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Tapas honestas em Malasaña — 9 bares onde madrilenhos vão de verdade

Esquece Gran Vía e a Plaza Mayor. Vermut em barril, azulejo descascando e tapa de €2,50 ainda existem — mas você precisa subir três quadras.

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Curadoria VoysparkporCuradoria Voyspark 19 de maio de 2026 7 min Atualizado em 03 de junho de 2026

Esquece Gran Vía. As melhores tapas de Madrid estão em Malasaña, La Latina e Lavapiés — bares de azulejo, vermut em barril, tapa de €2,50, ninguém falando inglês.

7 min de leitura

A primeira vez que pedi tapas em Madrid foi num bar da Gran Vía em 2017. Paguei €38 por três pratinhos de croquete murcho, uma cerveja choca e um garçom mal-encarado que falava inglês forçado. Saí com fome, com raiva, e com a certeza de que Madrid era cara e mentirosa. Estava errado nas duas coisas.

Voltei em 2019 com um amigo madrilenho. Ele me levou pra Malasaña num domingo às 13h, pediu três vermutes em barril a €2,80 cada, uma tabla de embutidos a €9 e duas tapas de tortilla a €2,50. Pagamos €22 no total. Sentei na calçada num banquinho de madeira escorada num azulejo de 1924. Entendi tudo de uma vez.

Tapa em Madrid não é o que o brasileiro pensa. Não é entradinha de restaurante chique. Não é "petisco". É a unidade básica do jantar madrilenho desde os anos 1860, quando rei Alfonso XII teria pedido pra cobrirem (tapar) o copo de vinho com uma fatia de presunto pra não cair mosquito. Lenda ou não, virou cultura. Você entra num bar, pede uma bebida, recebe a tapa grátis (em Granada e León ainda funciona assim — em Madri você paga, mas paga pouco).

Este guia é dos 9 bares que sobreviveram à gentrificação, à pandemia e ao Instagram. Estão todos em Malasaña, La Latina ou Lavapiés. Nenhum tem menu em inglês. Vários não aceitam cartão. Em todos você come bem, paga pouco, e sai com a sensação de ter encontrado a cidade.


O mapa mental: três bairros, três temperamentos

TL;DRMadrid tem mais de 10.000 bares. Cidade de bairros, não de centro. Pra tapa de verdade, você foca em três zonas, todas a 15 minutos a pé uma da outra. Malasaña fica ao norte da Gran Vía. Foi o bairro da Movida nos anos 80 — punk espanhol, Almodóvar, Alaska.

Madrid tem mais de 10.000 bares. Cidade de bairros, não de centro. Pra tapa de verdade, você foca em três zonas, todas a 15 minutos a pé uma da outra.

Malasaña fica ao norte da Gran Vía. Foi o bairro da Movida nos anos 80 — punk espanhol, Almodóvar, Alaska. Hoje é misto: lojas de design independente, barbearia de hipster, e bares que resistem desde os anos 30 com o mesmo balcão de mármore. Vibe noturna forte. Tapa moderna convivendo com tradicional.

La Latina fica ao sul da Plaza Mayor, descendo a Cava Baja. É o bairro do tapeo dominical — você entra num bar, come uma tapa, sai, anda 40 metros, entra no próximo. Em 4 horas você passa em 6 bares. Domingo de manhã é sagrado. Multidão na calçada com vermut na mão.

Lavapiés é o mais multiétnico de Madri. Bar de tapa clássico ao lado de restaurante senegalês, ao lado de bar de vinho natural. Mais barato que os outros dois, menos polido, mais real. Vai lá à noite.

Linha 1 de metro (azul claro) conecta os três: Tribunal pra Malasaña, Tirso de Molina ou La Latina pra La Latina, Lavapiés pra Lavapiés. €1,50 a passagem.


Os 9 bares — por bairro

TL;DR#### Malasaña 1. Casa Camacho (Calle de San Andrés, 4) Aberto em 1928. Bar de azulejo verde-escuro, balcão de zinco, sem mesa. Pede o yayo — vermut com ginebra e gasosa, €3,50. Inventaram ali. Tapa de boquerones em vinagre, €3.

Malasaña

1. Casa Camacho (Calle de San Andrés, 4) Aberto em 1928. Bar de azulejo verde-escuro, balcão de zinco, sem mesa. Pede o yayo — vermut com ginebra e gasosa, €3,50. Inventaram ali. Tapa de boquerones em vinagre, €3. Os velhos vão lá às 11h da manhã. Você vai à noite e encontra os mesmos velhos.

2. Bodega de la Ardosa (Calle de Colón, 13) 1892. Cabe 18 pessoas no balcão, mais 6 lá no fundo num porão minúsculo onde tem que abaixar a cabeça. Tortilla de patata é a mais famosa de Madri — €3,80 a fatia, vendem 200 por dia. Vermut em barril, €2,80. Salmorejo cordobês, €4,50. Cartão a partir de €15.

3. Pez Tortilla (Calle del Pez, 36) Mais recente (2014), mas já clássico. 12 versões de tortilla rotativas no balcão. A de chorizo cremoso (€3,50) e a de queijo brie com cebola caramelizada (€4) são as que viciam. Cerveja artesanal espanhola, 6 torneiras. Cheio sempre. Vai antes das 20h30 ou depois das 23h.

La Latina

4. Casa Lucas (Calle Cava Baja, 30) Vinho. Aqui você vai pelo vinho. 50 referências por taça, todas espanholas, €3-€7. Tapa: huevos rotos con jamón (€8 — divide entre dois) e bocadito de morcilla con manzana (€3,50). Balcão estreito, dez bancos, parede de cortiça com bilhetes de clientes desde 2003.

5. Taberna Almendro 13 (Calle Almendro, 13) Especialidade da casa: rosca — pão redondo recheado com presunto, queijo manchego ou lombo, €4,50. Vermut próprio, fabricado por eles em barril de carvalho, €3. Mesa de madeira escura, ambiente andaluz. Vai num sábado à tarde.

6. Casa Lucio (Calle Cava Baja, 35) Aqui é a exceção do guia. Não é barato (uma refeição sai €40 por pessoa), e é famoso — Penélope Cruz, Hemingway, reis. Mas os huevos estrellados (€18 pra dividir entre três) são o prato mais imitado de Madri e o original ainda vence todos. Reserva com 2 dias.

Lavapiés

7. Bar Melo's (Calle del Ave María, 44) Zapatilla — sanduíche aberto de pão com lacón e queijo derretido, do tamanho de uma sandália, €6,50. Divide entre dois. Croquetas de bacalao, €1,80 cada. Caña a €1,50. Aberto desde 1985, fecha em agosto inteiro, paga só em dinheiro. Esquece a decoração: você não vem pelo design.

8. Taberna Antonio Sánchez (Calle Mesón de Paredes, 13) Bar mais antigo de Madri ainda em funcionamento — 1787. Sério. Touros embalsamados na parede, balcão de madeira talhada à mão, vinho da casa em jarra de barro. Rabo de toro estofado, €14. Callos a la madrileña, €11. Vai num dia frio de inverno e entende por que essa cidade aguenta.

9. La Venencia (Calle Echegaray, 7) Tecnicamente em Huertas, mas vale o desvio. Só serve jerez (sherry andaluz). 5 tipos: fino, manzanilla, amontillado, oloroso, palo cortado, €2,50-€4 a taça. Proibido tirar foto (cartaz na parede desde a Guerra Civil — bar era ponto republicano, escondia atividade). Tapa simples: azeitona, atum em conserva, mojama. Você não vai jantar ali. Vai entender a Espanha em 40 minutos.


Regras de sobrevivência

TL;DRHorário importa. Madrilenho almoça às 14h e janta às 22h. Bar que tem fila às 19h é bar de turista. Bar de verdade tá vazio às 19h e cheio às 21h45. Não peça "tapas" no plural genérico. Olhe o que tem no balcão, aponte, pede pelo nome.

Horário importa. Madrilenho almoça às 14h e janta às 22h. Bar que tem fila às 19h é bar de turista. Bar de verdade tá vazio às 19h e cheio às 21h45.

Não peça "tapas" no plural genérico. Olhe o que tem no balcão, aponte, pede pelo nome. "Esto, por favor, una tapa". Garçom respeita.

Vermut só ao meio-dia. Entre 12h e 14h. Pedir vermut às 22h é coisa de estrangeiro. À noite: vinho, cerveza, ou cubata (gin com tônica forte).

Caña ≠ cerveja grande. Caña é cerveja pequena, 200ml, €1,50-€2,50. Doble é o copo grande. Tercio é a long neck. Pede caña sempre — é o ritmo madrilenho. Você bebe 4 cañas em 3 bares em 2 horas.

Pagar. Em bar tradicional você fala "la cuenta, por favor" só no final, depois de comer e beber tudo. Garçom anota a giz na barra do balcão ou guarda na cabeça. Sem comanda escrita. Não tente "fechar conta" tapa por tapa.

Gorjeta: 5-10% se você gostou. Não é obrigatório. Garçom espanhol não vive de gorjeta como nos EUA.

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Custo real: um dia honesto de tapas

TL;DRDomingo de tapeo em La Latina, duas pessoas: Total: €63 pra dois. €31,50 por pessoa. Você comeu em 5 bares, andou 4 km, viu Madri inteira, e gastou menos do que um almoço pra um na Gran Vía.

Domingo de tapeo em La Latina, duas pessoas:

  • 12h30 — Casa Lucas: 2 vermutes + huevos rotos pra dividir = €14
  • 13h45 — Taberna Almendro 13: 2 rosca + 1 vermute = €11
  • 15h — Casa Camacho (caminhando até Malasaña): 2 yayos + tortilla = €11
  • 17h — pausa, café num banco da Plaza del Dos de Mayo = €3
  • 20h — Bodega de la Ardosa: 2 cañas + salmorejo + boquerones = €13
  • 22h — La Venencia: 2 finos + azeitona + mojama = €11

Total: €63 pra dois. €31,50 por pessoa. Você comeu em 5 bares, andou 4 km, viu Madri inteira, e gastou menos do que um almoço pra um na Gran Vía.


O que evitar

TL;DR- Qualquer bar com cardápio em 4 idiomas na vitrine - Qualquer "Sangria & Paella" piscando neon - Plaza Mayor inteira (preço dobrado, qualidade dividida) - Restaurante que oferece "tapas tasting menu" por €45 por pessoa - Bar que aceita só reserva online com depósito

  • Qualquer bar com cardápio em 4 idiomas na vitrine
  • Qualquer "Sangria & Paella" piscando neon
  • Plaza Mayor inteira (preço dobrado, qualidade dividida)
  • Restaurante que oferece "tapas tasting menu" por €45 por pessoa
  • Bar que aceita só reserva online com depósito

Quando ir

TL;DROutubro a maio é a melhor temporada. Tempo bom, madrilenhos na cidade, bares cheios da galera certa. Junho a agosto, metade da cidade vai pra praia, vários bares fecham (Casa Camacho, Melo's, Antonio Sánchez fecham em agosto inteiro), e calor de 38°C complica o vermut.

Outubro a maio é a melhor temporada. Tempo bom, madrilenhos na cidade, bares cheios da galera certa. Junho a agosto, metade da cidade vai pra praia, vários bares fecham (Casa Camacho, Melo's, Antonio Sánchez fecham em agosto inteiro), e calor de 38°C complica o vermut. Setembro volta tudo.

Domingo é o dia do tapeo em La Latina — vai com tempo, fica das 13h às 18h. Quinta e sexta à noite em Malasaña é onde a cidade se move. Lavapiés funciona qualquer dia.


Madri não é Barcelona, não é Lisboa, não é Paris. É uma cidade que recompensa quem desce três quadras da rota óbvia. Os 9 bares deste guia existem há entre 11 e 239 anos. Vão continuar existindo. Vão te receber em espanhol, te servir bem, te cobrar pouco. Você só precisa subir até Malasaña.

TAGS

madri, tapas, malasana, foodie, la-latina, lavapies, vermut, espanha

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Key points

Tapa em Madrid não é entrada; é a unidade básica de jantar. Pede três, divide, bebe vermut.

Malasaña, La Latina e Lavapiés concentram os bares onde madrilenho ainda almoça.

Vermut de balcão entre 12h e 14h é ritual sagrado de domingo — chegou às 13h30 já não tem mesa.

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