O passaporte brasileiro abre 173 portas em 2026 — Schengen, Reino Unido, Mercosul inteiro, Japão, Cingapura, Maldivas. Mas a partir de 2026 a Europa exige ETIAS (EUR 7, autorização eletrônica), os EUA continuam com B1/B2 e entrevista, e China voltou a aceitar turistas sem visto até 30 dias. Guia direto, atualizado, sem prometer mais do que o passaporte entrega.
22 min de leitura
Em janeiro de 2026 o Henley Passport Index, que mede a força dos passaportes do mundo por número de destinos acessíveis sem visto prévio, colocou o Brasil na 8ª posição global. São 173 países onde o brasileiro entra com passaporte na mão — alguns sem nenhum papel a mais, outros pagando uma taxa online de USD 25 a USD 50 antes de embarcar.
Mas a palavra "sem visto" carrega armadilhas. Tem três realidades muito diferentes dentro dela: a entrada totalmente livre (carimbo na imigração, sem custo, sem pré-autorização), a entrada com pré-autorização eletrônica obrigatória (ETIAS europeu, ETA inglês quando vier, K-ETA coreano), e a entrada com visa on arrival (visto comprado na chegada). Tratar essas três como se fossem a mesma coisa é o que faz brasileiro chegar no aeroporto e ser barrado.
A tese desse guia é simples: o passaporte brasileiro é forte, mas não onipotente. Saber exatamente o que ele entrega em cada destino — e o que ele não entrega — é a diferença entre uma viagem tranquila e uma noite dormindo no terminal de Frankfurt.
O que significa "país sem visto" — três categorias que você precisa diferenciar
TL;DRA primeira camada é a isenção total. Você chega na imigração, mostra o passaporte, recebe o carimbo. Acabou. É o caso de Argentina, Portugal (até o ETIAS entrar), México, Marrocos, Japão, África do Sul. Sem taxa, sem formulário online, sem nada além do passaporte válido por pelo menos seis meses a partir da data de entrada.
A primeira camada é a isenção total. Você chega na imigração, mostra o passaporte, recebe o carimbo. Acabou. É o caso de Argentina, Portugal (até o ETIAS entrar), México, Marrocos, Japão, África do Sul. Sem taxa, sem formulário online, sem nada além do passaporte válido por pelo menos seis meses a partir da data de entrada.
A segunda é a pré-autorização eletrônica. Você precisa preencher um formulário online, pagar uma taxa (geralmente entre EUR 7 e USD 25) e receber uma autorização vinculada ao número do seu passaporte antes de embarcar. Não é visto consular. Não tem entrevista. Mas sem ele você não entra no avião. Exemplos: ETIAS para a Europa Schengen (a partir de 2026), ETA do Reino Unido (quando aplicar a brasileiros), K-ETA da Coreia do Sul, eTA do Canadá. Importante: o eTA canadense é, na prática, um filtro próximo de um visto eletrônico, com aprovação não garantida.
A terceira é o e-visa ou visa on arrival. Aqui a fronteira é mais tênue. Tecnicamente é um visto, mas o processo é simplificado: você pede online (e-visa) ou paga na chegada no aeroporto (VOA). Turquia, Egito, Índia, Vietnã, Sri Lanka, Quênia, Tanzânia, Cambódia operam assim. O Henley Index considera essas modalidades dentro do número de 173 destinos, e por isso é um número que precisa de asterisco.
Europa Schengen — o coração da mobilidade brasileira
TL;DRVinte e nove países integram o espaço Schengen em 2026. Brasileiros entram com passaporte válido por 90 dias dentro de qualquer janela móvel de 180 dias. Esse é o teto rígido — não vale somar dois períodos consecutivos em países diferentes.
Vinte e nove países integram o espaço Schengen em 2026. Brasileiros entram com passaporte válido por 90 dias dentro de qualquer janela móvel de 180 dias. Esse é o teto rígido — não vale somar dois períodos consecutivos em países diferentes.
Lista Schengen completa: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Suécia e Suíça.
Fora do Schengen mas dentro da Europa, com isenção para brasileiros: Reino Unido (até 180 dias), Irlanda (90 dias), Sérvia (90 dias), Albânia (90 dias), Montenegro (90 dias), Bósnia (90 dias), Macedônia do Norte (90 dias), Geórgia (até 1 ano), Armênia (até 180 dias), Moldávia (90 dias), Ucrânia (90 dias, com ressalvas de segurança).
A grande mudança de 2026 chama-se ETIAS (European Travel Information and Authorization System). É obrigatório, custa EUR 7 (gratuito para menores de 18 e maiores de 70), vale 3 anos ou até o passaporte vencer, e cobre múltiplas entradas. A data oficial de entrada em vigor oscilou várias vezes — está prevista para o segundo semestre de 2026, mas a recomendação é checar o site oficial da Comissão Europeia antes de cada viagem. Não confunda ETIAS com visto: é uma autorização eletrônica, sem entrevista, processada em minutos na maioria dos casos.
Ásia — onde mais coisa mudou em 2026
TL;DRA Ásia é o palco onde o passaporte brasileiro ganhou força nos últimos dois anos. Mudanças importantes:
A Ásia é o palco onde o passaporte brasileiro ganhou força nos últimos dois anos. Mudanças importantes:
| País | Modalidade 2026 | Permanência | Custo |
|---|---|---|---|
| Japão | Sem visto | 90 dias | Grátis |
| Cingapura | Sem visto (subiu em 2026) | 90 dias | Grátis |
| Coreia do Sul | K-ETA obrigatório | 90 dias | KRW 10.000 (~USD 7) |
| Tailândia | Sem visto + ETA digital | 60 dias | Grátis (ETA grátis) |
| China | Sem visto (programa unilateral) | 30 dias | Grátis |
| Hong Kong | Sem visto | 90 dias | Grátis |
| Taiwan | Sem visto | 90 dias | Grátis |
| Filipinas | Sem visto | 30 dias | Grátis |
| Indonésia (Bali) | Visa on arrival | 30 dias | IDR 500.000 (~USD 35) |
| Vietnã | e-visa | 90 dias | USD 25 |
| Malásia | Sem visto | 90 dias | Grátis |
| Camboja | Visa on arrival ou e-visa | 30 dias | USD 30 |
| Sri Lanka | e-visa (ETA) | 30 dias | USD 50 |
| Maldivas | Visa on arrival | 30 dias | Grátis |
| Índia | e-visa | 30/90 dias | USD 25-100 |
| Nepal | Visa on arrival | 90 dias | USD 30-125 |
| Turquia | e-visa | 90 dias | USD 50 |
A grande surpresa é a China. Depois de décadas exigindo visto consular complexo para brasileiros, Pequim renovou em 2026 o programa unilateral de isenção até 30 dias para fins de turismo, trânsito e negócios curtos. Atenção: não vale para estudo, trabalho ou estadias prolongadas.

About the author
Curadoria Voyspark
2 years in the Voyspark editorial team
Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.
Expertise




