Banguecoque para lá do mall: Thonglor, Ari, e o que comer entre os dois — imagem de capa
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Banguecoque para lá do mall: Thonglor, Ari, e o que comer entre os dois

A Banguecoque que sobreviveu ao IconSiam — bairros onde os tailandeses ainda comem como antes da pandemia mudar tudo.

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Curadoria VoysparkporCuradoria Voyspark 17 de maio de 2026 9 min Atualizado em 03 de junho de 2026

Banguecoque virou cidade-centro comercial. IconSiam, EmQuartier, EmSphere — torres de luxo que importaram o conceito de "mall com restaurante" de Singapura. Mas se andar 15 minutos em qualquer direção desses centros, ainda encontra a Banguecoque que importa: bancas de papaya salad com 60 anos, cafés de terceira vaga em casas de madeira, jantares de 8 pratos por 7€. Este é o roteiro para dois bairros.

9 min de leitura

Banguecoque é a cidade mais visitada do mundo. Em 2024, recebeu 32 milhões de turistas. Mais que Paris. Mais que Londres. O problema não é o turismo — é como Banguecoque o absorveu. A solução foi construir torres-mall climatizadas onde o ocidental se sente em casa: IconSiam (vista do rio), EmSphere (vista de prédios), Siam Paragon (vista de outros malls). Lá dentro, branding global. Cá fora, a cidade tailandesa segue.

Este guia leva-o lá fora.


Thonglor — o bairro que custou 45 milhões de euros em comida nova

Thonglor é a Soi 55 da Sukhumvit Road. Soi significa rua lateral; em Banguecoque, Sukhumvit é a avenida principal e cada soi é numerada (Soi 1 a Soi 71). A maioria dos turistas conhece Sukhumvit Soi 11 (bares de hostel) e Soi 4 (Nana, zona de quartos com... bem, sabe). Thonglor é diferente: é onde os tailandeses ricos vivem.

Apanhe BTS Skytrain até Thong Lo Station (linha verde claro, paragem E6). Saia e suba pela Sukhumvit Soi 55. Os primeiros 200 metros são restaurantes japoneses caros — Thonglor tem a maior concentração de izakayas autênticas fora do Japão (a sério, alguns chefs vieram de Tóquio em 2015 e ficaram).

Passados esses 200 metros, começa o real.

Pequeno-almoço: Roast (Sukhumvit Soi 38, perto da Soi 55, mas vale o desvio). Café de terceira vaga, brunch o dia todo, vista da rua. Ovos benedict 7€, café de filtro 3,30€. Casa do chef italiano que importou o conceito de Sydney. Aberto desde as 7h. Vá às 8h para evitar fila.

Quem prefere local: On Lok Yun (próxima estação BTS Asok). Café tailandês à antiga, kaya toast (pão torrado com geleia de coco), ovo cozido à parte. Tradição desde 1965. 1,50€ o conjunto completo.


Almoço: Saneh Jaan (Sukhumvit Soi 36, descendo pela Soi 55). Cozinha tailandesa "régia" — pratos que eram servidos à família real até aos anos 30. Boutique, mas comida séria. Sapatos à porta. Sentar no chão.

Peça gaeng som (sopa azeda de tamarindo com peixe), tom yum kung (a versão original, não a doce de turismo), e moo manao (porco fatiado com molho de limão tailandês e alho cru). 16€ por pessoa.

Não confunda Saneh Jaan com Saneh Sak (do mesmo grupo, mas mais informal).

Quem prefere street food: Polo Fried Chicken (Soi Polo, off Sukhumvit Soi 24, 10 min de táxi de Thonglor). Frango frito tailandês — nem Kentucky, nem coreano. É frango marinado em alho 24h, frito em óleo de palma com folhas de manjericão tailandês. Pele estaladiça e interior absurdamente suculento. 4,50€ a dose. Casa de 1973.


Tarde: explorar Sukhumvit 49

A Soi 49 é uma das ruelas verdes de Thonglor. Casas dos anos 60 sobreviveram à construção dos malls. Caminhe pela 49/3 (a numeração funciona assim: Soi 55 tem Soi 55/1, 55/2... — ruelas internas).

Para café: Café Tartine (Soi Thong Lo 49) — francês residente, pastelaria com baguete autêntica, croissants caramelizados, café expresso. 4€ expresso + croissant. Das 13h às 18h.

Para compras: Open House Central Embassy (estação BTS Phloen Chit, 5 min). Livraria enorme + cafés + galerias. Entrada gratuita. Passa lá 2 horas a folhear livros sobre arquitetura tailandesa.


Jantar: Sühring (Soi 36 Sukhumvit Soi 49) ou Le Du (próximo)

Sühring é uma estrela Michelin (2023). Comida alemã contemporânea — os irmãos gémeos Mathias e Thomas Sühring trabalharam em Mesa de Madrid antes de Banguecoque. Menu de degustação 220€ sem vinhos. Reserva com 3 semanas. Vale a vida.

Le Du também tem estrela Michelin (2024, segundo ano consecutivo). Cozinha tailandesa fina pelo chef Ton (formado no Eleven Madison Park em NI). Menu de degustação 180€. Reserva com 4 semanas.

Quem prefere casual: Saneh Jaan ao jantar (mesma casa do almoço). Menu noturno mais elaborado. 27€ por pessoa com vinho.


Ari — a Banguecoque que ninguém recomenda (e porque isso é bom)

Apanhe BTS direção norte (linha verde claro, descendo até Ari Station). 6 paragens para lá de Thonglor. 25 minutos.

Ari é um bairro residencial de classe média alta, predominantemente tailandês. Nenhuma rota turística. Restaurantes locais só com ementa em tailandês. Cafés frequentados por bloggers e jovens profissionais.

Porque ir: ritmo. Banguecoque queima energia mental. Ari permite descanso.

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Café e almoço: Salt + Pepper (Soi Ari 1)

Casa pequena, 12 lugares. Comida tailandesa-fusão. Burrito de pad thai (sim, existe e é genial). Salada vietnamita com camarão. Chef tailandês que estudou em Sydney.

11€ por pessoa. Sem reserva, espere 25 min se chegar às 12h30.


Caminhada: rua principal de Ari + Ari Soi 1, 2, 3

Caminhe sem destino. Os tailandeses em Ari não o olham (diferente de Khao San). Cafés a cada 100 metros. Lojas de plantas (é curioso quanto Banguecoque cultiva plantas dentro de casa).

Paragem obrigatória: Suanpalm Healthy Tea House (Soi Ari 1) — chás de ervas tailandesas que não encontra noutro lado nenhum. 3,30€ a chávena. Fica lá 45 minutos sem dar conta.


Jantar: Praram 6 Suki (Phaya Thai Road, perto de Ari)

Suki é a versão tailandesa do shabu-shabu. Caldo a borbulhar, vegetais frescos, camarão cru, lulinha. Coze à hora. Versão tailandesa tem molho de gengibre fermentado em vez de ponzu.

15€ por pessoa, suki ilimitado + bebidas.

Quem prefere mais formal: Bo.Lan (Soi Sukhumvit 53, 8 min de táxi de Ari). Estrela Michelin. Cozinha tailandesa tradicional revisitada. 70€ por pessoa.


O que NÃO fazer em Banguecoque

  • Não vá ao Chao Phraya River Cruise. 145€ por pessoa, comida medíocre, espetáculo "thai dance" caricato. Faça-o pelo barco público pelo rio (0,10€ a viagem).
  • Não confunda massagem tailandesa com massagem. Massagem tailandesa é alongamento profundo. Se for a primeira vez, conte com 2 dias de dores.
  • Não confie em "tuk tuk barato turístico" que oferece tour por 1€. Leva-o à loja de pedras preciosas (burla clássica).
  • Não vá a Khao San Road à noite. Já não é experiência cultural. É noite de copos turística sem identidade.
  • Não tente jantar em mais que 1 restaurante elevado por noite. 4 horas, no mínimo. Aceite o ritmo.
  • Não apanhe táxi à hora de ponta (17h-19h). Banguecoque para. Use BTS Skytrain ou Grab Bike (moto oficial).

Como se mover

BTS Skytrain: o sistema é incrível. Liga os bairros principais. Bilhete 0,30-0,65€. Mapa simples. Use Rabbit Card para carregar.

MRT Subway: complementa o BTS. Útil para ir a Chinatown, mas evite à hora de ponta.

Grab Bike: moto oficial com motorista oficial. Senta-se atrás, capacete fornecido. 1,50-3,50€ para os bairros vizinhos. Em hora de ponta, poupa 30 minutos por viagem.

Táxi: Banguecoque tem vermelho/amarelo (locais) e azul/branco (turismo). Aceite só os que ligam taxímetro. Recusa? Próximo. Em todo o caso, Grab táxi (app) é mais fiável.

A pé: Banguecoque tem passeios inconsistentes. Alguns excelentes, outros inexistentes. Em Thonglor e Ari, passeios decentes. Em Sukhumvit Road central, mau.


Onde dormir

Para acesso a Thonglor:

  • Mövenpick BDMS Wellness Resort (Sukhumvit Soi 24) — boutique 5 estrelas, 155-220€/noite, spa wellness.
  • The Athenee (Phloen Chit) — luxo clássico, 240-365€/noite.
  • Sukhumvit 11 Hotel — médio porte, 50-75€, perto de Asok BTS.

Para acesso a Ari:

  • Adelphi Suites (Soi Sukhumvit 49) — suítes grandes para família, 70-105€.
  • Ari Hotel Bangkok — boutique pequeno, 44€, walking distance da estação Ari.

Evite: Khao San, Silom centro, Patpong. Mesmo se mais barato, longe das experiências boas.


Apêndice prático

Visto: Portugueses não precisam (30 dias livres).

Voos: LIS → BKK via Doha (Qatar Airways, 16h total mas confortável) ou via Dubai (Emirates). 820-1180€ ida e volta económica.

Quando ir:

  • Novembro a fevereiro: alta temporada (28°C, seco, perfeito) — caro.
  • Março a maio: ridiculamente quente (35-40°C). Não vá.
  • Junho a outubro: estação das chuvas. Pode ser ótimo se gostar de chuva tropical curta (1-2 horas por dia, depois sol).

Língua: Tailandês. Inglês razoável em hotéis, BTS, e Thonglor/Ari (75%). Em Ari, mais 50%. Aprenda 5 palavras: sawadee (olá), khob khun (obrigado), aroi (delicioso), chai (sim), mai (não).

Dinheiro: Baht tailandês. ATM em todo o lado (taxa local 2€ por levantamento internacional). Visa/Mastercard em hotéis e Thonglor. Cash para street food.

Conta para uma semana (casal, evitando malls):

  • Voos: 2.000€
  • Hotel médio porte: 330€
  • Comida: 255€ (incluindo 2 jantares Michelin)
  • Massagem (1×): 22€
  • Transporte interno: 36€
  • Atrações: 15€
  • Compras moderadas: 110€
  • Total: 2.768€

Não esqueça:

  • Chinelo confortável + ténis com bom suporte (caminha mais do que pensa)
  • Camisola leve (BTS é gelado, 18°C)
  • Saco com fecho para o mercado (vendedores dão saco plástico fino)
  • Protetor solar 50+ (sol equatorial)
  • Spray repelente (mosquitos, sobretudo em Ari)

Banguecoque oferece duas cidades: a do IconSiam e a da Thonglor. A primeira está em todo o mundo. A segunda, só lá.

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Key points

Banguecoque mudou drasticamente desde 2019; saiba onde a cidade real ainda mora.

Thonglor (Sukhumvit Soi 55) — bairro yuppie tailandês, comida elevada.

Ari — bairro residencial de classe média alta, ritmo lento.

Frequently asked questions

Banguecoque é uma das cidades grandes mais seguras do mundo para turistas. Carteiristas em mercados turísticos sim, mas violência rara. Mulheres a viajar sozinhas: tranquilo em Thonglor, Ari, Sukhumvit central. Em Patpong/Soi 4 à noite, evite.

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2 years in the Voyspark editorial team

Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.

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