mercado Mouffetard e do Jardin des Plantes. Diária EUR 240-350. Para subir: o **Hôtel des Grands Hommes** (4 estrelas, na praça do Panthéon, vista da cúpula, EUR 320-415).

**Comida ao virar da esquina:** mercado de rua na **rue Mouffetard** (queijo, charcutaria, ostras, vinho — montem um piquenique para o Luxemburgo), bistrô honesto no **Le Buisson Ardent** (menu do dia a preço de estudante), cuscuz e chá de menta no restaurante da **Grande Mosquée de Paris** e crepe na **rue Saint-Jacques**. Evitem as ruas de "menu turístico €15" perto de Saint-Michel — é a única armadilha real do bairro.

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### Canal Saint-Martin (10e): a Paris jovem, descontraída e fotogénica que cresceu

O Canal Saint-Martin é o bairro que se tornou o queridinho da Paris dos trinta e poucos anos na última década. Um canal arborizado do século XIX, com pontes de ferro fundido e comportas, ladeado por cafés de torra própria, lojas de design independente, lojas em segunda mão e bares de vinho natural. Aos domingos e nas noites de verão, parisienses de toda a cidade sentam-se na margem do canal com uma garrafa de vinho e queijo — é o piquenique urbano por excelência. Fica no 10e, a leste da Gare de l'Est, central o suficiente para ir a pé até à République e ao Marais, mas com preços bem abaixo do centro turístico. É a ponte perfeita entre conveniência e autenticidade.

**Para quem:** casal jovem, foodie descontraído, viajante de regresso, quem quer vida de bairro real sem ficar longe demais do centro, amante de café de especialidade e de brunch.

**Metro:** Jacques Bonsergent (linha 5), République (linhas 3, 5, 8, 9, 11 — um dos maiores nós da cidade), Goncourt (linha 11), Gare de l'Est (linhas 4, 5, 7). A République liga-vos a quase qualquer lado sem caminhar muito.

**Hotéis reais:**
- **Económico — Hôtel Paradis** (boutique-económico, rue de Paradis). Design colorido por uma artista têxtil, quartos pequenos e cheios de encanto, óptimo preço para a localização. Diária EUR 100-145.
- **Médio — Le Citizen Hotel** (3 estrelas, quai de Jemmapes, de frente para o canal). Vista de água, design escandinavo despojado, lanches gratuitos, dono presente. O endereço do bairro. Diária EUR 165-230.
- **Médio-alto — Hôtel Grand Amour** (4 estrelas, rue de la Fidélité). Boutique boémio-glam do grupo Amour, arte nas paredes, restaurante animado, pátio. Diária EUR 220-305. Luxo formal de 5 estrelas não combina com o Canal — quem quer palace dorme no 1er ou no 8e.

**Comida ao virar da esquina:** café de especialidade no **Ten Belles** (torra própria, referência da cidade), brunch e pão na **Du Pain et des Idées** (uma das melhores padarias de Paris, fechada aos fins-de-semana), cozinha de mercado no **Le Verre Volé** (bistrô e loja de vinho natural ao mesmo tempo) e copos na margem do canal em qualquer esplanada entre as comportas.

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### Como circular: metro, zonas e o que realmente vale a pena

Paris move-se de metro, e o metro é fácil. Dezasseis linhas numeradas por cor, mais cinco linhas de RER (comboio expresso, letras A a E) que cruzam a cidade e vão aos aeroportos e subúrbios. Tudo o que vão ver como turistas está na **Zona 1** (centro). Os aeroportos e Versalhes ficam nas zonas 4 e 5, servidos pelo RER.

O bilhete de papel foi extinto em 2025. Em 2026 compra-se de duas formas: pelo **Navigo Easy** (cartão recarregável de plástico, vendido nas máquinas por uma pequena taxa, onde carregam bilhetes avulsos ou um carnet de 10 com desconto, ~EUR 16) ou directamente pelo **telemóvel**, através da app **Bonjour RATP** ou do Apple/Google Wallet — compram o bilhete no telemóvel e encostam na barreira. Um bilhete avulso (*ticket t+*) custa cerca de EUR 2,50 e vale para uma viagem com transbordos dentro do metro. Para quem fica vários dias e anda muito, o **Navigo Semaine** (passe semanal, de segunda a domingo, ~EUR 30) compensa a partir de uns 12 a 14 trajectos.

Do aeroporto **Charles de Gaulle (CDG)** ao centro: o RER B leva uns 35 a 45 minutos e custa cerca de EUR 11. Há também o autocarro **Roissybus** até à Ópera. O táxi tem tarifa fixa: EUR 56 para a Rive Droite, EUR 65 para a Rive Gauche. Do **Orly (ORY)**, o novo metro da linha 14 (prolongada em 2024) leva directo ao centro por ~EUR 11, ou o Orlybus até Denfert-Rochereau.

Acima de tudo: andem a pé. Paris é desenhada para a caminhada, e os melhores momentos da cidade acontecem entre uma estação e outra que decidiram saltar. Bicicleta pública (**Vélib'**) e trotinete também funcionam, mas o trânsito de bicicleta exige atenção.

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### Quando ir: estações, preços e o calendário que muda tudo

Paris tem quatro estações nítidas e cada uma muda o preço do hotel e a experiência.

**Primavera (abril a junho)** é a estação clássica — clima ameno, jardins floridos, dias longos. É também época alta, com preços altos e museus cheios. Maio tem muitos feriados (e encerramentos). Junho é o auge da luz, com o pôr do sol às 22h.

**Verão (julho e agosto)** é quente e, paradoxalmente, mais vazio de parisienses — muita gente local viaja em agosto e parte das lojas e bistrôs de bairro fecha. O turista enche os pontos principais. O calor pode ultrapassar os 35°C e poucos hotéis antigos têm ar condicionado decente — confirmem antes de reservar. Os preços de hotel oscilam: caem em agosto pela saída dos locais, sobem nos pontos turísticos.

**Outono (setembro e outubro)** é a melhor janela na opinião de muita gente que conhece a cidade — clima fresco e agradável, turismo a abrandar, vida cultural a retomar (a *rentrée*), preços a recuar de setembro para outubro. Se puderem escolher, escolham setembro.

**Inverno (novembro a março)** é frio, cinzento e curto de luz, mas é quando Paris fica barata e vazia. Dezembro tem o brilho do Natal e dos mercados; janeiro e fevereiro têm os preços mais baixos do ano e museus sem fila. Levem casaco e aceitem a chuva.

Evitem reservar sem verificar o calendário: a **Fashion Week** (final de fevereiro/início de março e final de setembro) e as grandes feiras esvaziam hotéis e disparam preços. Confirmem sempre as datas antes de fechar.

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### Orçamento por noite (2026), em euros

Os números abaixo são por quarto, por noite, fora de eventos especiais. A diferença entre bairros é menor do que se imagina — o que muda mesmo é o padrão do hotel.

| Escalão | Preço/noite (EUR) | O que ganham | Bairros que mais encaixam |
|---|---|---|---|
| Económico / hostel / boutique-budget | EUR 55-100 | Quarto pequeno, casa de banho simples, sem floreados | Belleville, Canal Saint-Martin, Quartier Latin |
| Médio (boutique 3 estrelas) | EUR 145-255 | Encanto, localização, pequeno-almoço honesto, quarto compacto mas bom | Todos os seis |
| Luxo (4-5 estrelas) | EUR 415-1.100+ | Serviço de palace, spa, suíte, endereço icónico | Marais, Saint-Germain, Montmartre (Hôtel Particulier) |

Somem a isto, por pessoa e por dia: comida EUR 35-85 (padaria de manhã, almoço de menu do dia, jantar de bistrô — sobe depressa se jantarem caro), transporte EUR 5-9 (ou o passe semanal de ~EUR 30) e atracções EUR 14-28 por bilhete (Louvre EUR 22, Orsay EUR 16, Torre Eiffel até ao topo EUR 30). Uma viagem confortável de uma semana, em hotel médio, fica em torno de EUR 1.650-2.400 por pessoa, fora a passagem aérea. Em modo económico, dá para fazer por EUR 830-1.200. Em modo luxo, o céu é o limite.

Conselho de quem domina a regra: reservem hotel reembolsável com antecedência (os preços de Paris só sobem perto da data, raramente descem) e troquem uma noite de hotel caro por um jantar memorável — em Paris, a melhor recordação quase nunca é o quarto.
