77% da Gen Z bebe menos do que a geração anterior na mesma idade. O dado é da Gallup e veio acompanhado por um movimento silencioso na hotelaria: programas NA sérios em Auberge, Six Senses, Rosewood, 1 Hotels, Aman. Mais bares zero-proof em Tokyo, Lisboa, Nova York e Londres. Pacotes especializados de sober travel. Este é o mapa prático de como viajar sem álcool em 2026 sem perder nem comida nem cidade nem mesa.
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Vou começar pelo número que mudou a hotelaria sem barulho.
77%. Esse é o percentual de Gen Z que, segundo a Gallup, bebe menos do que a geração anterior bebia na mesma idade. Não é abstinência. É calibragem. A mesma pesquisa mostra que 49% dos viajantes entre 18 e 34 anos já procuraram, no último ano, destinos ou hotéis com opções de bebida sem álcool estruturadas. Não escondidas atrás do balcão. Estruturadas. Com menu, com história, com técnica.
Isso explica por que, em 2026, você consegue chegar num resort Auberge no Vale do Napa, pedir um menu de degustação de zero-proof pairings, e ter o sommelier explicar a fermentação de um shrub de cidra como se fosse Borgonha. Cinco anos atrás isso era piada. Hoje é linha de receita.
Este artigo é um mapa prático para quem quer viajar sem álcool e sem virar a pessoa esquisita da mesa. Não vou moralizar. Você bebe ou não bebe pela razão que for, e a razão é sempre sua. O que importa é que o mundo da viagem, finalmente, parou de tratar isso como problema.
Por que tanta gente está viajando sem beber em 2026
TL;DRNão é uma onda. São cinco ondas se sobrepondo ao mesmo tempo. A primeira é a Gen Z, que cresceu vendo ressaca como inefficiency e álcool como produto industrial. Dado bruto: 28% dos americanos entre 18-29 anos se declaram "sober curious" (Gallup, 2025).
Não é uma onda. São cinco ondas se sobrepondo ao mesmo tempo.
A primeira é a Gen Z, que cresceu vendo ressaca como inefficiency e álcool como produto industrial. Dado bruto: 28% dos americanos entre 18-29 anos se declaram "sober curious" (Gallup, 2025). Em 2018, esse número era 12%.
A segunda é a indústria de longevidade. A partir do momento em que Andrew Huberman, Peter Attia e Bryan Johnson começaram a tratar álcool como neurotoxina mensurável (e não como ritual social), milhões de homens entre 35 e 55 anos — exatamente o público que sustenta hotelaria de luxo — começaram a recalibrar.
A terceira é a recovery community. Pessoas que pararam de beber e querem viajar sem o gatilho de open bar, brindes obrigatórios e jantares regados.
A quarta é religião — viajantes muçulmanos, mórmons e adventistas sempre existiram, mas o mercado nunca os atendeu direito. Agora atende.
A quinta é a mais óbvia e a mais ignorada: gestantes, pais com filhos, atletas em treino, pessoas em tratamento médico, pessoas tomando antidepressivos. É o maior público de todos. Sempre foi.
O resultado é que a hotelaria parou de tratar o NA como item de menu kids e começou a tratar como categoria adulta.
Os cinco grupos hoteleiros que entenderam primeiro
TL;DRVou listar por ordem de profundidade do programa, não por nome. Six Senses — zero-proof como padrão A Six Senses tem o programa mais antigo e mais consolidado. Toda propriedade do grupo (Bhutan, Douro, Ibiza, Maldives, Vietnam, Bali, Portugal) tem menu zero-proof completo lado a lado com a carta de drinks.
Vou listar por ordem de profundidade do programa, não por nome.
Six Senses — zero-proof como padrão
A Six Senses tem o programa mais antigo e mais consolidado. Toda propriedade do grupo (Bhutan, Douro, Ibiza, Maldives, Vietnam, Bali, Portugal) tem menu zero-proof completo lado a lado com a carta de drinks. Não é seção menor. É menu paralelo. Em Six Senses Douro Valley, o sommelier faz pairing NA com pratos de degustação usando kombuchas artesanais, verjus, shrubs de fruta da estação e infusões de chá fermentado. A filosofia da casa é wellness, então isso vem natural. Diária a partir de €600.
Auberge Resorts — Mindful Indulgence
A Auberge (Solage, Calistoga Ranch, Hacienda AltaGracia, Etéreo) lançou em 2024 o programa "Mindful Indulgence". O ponto central: zero-proof pairings em jantares de degustação, mocktails autorais com produto local fermentado, e um treinamento obrigatório para todos os bartenders do grupo em técnicas NA. Solage e Etéreo (Quintana Roo) são os mais consolidados. Diárias a partir de US$ 750.
Rosewood — sleep + wellness
A Rosewood não chama o programa de sober. Chama de Asaya, que é a marca wellness do grupo. Mas o efeito é o mesmo: jantares com pairing NA, ausência total de pressão social para beber, e em alguns hotéis (Rosewood São Paulo, Rosewood Hong Kong, Castiglion del Bosco) menus de degustação que omitem totalmente álcool no caminho wellness. Diária a partir de R$ 4.500 em São Paulo.
1 Hotels — mocktail-first
A 1 Hotels (Brooklyn Bridge, West Hollywood, South Beach, Toronto, Hanalei Bay) inverteu a lógica do menu. A primeira página da carta de bebidas é sempre mocktail. Álcool vem depois. Pequeno gesto, grande impacto. Diária a partir de US$ 500.
Aman — omakase NA em Japão
A Aman fez algo que ninguém esperava: nas propriedades do Japão (Aman Tokyo, Amanemu, Aman Kyoto), o omakase tem opção completa sem sake, sem cerveja, sem nada — substituído por chás raros, dashis frios servidos como cocktail, e infusões de yuzu. O preço não muda. Isso é importante. Diária a partir de US$ 2.000.

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Curadoria Voyspark
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Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.
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