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title: "Visto da China em 2026 para portugueses — isenção até 30 dias, turismo, trânsito sem visto 144h e o que mudou mesmo"
excerpt: "Boa notícia para quem tem passaporte português: a China incluiu Portugal na vaga de isenção unilateral de visto e, em 2026, dá para entrar na China continental sem visto para turismo curto. Mas há letra miúda — limite de dias, finalidade restrita e datas de validade do programa que podem mudar. Para quem fica mais tempo ou viaja por outros motivos, ainda existe o visto L de turismo. E para quem só passa pela China rumo a outro país, a política de trânsito sem visto liberta 144 ou 240 horas em dezenas de cidades. Este guia separa os três caminhos, as regras finas que reprovam viajantes no aeroporto, Hong Kong e Macau (que são outro mundo), e como pagar um café em Xangai sem cartão internacional."
description: "Boa notícia para quem tem passaporte português: a China incluiu Portugal na vaga de isenção unilateral de visto e, em 2026, dá para entrar na China continental sem visto para turismo curto. Mas há letra miúda — limite de dias, finalidade restrita e datas de validade do programa que podem mudar. Para quem fica mais tempo ou viaja por outros motivos, ainda existe o visto L de turismo. E para quem só passa pela China rumo a outro país, a política de trânsito sem visto liberta 144 ou 240 horas em dezenas de cidades. Este guia separa os três caminhos, as regras finas que reprovam viajantes no aeroporto, Hong Kong e Macau (que são outro mundo), e como pagar um café em Xangai sem cartão internacional."
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author: "Curadoria Voyspark"
published_at: "Wed Jun 03 2026 04:22:58 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)"
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# Visto da China em 2026 para portugueses — isenção até 30 dias, turismo, trânsito sem visto 144h e o que mudou mesmo

Comecemos pela mudança que interessa a quem tem passaporte português: a China incluiu Portugal na grande vaga de isenção unilateral de visto que abriu em 2024 e 2025 para vários países da União Europeia. Na prática, em 2026 o cidadão português pode entrar na China continental **sem visto** para uma estadia curta — turismo, negócios, visita a família ou trânsito. É uma reviravolta face ao que era a norma durante décadas, em que qualquer ida à China implicava um pedido formal de visto.

Mas há letra miúda, e é aqui que muita gente tropeça. A isenção tem **limite de dias** (a faixa típica destes programas é de 15 a 30 dias por entrada), cobre apenas **certas finalidades** e tem uma **data de validade** — a China abriu estes regimes como medida temporária e já os prorrogou mais do que uma vez, mas também os pode encerrar. Por isso, a regra de ouro deste guia aplica-se em primeiro lugar à própria isenção: **confirme na fonte oficial do consulado chinês, na semana em que compra o bilhete**, se o programa continua em vigor para Portugal, qual o limite exato de dias e que finalidades cobre. Aparece muito post a dizer "a China abriu tudo". Abriu uma porta importante, sim, mas com moldura própria.

Para quem fica mais do que o limite da isenção, ou viaja por motivos não cobertos — estudo, trabalho, estadias longas —, o caminho continua a ser o **visto L de turismo** ou o visto adequado à finalidade. E para quem só usa a China como **corredor** rumo a um terceiro país, existe ainda a política de **trânsito sem visto**, que em algumas situações é mais conveniente até do que a isenção, porque permite roteiros que a isenção comum não enquadra.

Este guia separa os caminhos com clareza, porque misturá-los é o erro clássico. Caminho 1: **isenção de visto**, para a estadia curta dentro do limite. Caminho 2: **visto L de turismo**, para quem fica mais tempo ou quer segurança total. Caminho 3: **trânsito sem visto**, para quem só passa. São regimes diferentes, regras diferentes, riscos diferentes. E no fim há Hong Kong e Macau, que são outro universo de fronteira.

Sem promessa de atalho mágico. Só as regras como elas são em 2026, e os tropeções que custam a viagem.

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### Isenção, visto ou trânsito sem visto? Decida primeiro

Antes de qualquer coisa, responda a três perguntas encadeadas: **a China é o seu destino ou apenas o corredor? Por quantos dias fica? E qual é a finalidade?**

- **Destino, estadia curta, turismo ou visita** (dentro do limite de dias da isenção): pela vaga de isenção unilateral em vigor em 2026, o cidadão português entra **sem visto**. Confirme o limite exato e a validade do programa antes de viajar. Esta é a via mais simples — mas confirme sempre que ainda existe.
- **Destino, estadia mais longa ou finalidade não coberta** (estudo, trabalho, ou simplesmente mais dias do que a isenção permite): precisa de **visto** — o tipo L para turismo. Salte para a secção do visto L.
- **Corredor**: vai de Portugal para a Austrália, para o Japão ou para a Tailândia, e a ligação é em Pequim ou Xangai, e quer aproveitar para ver a cidade alguns dias. Aí entra o **trânsito sem visto**. Há uma secção inteira mais abaixo.

Quem confunde os regimes ou paga um visto sem precisar, ou tenta usar trânsito sem visto sendo a China o destino final — e nesse segundo caso é barrado. O balcão de check-in da companhia aérea em Lisboa é o primeiro filtro. Sem o documento certo (ou a comprovação certa de elegibilidade para a isenção), não embarca.

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### Visto L de turismo: o que é e quem precisa

Mesmo com a isenção em vigor, o visto L mantém-se relevante: para estadias acima do limite isento, para quem quer várias entradas no ano, ou simplesmente para quem prefere a certeza de um documento carimbado a depender de um programa que pode mudar.

O visto chinês organiza-se por letras, como o americano. Para turismo, é o **tipo L** (de *lǚyóu*, turismo).

| Visto | Para quê | Duração típica |
|---|---|---|
| **L** | Turismo, passeio, visita a pontos turísticos. | Estadia de até 30-60 dias por entrada |
| **M** | Negócios: feiras, reuniões comerciais, visita a fábrica. | Varia conforme convite |
| **F** | Intercâmbio cultural, científico, visita não comercial. | Varia |
| **Q1/Q2** | Visita a familiar residente ou cidadão chinês. | Q2 até 180 dias |
| **X1/X2** | Estudante (X1 longo, X2 curto). | Duração do curso |
| **Z** | Trabalho com autorização. Exige patrocínio e *work permit*. | Conforme contrato |

A maioria dos leitores que precisa de visto precisa do **L**. Se vai visitar familiar chinês por longo período, o consulado pode pedir Q. Se vai trabalhar, é Z e envolve toda uma papelada de autorização de trabalho — outro processo, outro guia. Não tente turismo com plano de trabalhar: trabalhar com visto L (ou ao abrigo da isenção) é ilegal e dá expulsão.

O visto L pode sair com **entrada única, dupla ou múltipla**, e a validade varia. O cidadão português costuma receber validade de meses a um ano consoante o histórico, com estadia de 30 a 60 dias por entrada. Quem decide é o oficial consular, não o requerente.

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### Documentos para o visto L: a lista que de facto pedem

A China é meticulosa com papelada. A falta de um documento devolve o processo. Leve tudo:

- **Passaporte** com validade mínima de 6 meses e pelo menos **duas páginas em branco**.
- **Formulário de pedido** (COVA) preenchido online e impresso, assinado.
- **Uma fotografia** recente, a cores, fundo branco, 33x48mm (padrão chinês, diferente da fotografia americana).
- **Reserva de voo de ida e volta** (ou de saída da China). Faça uma reserva cancelável, não compre antes da aprovação.
- **Reserva de hotel** a cobrir toda a estadia, ou **carta-convite** se for ficar com alguém.
- **Comprovativo de rendimentos / extrato bancário** dos últimos meses, a mostrar que consegue suportar a viagem.
- **Itinerário** dia a dia, mesmo que simples. A China gosta de saber por onde anda.
- Em alguns casos, **comprovativo de vínculo laboral** em Portugal.

Para quem já teve visto chinês antes, parte da papelada afrouxa. Para a primeira vez, leve tudo e com folga. O centro de visto verifica documento a documento na entrega.

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### Onde tirar: o centro CVASC (não é o consulado direto)

Há aqui uma diferença importante face a outros países. Na maioria dos casos, **não vai ao consulado chinês diretamente**. Vai ao **Centro de Pedido de Visto para a China** — o **CVASC** (*Chinese Visa Application Service Center*). É um centro subcontratado que recebe os documentos, recolhe a biometria e os encaminha para o consulado.

Em Portugal, o pedido de visto chinês é tratado em **Lisboa**:

- **Embaixada da República Popular da China em Lisboa** (secção consular).
- **Centro de Pedido de Visto para a China (CVASC) em Lisboa**, que processa a maioria dos pedidos de turismo.

Quem reside nos arquipélagos ou nas regiões dos PALOP deve confirmar primeiro qual a representação chinesa com jurisdição sobre a sua área de residência — em alguns casos o pedido faz-se à distância, noutros há que deslocar-se a Lisboa ou ao posto competente. Confirmar a jurisdição certa no site oficial antes de marcar evita devolver o processo.

A marcação faz-se no site do CVASC. Na maioria dos casos de turismo, **não há entrevista** — entrega os documentos, faz a biometria (recolha de impressões digitais, padrão desde 2019) e levanta depois. Em situações específicas o consulado pode convocar para entrevista, mas é exceção.

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### Custo e prazo do visto L em 2026

O custo tem duas partes: a **taxa consular** (do governo chinês) e a **taxa de serviço** (do centro CVASC).

| Item | Valor aproximado |
|---|---|
| Taxa consular (entrada única, cidadão português) | 35 a 60 EUR |
| Taxa de serviço CVASC | 30 a 60 EUR |
| Biometria (recolha de impressões digitais) | incluída ou pequena taxa |
| Processamento urgente (express) | acréscimo de 30 a 80 EUR |
| **Total realista por pessoa** | **70 a 180 EUR** |

Os valores variam por reciprocidade, número de entradas e câmbio. Multientrada custa mais do que entrada única. Confirme a tabela em vigor no CVASC no dia — muda com frequência.

**Prazos:**

- **Regular**: cerca de **4 dias úteis** de processamento, mais o vai e vem do levantamento.
- **Express**: 2 a 3 dias úteis, com acréscimo.
- **Urgente**: 1 dia útil em alguns postos, mais caro ainda.

Conte com a fila de **marcação** antes de o processamento começar. Em época alta (perto de feriados chineses, pico de turismo), pode levar semanas a conseguir uma vaga de entrega. Planeie com 1 a 2 meses de antecedência para não correr riscos.

A taxa **não é reembolsável** se o visto for recusado. Igual ao americano neste ponto: pagou, perdeu, mesmo com recusa.

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### Trânsito sem visto: a porta que muita gente usa errado

Agora o caminho que mais brilha e mais confunde — e que, repare, **é independente da isenção**. A isenção serve quem tem a China como destino; o trânsito sem visto serve quem a usa como corredor para um terceiro país, e por vezes enquadra roteiros que a isenção comum não permite.

A China deixa que viajantes em **trânsito** fiquem na cidade sem tirar visto, por um período curto. É a política de **Transit Visa-Free** — conhecida pelas siglas de horas: **144 horas** (6 dias) e, desde dezembro de 2024, **240 horas** (10 dias) em boa parte do país.

A lógica: está a ir de um país A para um país C, e a China (B) é só ligação. Em vez de ficar preso no aeroporto, pode entrar, ver a cidade e seguir viagem — sem visto.

**As três condições inegociáveis:**

1. **Três países diferentes.** Tem de chegar de um país e sair para **outro país** — nem o de origem, nem a China. Exemplo válido: Portugal → Xangai → Tóquio. Exemplo **inválido**: Portugal → Xangai → Portugal (ida e volta para o mesmo país **não conta**). Este é o erro número um.
2. **Bilhete confirmado de saída** para o terceiro país, com data e lugar, dentro da janela de horas.
3. **Entrar e sair pela região elegível.** A janela conta a partir das **00h00 do dia seguinte** à chegada, não da hora exata. Este pormenor dá margem extra — use-o a seu favor.

Quem tenta usar isto sendo a China o destino real (sem terceiro país verdadeiro) é barrado no embarque ou na imigração chinesa. A companhia aérea verifica o roteiro completo no check-in.

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### 144h ou 240h: qual vale na sua cidade

A reforma de dezembro de 2024 alargou a maioria das regiões de 144 para **240 horas (10 dias)** e unificou várias áreas. Mas ainda há diferenças regionais. Linhas gerais em 2026:

| Região / ponto de entrada | Janela | Observação |
|---|---|---|
| **Pequim, Tianjin, Hebei** | 240h | Pode circular por toda a região |
| **Xangai, Jiangsu, Zhejiang** | 240h | Delta do Yangtzé, área extensa |
| **Cantão (Guangzhou) e Guangdong** | 240h | Cobre boa parte da província |
| **Chengdu, Chongqing, Xi'an** | 240h | Interior, pontos alargados |
| **Kunming, Qingdao, Xiamen, Wuhan e outras** | 240h | A lista cresceu bastante em 2024-25 |

A armadilha: costuma poder **circular dentro da região/província** habilitada, mas **não sair dela** rumo a outra parte da China que não esteja no mesmo grupo. Entrar em Xangai e tentar ir para Pequim de comboio, por exemplo, pode rebentar a regra consoante a configuração. Confirme o âmbito geográfico exato do ponto de entrada antes de montar o roteiro interno.

E há **dezenas de aeroportos elegíveis** — a lista passou de 30 pontos. Mas nem todo o voo internacional aterra num ponto habilitado. Confirme que **o seu aeroporto específico** aceita trânsito sem visto na data.

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### As armadilhas do trânsito sem visto (leia duas vezes)

Esta política é ouro, mas está cheia de armadilhas. As que mais derrubam gente:

1. **Ida e volta para o mesmo país.** Repito porque é o erro campeão: A → China → A **não vale**. Têm de ser três países distintos.
2. **Ligação com o mesmo voo / mesma reserva sem sair da área internacional.** Se nem passa pela imigração, é outra coisa (trânsito comum). O visa-free é para quem **entra** na cidade.
3. **Aeroporto não habilitado.** Voou para um aeroporto secundário que não está na lista? Sem trânsito sem visto. Volta para a fila do visto.
4. **Suspensão temporária.** A China **suspende pontualmente** o trânsito sem visto de certos aeroportos por obras, eventos ou segurança. Confirme o estado do seu aeroporto **na semana da viagem** — não no mês anterior.
5. **Estourar a janela.** Passou das 240 (ou 144) horas? É *overstay*, com multa e registo. A janela conta a partir das 00h00 do dia seguinte à chegada — saiba contar bem.
6. **Sair para Hong Kong ou Macau a achar que continua o trânsito.** Hong Kong e Macau são fronteiras separadas. Sair para lá **conta como deixar a China continental**. Se queria 10 dias em Xangai e foi a Hong Kong ao terceiro dia, a janela pode ter encerrado. Planeie com cuidado.

Regra de ouro: **trate o trânsito sem visto como um privilégio frágil.** Tenha sempre o roteiro impresso, o cartão de embarque do terceiro país e disposição para explicar no balcão. Se a viagem é importante demais para arriscar, e a estadia não cabe na isenção, tire o visto L e durma descansado.

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### Isenção de visto: o estado real de Portugal em 2026

A grande vaga de 2024-2025 foi a China **isentar de visto** dezenas de nacionalidades — entrada de turismo sem precisar de tirar nada. Entraram vários países europeus (Alemanha, França, Itália, Espanha, Países Baixos e mais), além de outros como o Japão e a Coreia do Sul em condições específicas. **Portugal está entre os países contemplados** por esta política unilateral chinesa.

O que isto significa em concreto: o titular de passaporte português pode, em 2026, **entrar na China continental sem visto** para uma estadia curta de turismo, negócios, visita a familiares ou trânsito, dentro de um limite de dias por entrada. Não há, neste regime, processo no CVASC, taxa consular nem biometria prévia — entra com o passaporte válido.

A letra miúda que não pode ignorar:

- **Há um limite de dias por entrada** (a faixa típica destes programas anda nos 15 a 30 dias). Acima disso, precisa de visto.
- **A finalidade tem de caber no regime.** Para estudo, trabalho ou estadias longas, a isenção não chega — é o visto adequado.
- **É uma medida temporária com data de validade.** A China já prorrogou estes programas, mas reserva-se o direito de os encerrar. O que vale numa data pode não valer na seguinte.

Por tudo isto, mantém-se o conselho de sempre: confirme a fonte oficial do consulado chinês na semana em que compra o bilhete. A política de vistos chinesa mudou depressa nos últimos dois anos — para abrir, mas também pode mudar para fechar. Quando mudar, será primeiro no site oficial, não num post viral. E se a sua estadia ultrapassa o limite isento, não force a isenção: tire o visto L.

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### Hong Kong e Macau: outro país, na prática

Aqui muda tudo. **Hong Kong** e **Macau** são **Regiões Administrativas Especiais (RAE)** da China. Têm governo próprio, moeda própria, política de imigração própria e — o que mais lhe importa — **regras de entrada totalmente diferentes da China continental**.

| Destino | Cidadão português precisa de visto? | Estadia |
|---|---|---|
| **China continental** | Estadia curta isenta; acima disso, visto L | conforme regime |
| **Hong Kong** | **Não** | até **90 dias** sem visto |
| **Macau** | **Não** | até **30 dias** sem visto |

O cidadão português entra em **Hong Kong sem visto por até 90 dias** e em **Macau por até 30 dias**, só com o passaporte válido. Sem CVASC, sem taxa consular, sem nada. Passa pela imigração local e está feito. (Macau, recorde-se, tem laços históricos profundos com Portugal — mas, do ponto de vista de fronteira, é uma RAE com imigração própria, como Hong Kong.)

O ponto crítico de planeamento: **cruzar entre Hong Kong/Macau e a China continental é cruzar uma fronteira internacional.** Não é viagem doméstica. Cada vez que atravessa, passa pela imigração e — do lado continental — precisa de cumprir o regime aplicável (isenção válida, visto chinês válido, ou uma janela de trânsito válida).

Roteiro comum que corre mal: a pessoa entra em Xangai pelo trânsito sem visto, planeia "dar um salto a Hong Kong" e voltar à China continental. Voltar ao continental exige nova janela ou novo enquadramento — e a primeira janela já terminou ao sair. Resultado: barrado. Se quer continental + Hong Kong na mesma viagem e a sua estadia continental não cabe na isenção, o caminho seguro é **visto L de múltiplas entradas** ou estruturar o roteiro para Hong Kong ser o último troço.

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### Registo de chegada: as 24 horas que ninguém avisa

Todo o estrangeiro na China precisa de **registar onde está alojado até 24 horas** após a chegada. É lei, e a fiscalização existe.

- **Em hotel**: o hotel faz o registo automaticamente no check-in, lendo o passaporte. Não precisa de fazer nada — só garanta que registaram (alguns hotéis pequenos do interior não fazem; nesse caso, mude de hotel).
- **Em casa de amigos, familiares ou Airbnb**: **é o próprio** o responsável por ir à **esquadra da polícia local** (*Public Security Bureau*) registar a sua presença, com passaporte e a morada. Tem de ser feito nas primeiras 24 horas.

Esquecer disto parece coisa pouca, mas dá **multa** e complica a saída ou futuras entradas. Para quem fica só em hotel, é transparente. Para quem fica em alojamento alternativo, é tarefa obrigatória — anote na lista do primeiro dia.

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### Pagamento na China: sem Alipay ou WeChat, fica a pé

A China é uma das sociedades mais *cashless* do planeta. O dinheiro físico quase desapareceu. O cartão internacional (Visa/Mastercard) é aceite em poucos sítios — alguns hotéis grandes, aeroportos, lojas de luxo. No dia a dia — táxi, metro, restaurante de bairro, mercearia, banca de comida — **tudo é código QR de Alipay ou WeChat Pay**.

A boa notícia: desde 2023-2024, as duas apps abriram ao turista. Hoje dá para:

- **Descarregar o Alipay** (ou WeChat Pay) ainda em Portugal.
- **Registar um cartão internacional** (Visa/Mastercard) dentro da app — funciona para estrangeiro.
- Pagar tudo por código QR, como um local.

Pontos de atenção, e configure **antes de embarcar**:

1. **Configure em Portugal, com boa internet.** O registo exige verificação de identidade (foto do passaporte, selfie). Fazer isto já na China, com VPN e dados instáveis, é um suplício.
2. **Limites para o turista.** Há tetos por transação e por período para cartão estrangeiro. Para compras grandes, pode bloquear.
3. **VPN para o resto do mundo.** Google, WhatsApp, Instagram, mapas ocidentais — tudo bloqueado na China sem **VPN**. Instale e teste a VPN **antes de viajar**; comprar VPN dentro da China é difícil.
4. **Leve algum dinheiro físico (yuan) de reserva.** Para emergência, táxi de aeroporto que não aceita QR, ou se a app falhar. Não é o principal, mas é o paraquedas.
5. **eSIM ou cartão local.** Para ter dados e fazer as apps funcionarem. Um eSIM internacional configurado antes ajuda muito.

Sem esta preparação, o turista fica preso num país onde nem o café aceita o cartão de plástico que trouxe.

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### Os erros mais comuns de quem vai à China

1. **Confundir isenção com vale-tudo.** A isenção cobre estadia curta e finalidades específicas, com data de validade. Acima do limite, ou para estudo/trabalho, é visto. Confirme o regime antes de viajar.
2. **Usar trânsito sem visto com ida e volta para o mesmo país.** Têm de ser três países diferentes. Este erro barra logo no check-in.
3. **Não confirmar se o aeroporto está habilitado** (ou se o trânsito foi suspenso) na data exata. As suspensões pontuais acontecem.
4. **Misturar continental e Hong Kong/Macau sem o enquadramento adequado.** Cruzar para a RAE encerra a janela continental. Planeie a ordem dos troços.
5. **Não configurar Alipay/WeChat e VPN antes de embarcar.** Transforma-se num pesadelo dentro da China.
6. **Ignorar o registo de chegada em 24h** quando não está em hotel. Dá multa.
7. **Passaporte com menos de 6 meses de validade ou sem páginas em branco.** O CVASC recusa na hora — e na fronteira complica mesmo na isenção.
8. **Comprar bilhete antes da aprovação do visto** (quando precisa de visto). Faça reserva cancelável. Se o visto não sair a tempo, perde o bilhete comprado.

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### Calendário realista: quanto tempo do início ao fim

Para **isenção de visto** (estadia curta dentro do limite): não há processo prévio. A "preparação" resume-se a confirmar, na semana da viagem, que o programa continua em vigor para Portugal e qual o limite de dias, e a ter o passaporte com 6 meses de validade. Compra o bilhete e viaja.

Para **visto L de turismo**, planeando hoje:

- **Semana 0**: reúne documentos, faz reserva cancelável de voo e hotel, monta itinerário, marca no CVASC.
- **Semana 1 a 3**: entrega no CVASC (depende da fila de marcação, maior em época alta).
- **+4 dias úteis** (regular): processamento.
- **+ levantamento**: passaporte com visto na mão.

Total realista: **3 a 6 semanas** do zero ao visto na mão, mais folgado em época alta. Quem precisa de express encurta, pagando mais.

Para **trânsito sem visto**, não há processo prévio — só precisa do roteiro com terceiro país e do bilhete de saída. Mas a "preparação" é confirmar a elegibilidade do aeroporto na semana e ter o roteiro impresso para mostrar no balcão.

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### Apêndice prático: links e contactos úteis

- **Embaixada da República Popular da China em Portugal (Lisboa)**: secção consular em Lisboa — informações oficiais de visto, isenção e jurisdição.
- **Centro de Pedido de Visto para a China (CVASC) em Lisboa**: marcação e tabela de taxas atualizada no site oficial do centro de visto chinês.
- **Isenção de visto para Portugal**: confirme limite de dias, finalidades cobertas e validade do programa na fonte oficial chinesa antes de cada viagem.
- **Política de trânsito sem visto**: confirme a cidade, a janela (144h/240h) e o estado de suspensão na fonte oficial chinesa antes de cada viagem.
- **Imigração de Hong Kong** e **Imigração de Macau**: as regras de entrada das RAE são separadas — consulte os sites de imigração de cada região.

Nunca dependa de um post de rede social para decidir documentação de viagem para a China. A política mudou depressa demais nos últimos dois anos — abriu a isenção, mas pode voltar a mexer. Confirme a fonte oficial do consulado chinês na semana em que compra o bilhete. Se a viagem for cara ou inadiável e a estadia não couber na isenção, a folga de tirar o visto L compensa a poupança de horas do trânsito sem visto.
