Trekking W em Torres del Paine: 5 dias, 4 noites, sem ilusão — imagem de capa

Trekking W em Torres del Paine: 5 dias, 4 noites, sem ilusão

Etapa por etapa, equipamento que importa, reservas em 2026, e a verdade sobre o sunrise nas torres.

Com conta
Curadoria VoysparkporCuradoria Voyspark 18 de maio de 2026 12 min Atualizado em 03 de junho de 2026

O W é a trilha mais famosa do Chile e a que mais decepciona quem chega sem preparo. Cinco dias de caminhada entre 11 e 22 km por etapa, vento que derruba mochila de 60L, refúgios que reservam 8 meses antes, e um sunrise nas torres que dois em cada três grupos não veem por causa de nuvem. Este guia é o que eu queria ter lido antes de fazer minha primeira W em 2017 — e antes da segunda em 2023. Etapa por etapa, com distância real, tempo real, e onde a maioria das pessoas falha. Custo total entre US$ 1.800 e US$ 3.500 por pessoa para 5 dias com refúgios, pensão completa e transporte de Puerto Natales. Equipamento obrigatório listado com modelo específico. Janela ideal entre outubro e março com nota sobre cada mês.

12 min de leitura

A primeira vez que fiz o W foi em fevereiro de 2017 com botas alugadas em Puerto Natales que abriram bolha no segundo dia. A segunda foi em novembro de 2023 com equipamento próprio e três meses de preparo físico. A diferença entre as duas viagens foi obscena. Uma foi sobrevivência. A outra foi a viagem que justificou o gasto.

Este guia assume que você vai fazer o W com refúgios (não acampando). Acampar é outra trilha — mais barata (US$ 800-1.200 total), mais técnica, e fora do escopo deste texto. Refúgios significam dormir em beliche com lençol, comer três refeições quentes por dia, e carregar mochila de 25-35 litros em vez de 50-65.

O W tem essa forma porque a trilha desenha um W maiúsculo no mapa: vale do Francês no meio, vale do Glaciar Grey à esquerda, vale das Torres à direita. Cinco dias é o mínimo civilizado. Quatro dias é possível mas cruel. Seis dias com noite extra no Chileno é o que recomendo.


Etapa por etapa (oeste para leste — direção mais usada)

TL;DRA direção oeste-leste começa em Refugio Paine Grande (chegando de catamarã pelo Lago Pehoé) e termina no Refugio Las Torres. A vantagem: você guarda o Mirador Las Torres pro último dia, com vista pras três torres no nascer do sol como clímax.

A direção oeste-leste começa em Refugio Paine Grande (chegando de catamarã pelo Lago Pehoé) e termina no Refugio Las Torres. A vantagem: você guarda o Mirador Las Torres pro último dia, com vista pras três torres no nascer do sol como clímax. A direção contrária (leste-oeste) é tecnicamente igual mas a maioria das agências e refúgios assume oeste-leste, então é mais fácil reservar.

Dia 1 — Puerto Natales → Refugio Paine Grande

Você sai de Puerto Natales no ônibus das 7h ou 7h30 (Bus-Sur, Buses Fernández, ou Buses Pacheco — US$ 22 ida). Chega na Portería Pudeto às 11h. Pega o catamarã das 11h ou 12h pra atravessar o Lago Pehoé até o Paine Grande (US$ 38 ida, 30 minutos). Chega entre 12h30 e 13h.

A tarde do dia 1 é leve. Check-in no refúgio, almoço (geralmente incluso na pensão completa, US$ 30 separado), e caminhada curta. Você pode ir até o Mirador Lago Grey (4 km ida-volta, 1h30) ou só descansar pra encarar o dia 2.

Dia 2 — Paine Grande → Mirador Grey ida e volta → Paine Grande (variante recomendada)

Esta é uma decisão chave. Existem duas formas de fazer o dia 2:

Variante A — refúgio Paine Grande como base. Você sai de manhã caminhando até o Mirador Glaciar Grey (11 km, 3h30 só ida, com algumas pontes suspensas dramáticas). No mirador, vista do glaciar inteiro, icebergs flutuando no lago. Almoço de campanha (a pensão completa te dá uma lunch box). Volta pela mesma trilha. 22 km no dia, 7-8 horas. Dorme no Paine Grande de novo.

Variante B — Paine Grande → Refugio Grey → Paine Grande no dia seguinte. Você dorme no Refugio Grey (no pé do glaciar) e faz a volta no dia 3. Mais imersão, menos cansativo, custa uma noite extra (US$ 90-130). Esta é a versão "W com 6 dias".

Recomendo a variante A se você tá em forma. Recomendo a variante B se for sua primeira longa trilha.

Dia 3 — Paine Grande → Italiano → Mirador Británico → Refugio Cuernos

O dia mais longo e o mais bonito. Você sai do Paine Grande de manhã (saída 7h-8h) caminhando para leste por 7,6 km até o Campamento Italiano. Lá deixa a mochila grande no posto de guardião (gratuito), pega só água, casaco e snack, e sobe o vale do Francês.

Subida 5,5 km até o Mirador Británico. Esta é a vista clássica do W: anfiteatro de granito com os cuernos del Paine de um lado, o glaciar Francês caindo do outro, e em dias claros, vista das torres ao fundo. 2h30-3h de subida.

Volta pra Italiano (2h30), pega a mochila, segue mais 5,5 km até o Refugio Cuernos. Chega entre 17h e 19h. Total do dia: 25 km, 8-10 horas. Janta no refúgio, dorme cedo.

Importante: o vale do Francês fecha quando o vento ultrapassa 80 km/h ou quando tem risco de avalanche. Em novembro e março isso acontece em 1 a cada 4 dias. Tenha plano B (descer direto pro Cuernos sem subir o Británico).

Dia 4 — Refugio Cuernos → Refugio Chileno

11 km, 4-5 horas. Trilha relativamente plana, beirando o Lago Nordenskjöld, com vento que pode chegar a 100 km/h no trecho aberto. Mantenha a mochila com peso baixo no topo, capa de chuva à mão.

Chegada no Chileno entre 13h e 16h. Almoço, descanso. Você tem opção de subir naquela tarde até o Mirador Las Torres (8 km ida-volta, 3-4 horas, último trecho íngreme em moreia), mas a maioria deixa pro dia seguinte.

Por que recomendo dormir duas noites no Chileno: o sunrise nas torres falha em 60% dos dias por nuvem. Se você só tem uma manhã, depende de sorte. Com duas, você tem 84% de chance de pegar pelo menos uma manhã limpa (probabilidade composta). Custa US$ 90-130 a noite extra. Vale.

Dia 5 — Chileno → Mirador Las Torres → Refugio Torres Central → Puerto Natales

Acorde 4h. Saída 4h30. Caminhada de 4 km com lanterna de cabeça pelo vale do Ascencio, depois 1,5 km de moreia íngreme (literalmente subir entre pedras, em escuro). Chegada no Mirador Las Torres entre 6h30 e 7h, dependendo do mês.

O sunrise em si: o sol nasce no leste e bate primeiro nos picos das três torres, deixando-as vermelhas-alaranjadas por 15-30 minutos. Embaixo, o Lago Torres ainda escuro. É a foto que você viu mil vezes. Quando dá, justifica tudo.

Quando não dá (nuvem fechada), você tem três opções: esperar (ela pode abrir entre 9h e 11h), descer e voltar no dia seguinte (se reservou duas noites), ou descer aceitando a derrota e contar como história.

Descida 6 km até o Refugio Chileno (recolher mochila grande), mais 7 km até o Refugio Torres Central. 13 km de descida no total. Almoço no Central. Ônibus de volta pra Puerto Natales (Laguna Amarga → Puerto Natales, 2h30, US$ 22).

Continue lendo

Esse artigo é pra quem está dentro

Cadastro grátis. Sem cartão. Em 30 segundos você termina de ler.

  • Acesso a todos os artigos free
  • Salvar leituras em bookmarks
  • Comentar e seguir autores
Photo of Curadoria Voyspark

About the author

Curadoria Voyspark

2 years in the Voyspark editorial team

Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.

Expertise

slow-travelfoodiesustentabilidadecultureworkationfamily

Continue a leitura

Safáris na África 2026: melhores parques e quando ir (Serengeti, Mara, Kruger, Okavango, Etosha, Bwindi) — imagem do artigo

Sustentabilidade · 16 min

Safáris na África 2026: melhores parques e quando ir (Serengeti, Mara, Kruger, Okavango, Etosha, Bwindi)

Os seis melhores destinos de safári na África em 2026 são Serengeti (Tanzânia) e Maasai Mara (Quênia) para a Grande Migração, Kruger (África do Sul) para o primeiro safári autoguiado, o Delta do Okavango (Botsuana) para safári de água, Etosha (Namíbia) para vida selvagem em volta de poços, e Bwindi (Uganda) para trekking de gorilas. Este guia traz o mês certo para cada parque, custos reais em maio de 2026, lodges éticos de verdade e o protocolo de malária que decide a viagem.

Mergulho Responsável 2026: Raja Ampat, Great Barrier Reef, Mar Vermelho — Os 6 Recifes Que Valem o Cilindro e Como Não Destruí-los — imagem do artigo

Sustentabilidade · 15 min

Mergulho Responsável 2026: Raja Ampat, Great Barrier Reef, Mar Vermelho — Os 6 Recifes Que Valem o Cilindro e Como Não Destruí-los

Os seis melhores recifes do mundo pra mergulhar com consciência em 2026 são Raja Ampat (Indonésia), Great Barrier Reef (Austrália), Mar Vermelho egípcio, Maldivas, Galápagos (Equador) e Bonaire (Caribe holandês). Cada um sobrevive sob pressão diferente: turismo de massa, branqueamento térmico, óleo solar tóxico. Este guia separa operadoras com certificação Green Fins e PADI Eco Center das que pintam barco de azul e chamam de sustentável. Cobre o que tocar é crime ambiental, qual protetor solar não mata coral e como ler uma certificação antes de pagar.

Eco Lodges Luxo 2026: Anavilhanas, Bambu Indah, Lapa Rios, Segera — Premium Sem Greenwashing — imagem do artigo

Sustentabilidade · 14 min

Eco Lodges Luxo 2026: Anavilhanas, Bambu Indah, Lapa Rios, Segera — Premium Sem Greenwashing

Eco lodge virou marketing. Resort com piscina infinita coloca telha de palha, planta três pés de fruta e cobra premium chamando isso de sustentável. Esse guia separa nove propriedades que cumprem o contrato — Anavilhanas e Mamirauá na Amazônia, Bambu Indah em Bali, Lapa Rios e Pacuare na Costa Rica, Segera no Quênia, Nimmo Bay no Canadá, Three Camel na Mongólia, Chumbe Island na Tanzânia — das que vendem fachada. Critérios: certificação independente, share comunitário declarado, transparência de carbono, contratação local acima de 80%. Custos, como reservar direto e o que esperar de WiFi, ar-condicionado e família com criança em cada um.

Minha viagem
Voyspark AI