Oaxaca é a única cidade do México onde o povo indígena nunca foi totalmente espanholizado. Zapotecas e mixtecas vivem aqui há 3 mil anos — bem antes dos astecas existirem, muito antes de Cortés desembarcar. Ouve-se zapoteco nas ruas de mercado de Tlacolula ao sábado de manhã. Vê-se mulheres mixtecas a vender chapulines (gafanhotos torrados com sal e limão) no Mercado Benito Juárez. Come-se tlayuda — a "pizza" oaxaquenha de 40 cm — em tasca de bairro por menos do que custa um café em Manhattan.
O Centro Histórico foi declarado Património UNESCO em 1987, juntamente com a zona arqueológica de Monte Albán — antiga capital zapoteca no alto de uma montanha aplanada à mão há 2.500 anos, com pirâmides, palácios e observatório astronómico ainda de pé. Estão a 30 minutos de carro. Hierve el Agua, formação rochosa que parece uma cascata petrificada, fica a 2 horas. Teotitlán del Valle, onde famílias zapotecas tecem tapetes de lã com tintura natural de cochonilha há gerações, fica a 45 minutos.
A comida é a razão número um para vir. Oaxaca é considerada a capital culinária do México por consenso — chefs do mundo todo (Enrique Olvera, Alice Waters, Anthony Bourdain) vieram aqui aprender. Os sete moles oaxaquenhos (negro, rojo, amarillo, verde, coloradito, chichilo, manchamantel) são preparações de 20-30 ingredientes que levam dois dias a terminar. O mole negro é o mais lendário: chocolate, três tipos de chile, banana, especiarias queimadas no comal. Adicione tlayudas grelhadas em fogo de lenha, quesillo, tasajo, chapulines, mezcal de copa pequena — e percebe-se por que Oaxaca aparece em todo o ranking sério de "melhor cidade para comer no planeta".
Visite no Día de Muertos (31 de outubro a 2 de novembro) se conseguir — Oaxaca é onde a festa é mais autêntica do país inteiro. Famílias passam noites inteiras em cemitérios velando defuntos com velas, marigolds (cempasúchil), pan de muerto e mezcal. Comparsas mascaradas dançam pelas ruas. O Panteón de Xoxocotlán fica iluminado por milhares de velas a noite toda. Não é Halloween, não é turismo performático — é ritual ancestral vivo. Reserve hospedagem com 6+ meses de antecedência se for nessas datas: preços triplicam e tudo lota.
Hospede-se no Centro Histórico pra proximidade total dos restaurantes, mercados e Santo Domingo. Jalatlaco se você prefere bairro mais quieto, cafés especiais, vibe artista. Reforma pra orçamento confortável residencial. Use as próprias pernas — Oaxaca é absurdamente caminhável, ruas em grade ortogonal espanhola, distâncias de 10-15 min entre os principais pontos. Mezcal é ritual social — aceite a copa pequena oferecida, beba devagar, conheça os destilados pequenos das comunidades zapotecas do Vale Central. Esta é uma cidade que recompensa lentidão: 4-5 dias é o mínimo pra começar a entender o que está acontecendo.
Curadoria Voyspark · atualizada mensalmente pela nossa editora residente em Oaxaca.