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Cuba em 7 dias: Havana, Viñales e Trinidad em 2026, o guia honesto antes de comprar a passagem

Apagões diários, dolarização parcial, escassez real e a ilha ainda assim impossível de reproduzir em qualquer outro lugar do mundo. Um roteiro feito para quem quer ir com os olhos abertos.

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Curadoria VoysparkporCuradoria Voyspark 24 de maio de 2026 17 min Atualizado em 13 de julho de 2026

Cuba em 2026 vive a pior crise económica desde os anos 1990, com apagões de 4 a 20 horas por dia, dolarização parcial via lojas MLC e turismo dominado por Casas Particulares a EUR 25-50 a diária, mas Havana, Viñales e Trinidad continuam destinos sem paralelo no Caribe. Este roteiro de 7 dias cobre visto Tarjeta Turística, câmbio CADECA, transporte Viazul, internet Nauta e o que esperar de verdade da ilha hoje.

17 min de leitura

Cuba em 2026 não é o destino de Instagram dos anos 2010. A ilha está no terceiro ano consecutivo de contração do PIB, vive apagões programados de oito a vinte horas em províncias do interior, perdeu cerca de 10% da população para emigração nos últimos cinco anos e funciona numa esquizofrenia monetária onde o peso oficial (CUP) coexiste com USD, EUR e o moneda libremente convertible (MLC) eletrónico.

E ainda assim, nenhum outro lugar do Caribe é Cuba. Havana Vieja continua sendo o único centro histórico colonial caribenho com 500 anos contínuos de vida urbana real (não cenográfica), Trinidad mantém ruas de pedra e casas pintadas de pastel sem o filtro de resorts, Viñales tem um vale tabacaleiro reconhecido pela UNESCO desde 1999, e a Fábrica de Arte Cubano em Havana é o espaço cultural mais interessante das Américas inteiras hoje.

A tese deste guia: vá, mas vá preparado. Cuba não perdoa improviso e não funciona como qualquer outro destino que já visitou. Sete dias bem planeados rendem mais do que vinte dias improvisados.


Visto e entrada: Tarjeta Turística EUR 25, americanos têm regra própria

TL;DRViajantes, portugueses e europeus em geral entram com Tarjeta Turística vendida pela companhia aérea (Iberia, Air France, Copa) por EUR 25, válida 30 dias prorrogáveis por mais 30 em Havana. Americanos precisam enquadrar-se numa das 11 categorias OFAC e comprar Cuban Tourist Card específico de USD 50-100.

A Tarjeta Turística é o nome do visto de turismo cubano. Não é um carimbo no passaporte: é um cartão de papel rosa (verde para americanos) preenchido à mão com os seus dados, que apresenta junto com o passaporte na imigração de José Martí (HAV).

Como viajante ou europeu, o caminho mais simples é comprar no balcão da companhia aérea no aeroporto de partida, normalmente EUR 25 a EUR 30. Iberia e Air France vendem rotineiramente em Madrid e Paris. Copa vende no Tocumen (Panamá) e Avianca em Bogotá. Latam GRU-HAV não opera direto desde 2022; a rota usual é GRU-PTY-HAV via Copa ou GRU-MAD-HAV via Iberia.

Não preencha o cartão antes de chegar ao balcão. Se errar uma letra do nome ou do número do passaporte, o cartão é invalidado e compra outro do zero (sem reembolso). Preencha na hora, com calma, em letra de forma, exatamente como está no passaporte.

Americanos enfrentam regra própria desde a reversão da política Obama em 2019. Turismo recreativo direto continua proibido pelo Departamento do Tesouro (OFAC). É preciso enquadrar-se numa das 11 categorias autorizadas (mais comum: "Support for the Cuban People"), manter diário detalhado de atividades por cinco anos e comprar um Cuban Tourist Card específico (USD 50-100), normalmente via Cuba Travel Services ou ABC Charters quando voando de Miami, Tampa ou Houston.

Seguro de viagem é obrigatório por lei cubana desde 2010. Apresente o certificado em inglês ou espanhol na imigração; sem ele, compra na hora um seguro estatal Asistur (cerca de USD 30 por semana).


Dinheiro: CUP oficial, USD/EUR real, cartão estrangeiro funciona mal

TL;DRLeve USD ou EUR em notas novas e troque parte em CADECA (casa de câmbio oficial) ou diretamente com a dona da casa. A taxa de mercado informal em 2026 ronda 1 USD = 350 CUP contra 120 CUP oficial. Cartões Visa/Mastercard de banco americano não funcionam; europeus e viajantes funcionam de forma intermitente.

A primeira coisa a entender: o sistema monetário cubano não foi feito para ser entendido. Existe o CUP (peso cubano nacional), existem dólar e euro físicos circulando informalmente, existe o MLC (moneda libremente convertible) que é dinheiro eletrónico em USD usado em lojas específicas chamadas "Tiendas MLC", e existem precários em USD em hotéis e restaurantes premium.

A regra prática: leve USD ou EUR em notas novas (emissão após 2013, sem rasgo, sem caneta, sem dobra excessiva), nunca notas antigas. EUR tem ligeira vantagem porque não sofre o "10% penalty" histórico do USD em CADECA, mas em 2026 a diferença sumiu na prática porque ninguém troca em CADECA mesmo.

Onde trocar Taxa típica USD→CUP Risco Recomendação
CADECA oficial ~120 CUP/USD Baixo, mas fila e taxa ruim Só troque o mínimo legal para ter CUP de bolso
Casa Particular (sua dona) 300-350 CUP/USD Baixo, relação de confiança Melhor opção para volume
Rua/jineteros 350-400 CUP/USD Alto, golpe e nota falsa Evite, especialmente em Habana Vieja
ATM com cartão estrangeiro Taxa oficial + 3% fee Pode não funcionar Não conte com isso

Cartões de bancos americanos (Chase, Bank of America, Citi) simplesmente não funcionam em Cuba por causa do embargo. Cartões europeus e viajantes (Itaú, Bradesco, BB) funcionam de forma intermitente em ATMs do BANDEC e BPA em Havana, com fee de 3% e taxa oficial péssima. Tratamento: leve todo o dinheiro em cash, dividido em três lugares diferentes (carteira, mochila escondida, casa).

Não saia trocando USD 500 de uma vez. Troque USD 50-100 por dia conforme uso. Mantenha sempre notas pequenas (USD 1, 5, 10) para táxis, gorjetas e compras pequenas, porque ninguém tem troco.

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