Tirar ou renovar o passaporte brasileiro em 2026 custa R$ 257,25 de taxa (GRU) e sai em cerca de 6 dias úteis depois do atendimento na Polícia Federal — e "renovar" não existe: é uma emissão nova do zero, com os mesmos documentos e a mesma fotografia tirada no posto. Este guia mostra o passo a passo pelo gov.br, os documentos exigidos, as regras para menores, o passaporte de emergência e a razão por que muitos países só te deixam entrar com 6 meses de validade a sobrar.
13 min de leitura
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Há uma verdade sobre o passaporte brasileiro que ninguém te conta ao balcão da agência de viagens: é mais fácil de tirar do que dizem, e mais fácil de deixar caducar do que imaginas. Todos os meses milhares de brasileiros descobrem, três semanas antes do voo, que o documento expirou — ou que aquele país exige uma validade que eles não têm. O passaporte não avisa. Ou melhor: avisa por email uns 8 meses antes, e ninguém o lê.
Este guia é para não seres essa pessoa.
Vamos cobrir tudo — quanto custa a sério em 2026, quanto tempo demora, o que a Polícia Federal exige, o que fazer com um menor de idade, o que é o passaporte de emergência, e a armadilha da validade de 6 meses que trava gente no embarque. Números reais, prazos reais, e onde confirmar cada um deles na fonte oficial. Sem "descobre o segredo", porque não há segredo. Há burocracia previsível — e previsível é bom.
Quem emite: é a Polícia Federal, e só ela
O passaporte comum brasileiro é emitido pela Polícia Federal. Não é cartório, não é o Ministério das Relações Exteriores (que só trata dos brasileiros no estrangeiro, através dos consulados), não é despachante. Qualquer serviço que se apresente como "emissor de passaporte" e não seja a PF está, na melhor das hipóteses, a cobrar para preencher um formulário que preenches sozinho em 15 minutos.
O processo é híbrido: começa online, no gov.br e no site de serviços da PF (servicos.pf.gov.br), e termina presencialmente num posto da Polícia Federal, onde tiras a fotografia, dás as impressões digitais e assinas. A fotografia é tirada no posto — não levas foto tipo passe, não precisas de fotógrafo. É a PF que fotografa, no padrão biométrico dela.
Quanto custa o passaporte em 2026: a taxa (GRU) real
A taxa oficial de emissão do passaporte comum em 2026 é de R$ 257,25. É o valor da GRU (Guia de Recolhimento da União), a guia que geras e pagas antes de marcar. É o mesmo preço para adulto e para criança — não há desconto por idade.
Podes pagá-la em qualquer banco, homebanking, aplicação ou casa lotérica, até à data de vencimento da guia. Enquanto não pagas, não consegues marcar o atendimento. O pagamento leva algumas horas (por vezes até um dia útil) a ser reconhecido no sistema — por isso não deixes para gerar e pagar a GRU na véspera de tentares marcar.
Alguns valores extra que vale a pena conhecer, todos em vigor no início de 2026:
- Passaporte comum: R$ 257,25
- Passaporte de emergência: R$ 334,42 (a taxa comum acrescida de R$ 77,17)
- Reemissão por perda, furto, roubo ou extravio: R$ 514,50 (o dobro da taxa comum, como penalização por não apresentar o documento anterior)
Um aviso de honestidade: ao longo de 2026 houve conversas sobre um aumento da taxa comum para algo à volta de R$ 430. No início do ano o valor em vigor mantinha-se em R$ 257,25, mas confirma sempre o valor atual na hora de gerar a GRU, direto no site da Polícia Federal (servicos.pf.gov.br). A taxa é o tipo de número que muda por portaria, sem alarido. Não pagues uma guia antiga a pensar que o preço é o de um post de blogue de há meses — este incluído.
O passo a passo pelo gov.br e site da PF
O fluxo é sempre o mesmo, para primeira via ou "renovação":
- Entra com a tua conta gov.br. Se já usaste a app gov.br para alguma coisa (imposto, INSS, carta digital), é a mesma conta. Quanto mais alto o nível da conta (prata ou ouro), menos atrito.
- Preenche o formulário de pedido no site de serviços da PF. São os teus dados pessoais, morada, e a informação do documento de identidade.
- Gera e paga a GRU (R$ 257,25). Guarda o comprovativo.
- Aguarda a compensação do pagamento — algumas horas a um dia útil.
- Marca o atendimento presencial. Escolhes a unidade da PF, a data e a hora disponíveis. É aqui que está o verdadeiro estrangulamento (mais sobre isto abaixo).
- Comparece pessoalmente no dia e hora marcados, com todos os documentos originais. A PF confere os papéis, tira-te a fotografia, recolhe as impressões digitais e a assinatura.
- Levanta o passaporte no mesmo posto quando estiver pronto — ou, nalguns casos, recebe-o por outro meio conforme a unidade. O levantamento também é presencial na maioria dos postos.
A marcação é feita exclusivamente pelo site da PF. Não há marcação por telefone, por WhatsApp, nem por sites de terceiros que cobram por isso. Se um site pede pagamento "para marcar", é intermediário — a marcação oficial é gratuita.
Documentos exigidos para maiores de 18 anos
Leva tudo original. A PF confere ao balcão, e um documento em falta significa remarcar — e perder a vaga que esperaste semanas para conseguir. Para maiores de 18 anos:
- Documento de identidade original com fotografia: RG, ou carta de condução válida, ou carteira de trabalho com foto, ou outro documento de identificação civil válido. Carta de condução caducada não serve como identidade.
- CPF: pode estar impresso no próprio RG/carta, ou em documento separado. Se o número já consta na identidade, está resolvido.
- Título de eleitor com quitação eleitoral: para maiores de 18 anos. Não precisas de levar o título físico, mas tens de estar em dia com a Justiça Eleitoral (sem multas nem pendências de voto). Confirma a tua situação no site do TSE antes.
- Comprovativo de quitação do serviço militar: obrigatório para homens dos 18 aos 45 anos. É o certificado de reservista, de dispensa ou equivalente.
- Comprovativo de morada: em geral pedido para confirmar o endereço.
A fotografia e a assinatura digital são feitas no posto. Não levas foto. Vai com aparência "de documento": sem óculos escuros, sem chapéu, cabelo fora da cara. Piercings e maquilhagem pesada às vezes geram pedido para retirar — não é regra rígida, mas evita a chatice.
"Renovar" o passaporte não existe — e isso muda o teu planeamento
Aqui está o ponto que mais confunde o brasileiro: não existe renovação de passaporte no Brasil. Não há um processo simplificado, mais barato ou mais rápido para quem já teve passaporte. Quando o teu caduca (ou está para caducar), fazes uma emissão nova, do zero: mesmo formulário, mesma taxa de R$ 257,25, mesmos documentos, fotografia nova e biometria nova no posto.
O passaporte antigo, caducado, é teu — podes guardá-lo como recordação, e até serve para comprovar viagens anteriores nalguns pedidos de visto. Mas não é "atualizado". É substituído por um novo, com número novo.
Consequência prática: não deixes para a última hora a pensar que "renovar é rápido". Renovar tem exatamente o mesmo prazo e a mesma fila de uma primeira emissão. Se o teu caduca em 2026 e viajas no mesmo ano, começa o processo com pelo menos 1 a 2 meses de folga — mais, se for época alta (dezembro-fevereiro e julho enchem os postos).
Prazo de emissão e levantamento: o que esperar a sério
A regra oficial é de cerca de 6 dias úteis após o atendimento presencial para o passaporte ficar pronto. Alguns postos e comunicações falam em até 7 dias úteis. Na prática, muita gente recebe antes — mas planeia pelo prazo cheio, nunca pelo melhor cenário.
É importante perceber o que conta como prazo. Os 6 dias úteis começam depois do atendimento presencial (fotografia e biometria), não a partir do dia em que pagaste a GRU. E o verdadeiro estrangulamento não é a produção do documento — é conseguir a data de marcação. Em cidades grandes e em época alta, a primeira vaga disponível pode estar a duas, três, quatro semanas de distância. Soma isso ao prazo de emissão e percebes por que "tirei em cima da hora" costuma dar em "perdi a viagem".
Somando tudo, o cronograma realista para quem não tem pressa:
- Formulário + GRU paga: 1 dia
- Espera pela vaga de marcação: de poucos dias a 3-4 semanas (depende da cidade e da época)
- Atendimento presencial: o dia marcado
- Emissão: cerca de 6 dias úteis
- Levantamento: presencial, quando avisado de que está pronto
Do início até ao passaporte na mão, conta com 2 a 6 semanas em condições normais. Menos do que isso, é sorte. Mais do que isso, é época alta.
Validade: 10 anos para adultos, escalonado para crianças
O passaporte comum de maior de idade vale 10 anos. Simples.
Para menores, a validade é reduzida e proporcional à idade — porque a fisionomia de uma criança muda depressa e a foto perde utilidade para a identificação. As faixas em 2026:
- Menor de 1 ano: validade de 1 ano
- De 1 a 2 anos (incompletos): 2 anos
- De 2 a 3 anos (incompletos): 3 anos
- De 3 a 4 anos (incompletos): 4 anos
- De 4 a 18 anos (incompletos): 5 anos
A validade começa a contar a partir da data do atendimento presencial (recolha da biometria), não da data de levantamento nem da viagem. E é improrrogável — não se estende, não se renova. Quando acaba, emissão nova.
Um pormenor que salva: o Brasil envia um email de alerta cerca de 8 meses antes do vencimento. Se registaste um email que ainda usas, serás avisado. Se registaste aquele email de 2015 que ninguém abre, não serás. Vale a pena apontares tu mesmo a data de validade na agenda do telemóvel — no dia em que o passaporte fizer 9 anos e 6 meses, se fores maior de idade, começa já a pensar na substituição.
A armadilha da validade de 6 meses
Este é o erro que mais trava o brasileiro no aeroporto, e não tem nada a ver com o passaporte estar caducado. Dezenas de países exigem que o passaporte tenha pelo menos 6 meses de validade a contar da data de entrada. Ou seja: mesmo com o documento válido, se faltarem menos de 6 meses para caducar, o país pode barrar-te — e a companhia aérea pode nem te deixar embarcar, porque a multa por transportar um passageiro que vai ser recusado é dela.
Entre os destinos que aplicam a regra dos 6 meses estão a Austrália, o Canadá, a China, o Egito, a Índia e a Tailândia, além de vários outros. Não é uma lista curta nem óbvia.
A Europa é a exceção que confunde. Para o Espaço Schengen (França, Espanha, Itália, Alemanha, Portugal e os restantes), a regra formal é ter validade de pelo menos 3 meses para lá da data prevista de saída do bloco. Mas — e este "mas" é grande — muitas companhias aéreas e agentes de imigração exigem os 6 meses na prática, por segurança. Ou seja: a lei diz 3, mas o balcão do check-in pode exigir-te 6.
Os Estados Unidos são mais tolerantes: exigem que o passaporte seja válido durante toda a estadia, sem margem extra obrigatória. Mas mesmo lá, margem de sobra evita sustos.
A regra de bolso que resolve tudo isto: não viajes para o estrangeiro com menos de 6 meses de validade no passaporte. Se a data está apertada, faz a emissão nova antes de comprares o bilhete. É mais barato refazer o documento do que perder o voo.
Passaporte para menores de idade: as regras que travam gente ao balcão
O passaporte de criança tem o mesmo custo (R$ 257,25) e o mesmo fluxo online — mas com exigências presenciais que apanham pais desprevenidos.
Documento de identidade da criança: a certidão de nascimento serve como identidade até aos 12 anos. A partir dos 12, o RG passa a ser obrigatório. Se o teu filho tem 12+ e nunca tirou RG, resolve isso antes de marcar o passaporte.
Presença dos pais/responsáveis: a regra geral é que o menor e ambos os progenitores (ou responsáveis legais) compareçam juntos ao posto no dia marcado, para assinar o formulário de autorização à frente do atendente. Não vale autorização assinada em casa e enviada. Se um dos pais não puder ir, há caminhos alternativos — autorização com reconhecimento de assinatura, ou autorização judicial em casos de guarda, ausência ou desacordo — mas exigem documentação extra e reconhecimento de assinatura. Confirma o procedimento exato no site da PF antes de marcar, porque isto varia com a situação familiar e é a causa número um de atendimento remarcado.
O bom senso: se os pais são casados e presentes, vão os três, levam certidão de nascimento (ou RG, se 12+), documento de identidade dos pais, e resolvem numa visita. Se a situação é mais complexa (pais separados, um no estrangeiro, guarda unilateral), estuda o caso na fonte oficial e prepara a papelada antes.
Passaporte de emergência e de urgência: quando não podes esperar
Existem dois caminhos acelerados, e não são a mesma coisa.
Passaporte de emergência: válido por 1 ano, entregue em até 24 horas. Custa R$ 334,42 (a taxa comum + R$ 77,17). Não é para quem simplesmente se atrasou — é para uma necessidade urgente e comprovada de viagem que não pode aguardar o prazo normal. As situações reconhecidas incluem ajuda humanitária, interesse da administração pública, catástrofes naturais, conflitos armados e outras emergências graves. Tens de comprovar a urgência, e nem todos os postos emitem — em várias capitais, só uma unidade específica faz passaporte de emergência. A validade curta (1 ano) é o preço da pressa.
Passaporte de urgência: válido por até 10 anos (como o comum), entregue em até 72 horas úteis. É para quem comprova que não pode aguardar os ~6 dias úteis normais, mas tem um pouco mais de margem do que o caso de emergência. Também depende de comprovação e da disponibilidade da unidade.
Em ambos os casos, o requerente já tem de cumprir todas as exigências normais de documentação — a pressa não dispensa título de eleitor, CPF, reservista, etc. E, consoante a unidade e a situação, pode haver atendimento sem marcação prévia para casos de emergência comprovados. Não contes com isso como plano A: é rede de segurança, não atalho de conveniência.
Vale lembrar: idosos (60+), grávidas, lactantes, pessoas com deficiência, pessoas com crianças ao colo e obesos têm direito a atendimento prioritário por lei (Lei 10.048/2000) em qualquer posto. Isto não acelera a emissão, mas encurta a fila no dia.
2.ª via, perda e roubo
Se perdeste o passaporte, foi furtado ou roubado, ou o documento se danificou, o caminho é o mesmo de uma emissão nova — porque, de novo, é tudo emissão nova. A diferença está na carteira: a reemissão nestes casos custa R$ 514,50, o dobro da taxa comum. É uma penalização por não apresentar o documento anterior.
Em caso de roubo ou furto, faz uma queixa/participação — é útil para o processo e essencial se o extravio aconteceu no estrangeiro (aí a via é o consulado brasileiro mais próximo). Se voltares a encontrar o passaporte antigo depois de já teres pago a reemissão, o documento antigo fica inválido de qualquer forma; usa o novo.
O plano honesto para 2026
Se tiras uma coisa deste guia, que seja o cronograma. O passaporte brasileiro é barato (R$ 257,25) e o processo é direto, mas não perdoa quem deixa para depois. As três datas que importam:
- A data da tua viagem — de onde tudo conta para trás.
- A validade que o destino exige — 6 meses a sobrar, na dúvida.
- A folga para fila + emissão — 2 a 6 semanas em condições normais, mais em época alta.
Faz as contas hoje. Abre o site da Polícia Federal, confirma a taxa em vigor, vê a primeira vaga de marcação na tua cidade, e verifica a validade do teu passaporte atual — se tens um. Cinco minutos agora valem mais do que qualquer passaporte de emergência a R$ 334,42 na véspera do embarque.
Key points
A taxa (GRU) do passaporte comum é R$ 257,25 em 2026; o de emergência R$ 334,42; e a reemissão por perda ou roubo R$ 514,50. Confirma sempre no site da PF antes de pagar.
"Renovar" o passaporte brasileiro é um mito: não há renovação simplificada. É sempre uma emissão nova, com os mesmos documentos e fotografia nova no posto.
O prazo é de cerca de 6 dias úteis após o atendimento presencial — não contes com isso em cima da hora. O de emergência sai em até 24h, o de urgência em até 72h.
Frequently asked questions
A taxa (GRU) do passaporte comum é R$ 257,25 em 2026, igual para adultos e crianças. O de emergência custa R$ 334,42 e a reemissão por perda ou roubo, R$ 514,50. Houve discussão sobre aumento ao longo do ano, por isso confirma o valor em vigor no site da Polícia Federal antes de gerar a guia.
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Curadoria Voyspark
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Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.
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