Existem quatro tipos de câmbio a operar no Brasil em maio/26: comercial (PTAX, do Banco Central), turismo (PTAX + spread da casa de câmbio), spot (interbancário, a cotação real do mercado) e paralelo (ilegal, fora da regulamentação). Cada um tem o seu uso, o seu spread, o seu dono. O que aparece no Google é o comercial. O que pagas na viagem é o turismo. O que a Wise consegue é o spot. E o paralelo é a portagem do medo. Este artigo desmonta os quatro com exemplo prático em USD 1.000.
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Pergunta a dez brasileiros qual é a cotação do dólar hoje. Os dez vão olhar para o Google e dizer o mesmo número. Estão todos errados — ou pelo menos incompletos. O número que o Google mostra é o dólar comercial, e quase ninguém compra ou vende dólar a essa cotação. É uma referência de mercado, não um preço de balcão.
Existem, na verdade, quatro cotações do dólar a funcionar no Brasil ao mesmo tempo. Quatro mercados. Quatro spreads. Quatro donos. Saber qual é qual é a diferença entre pagar R$ 5.620 ou R$ 6.100 por uma remessa de USD 1.000.
Este artigo desmonta os quatro câmbios — comercial, turismo, spot e paralelo. Mostra de onde sai cada um, quem usa, quem ganha. E mostra com exemplo numérico, em maio/26, quanto custa o mesmo USD 1.000 em cada mercado.
Câmbio comercial: o número que toda a gente cita e ninguém paga
O câmbio comercial é a cotação de referência calculada pelo Banco Central do Brasil a partir do mercado interbancário. Tem nome técnico: PTAX. É a média ponderada das operações entre bancos ao longo do dia útil, divulgada pelo BC em quatro janelas (PTAX 1, 2, 3 e fecho).
É a cotação que aparece em:
- Contratos de importação e exportação
- Dívida pública indexada ao dólar
- Balanços empresariais
- Manchetes de jornal
- Resultado do Ibovespa no fecho
Em maio/26, com PTAX próxima de R$ 5,62 por USD 1, é esse número que circula na imprensa. Mas o que o brasileiro comum percebe é que, quando vai trocar dinheiro, o número é outro. Maior.
A pessoa singular não compra USD à cotação comercial. Nunca. A cotação comercial é um indicador, não um preço. Existe para o sistema financeiro precificar contratos. Para ti, vale como referência — é o piso teórico do dólar, o número a partir do qual os outros câmbios partem.
Quem usa o comercial: BC, Tesouro Nacional, bancos entre si, importadoras, exportadoras, fundos de investimento. Onde aparece: site do BC, B3, Google, TV.
Câmbio turismo: o retalho do dólar
O câmbio turismo é a cotação que casas de câmbio e bancos oferecem para o retalho — pessoa singular que quer comprar dólar em espécie, carregar cartão pré-pago de turismo, fazer remessa internacional pelos canais tradicionais ou trocar moeda no aeroporto.
A fórmula básica:
Cotação turismo = PTAX comercial × (1 + spread da casa)
O spread varia por canal:
| Canal | Spread típico maio/26 |
|---|---|
| Aeroporto (Guarulhos, Galeão) | 8% a 12% |
| Casa de câmbio de shopping | 5% a 8% |
| Casa de câmbio especializada (Confidence, Travelex) | 3% a 5% |
| Banco tradicional, balcão | 4% a 6% |
| Cartão pré-pago de banco (VTM, Travel Money) | 3% a 5% |
Exemplo prático em maio/26, com PTAX em R$ 5,62:
- Aeroporto: 5,62 × 1,10 = R$ 6,18 por USD 1
- Casa de shopping: 5,62 × 1,06 = R$ 5,96
- Banco: 5,62 × 1,05 = R$ 5,90
- Casa especializada: 5,62 × 1,04 = R$ 5,85
Para USD 1.000, a diferença entre aeroporto e casa especializada é de R$ 330. Pelo mesmo dólar. No mesmo dia. Comprado em pontos diferentes da mesma cidade.
Quem usa o turismo: viajante que precisa de espécie, comprador de cartão pré-pago, quem faz remessa pela boca do caixa. Onde aparece: montra da casa de câmbio, app do banco no separador "câmbio", balcão de aeroporto.
O turismo paga IOF de 1,1% (operação cambial), separado do spread. É a segunda portagem.
Aprofundamento da matemática do spread no cartão: /iof-spread-cartao-internacional-2026

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Curadoria Voyspark
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