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Bagagem de mão 2026: o que pode levar, líquidos e dimensões

As dimensões da bagagem de mão mudam por companhia, a regra de líquidos no avião está desmoronando em partes da Europa, e a ANAC reescreveu a lei do power bank. O guia honesto pra você não descobrir isso no raio-X.

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Curadoria VoysparkporCuradoria Voyspark 13 de julho de 2026 15 min Atualizado em 12 de agosto de 2026

Em 2026, a bagagem de mão padrão no Brasil é de até 10 kg e mede em torno de 55 x 35 x 25 cm (com rodinhas e alças), mas GOL e LATAM já trabalham com 12 kg em muitas tarifas — sempre confira a sua. A regra de líquidos no avião segue sendo 100 ml por frasco dentro de um saco transparente de 1 litro em voos internacionais, mas dezenas de aeroportos europeus já aboliram esse limite. E o power bank agora tem lei nova da ANAC: no máximo dois, sempre na mão, proibido carregar a bordo.

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Existem duas formas de descobrir as regras de bagagem de mão. A primeira é ler um guia como este, com calma, no sofá. A segunda é descobrir no balcão do check-in que sua mala tem 3 cm a mais que o gabarito da companhia, e pagar R$ 300 a R$ 600 pra despachar na hora — o preço mais caro que uma passagem aérea cobra por desatenção.

Este texto é pra você fazer a primeira.

O problema é que "bagagem de mão" virou uma das palavras mais escorregadias da aviação. Não existe UMA regra. Existe a diretriz da ANAC, que garante um mínimo. Existe a regra de cada companhia, que muda por tarifa e por cabine. Existe a regra do país de destino, que muda por causa de segurança. E existe a regra do aeroporto específico, que em 2026 mudou de novo por causa de scanners novos. Vamos passar por todas, com números.

Dimensões da bagagem de mão: o número que muda por companhia

A ANAC — Agência Nacional de Aviação Civil — garante ao passageiro o direito de levar até 10 kg de bagagem de mão sem custo. Esse é o piso legal no Brasil. Nenhuma companhia pode te oferecer menos que isso na cabine em voo doméstico.

O que a ANAC não define de forma rígida é a dimensão. Ela deixa cada empresa fixar o tamanho, e por isso o gabarito varia. O padrão mais comum, adotado como referência pelo mercado, é:

55 x 35 x 25 cm (altura x largura x profundidade).

Grave um detalhe que derruba muita gente: essas medidas incluem rodinhas, alças e bolsos externos. A etiqueta da sua mala pode dizer "55 cm", mas se as rodinhas somam mais 3 cm, o gabarito de metal do embarque vai reprovar. Meça a mala fechada, cheia, com tudo pra fora — não a medida do anúncio.

GOL, LATAM e Azul: as faixas reais em 2026

Aqui os números divergem, e é exatamente onde você economiza ou perde dinheiro.

  • Azul — a mais conservadora: 55 x 35 x 25 cm e 10 kg. É o padrão-referência puro.
  • LATAM — dimensão de 55 x 35 x 25 cm, mas com franquia de peso que varia por tarifa e cabine. Muitas condições trabalham com referência de 12 kg em vez de 10. Ou seja: dependendo da sua tarifa, você tem 2 kg a mais de folga.
  • GOL — trabalha com até 12 kg em boa parte dos bilhetes, e a própria companhia avisa que há diferença conforme a data de emissão da passagem: bilhetes antigos tinham limite menor. Se você comprou faz tempo, cheque a regra da SUA passagem, não a do site hoje.

A lição prática: 12 kg numa companhia é 10 kg em outra. Se você viaja no talo do peso, uma mala que passa na GOL pode ser barrada na Azul. Confirme sempre na página de bagagem da companhia com o seu código de reserva em mãos — as franquias podem mudar sem aviso e este número tem validade curta.

Item pessoal x bagagem de mão: são duas coisas

Muita gente acha que "item pessoal" é sinônimo de bagagem de mão. Não é. São dois volumes separados, e você tem direito aos dois.

  • Bagagem de mão: a mala de rodinha ou mochila maior que vai no compartimento superior (o bin). ~55 x 35 x 25 cm, 10 a 12 kg.
  • Item pessoal: a bolsa, mochila pequena, pasta de notebook ou necessaire que cabe embaixo do assento à frente. Dimensão de referência de até 45 x 35 x 20 cm.

Na prática, é aqui que mora a tática de quem viaja leve: a maioria das tarifas mais baratas ("básica", "light", "promo") corta a bagagem de mão no bin e deixa só o item pessoal. Se a sua passagem é dessas, sua vida cabe embaixo do assento — e uma mochila de 45 x 35 x 20 cm bem organizada resolve uma viagem de fim de semana inteira.

Internacionais: o padrão mais apertado

Voando pra fora, o gabarito costuma ser mais rígido, não mais folgado. A diretriz da IATA — a associação global das companhias — sugere 55 x 35 x 20 cm (repare: 20 cm de profundidade, não 25). Algumas companhias aceitam 55 x 40 x 20 cm. As low-cost europeias (Ryanair, Wizz, easyJet, Vueling) são as mais implacáveis: o item pessoal gratuito é minúsculo (algo como 40 x 20 x 25 cm) e a mala de cabine "de verdade" quase sempre é paga à parte.

Em 2026 a IATA voltou a empurrar uma proposta de padrão universal de cabine — algo em torno de 22 x 14 x 9 polegadas (~56 x 36 x 23 cm) — pra acabar com essa Babel de gabaritos. Ainda não é lei global. Até virar, a regra é uma só: abra a página de bagagem da companhia que você vai voar, não a de "companhias em geral".

Regra de líquidos no avião: 100 ml, 1 litro, e o terremoto de 2026

A regra que todo mundo conhece de cor: em voo internacional, líquidos, géis e aerossóis só passam na bagagem de mão se estiverem em frascos de no máximo 100 ml cada, todos juntos dentro de um único saco plástico transparente e resselável de até 1 litro (aquele modelo tipo zip, de ~20 x 20 cm). Um saco por passageiro. É a regra do ICAO, espelhada na "3-1-1" dos Estados Unidos (3,4 onças = 100 ml).

Três coisas que ninguém te conta e caem no raio-X:

  1. O que conta é a capacidade do frasco, não o conteúdo. Um tubo de 150 ml pela metade é barrado — mesmo com 70 ml dentro. O agente olha o rótulo, não o líquido.
  2. "Líquido" é mais amplo do que parece. Pasta de dente, protetor solar, desodorante roll-on, iogurte, mel, geleia, perfume, base líquida e até queijo cremoso entram na conta. Na dúvida, se espreme ou se espalha, é líquido.
  3. Voo doméstico no Brasil não tem essa regra. A restrição dos 100 ml é para voos internacionais. Num voo Rio–Recife você pode levar sua garrafa de shampoo de 400 ml na mochila sem problema. Muita gente joga fora à toa. (Confirme no aeroporto, mas essa é a regra vigente.)

O terremoto: aeroportos europeus estão abolindo o limite de 100 ml

Aqui está a maior mudança de 2026, e a que mais confunde. A União Europeia vem instalando scanners de tomografia (CT / C3) que enxergam o interior da bagagem em 3D. Onde esses scanners estão ativos, o limite de 100 ml caiu — passa a ser permitido levar líquidos em recipientes de até 2 litros, e você nem precisa tirar eletrônicos e líquidos da mochila na esteira.

Onde já vale (início de 2026):

  • Londres Heathrow — aboliu o limite nos quatro terminais em 23 de janeiro de 2026.
  • Outros aeroportos britânicos que terminaram a troca de scanner: Gatwick, Birmingham, Bristol, Edimburgo e Belfast.
  • Na Europa continental, um conjunto espalhado de hubs: Roma Fiumicino, Milão Linate, Bolonha, Dublin e Praga (Terminal 2), além de aeroportos regionais na Polônia, Lituânia, Romênia, Dinamarca e Malta.

O perigo está no "mosaico". A implementação é irregular. Frankfurt e Munique, por exemplo, só converteram parte das esteiras — na mesma viagem você pode ter regras diferentes na ida e na volta. Um saco de 100 ml montado do jeito antigo passa em qualquer lugar; uma garrafa de 500 ml de água comprada antes do embarque em Heathrow pode ser barrada na conexão seguinte, se o próximo aeroporto ainda usar scanner antigo.

A regra de sobrevivência: monte a mala pelo aeroporto mais restritivo do seu trajeto, não pelo mais moderno. Enquanto o rollout não terminar (e não há data única e confiável), continue tratando 100 ml como o padrão e trate a liberação de 2 litros como um bônus do aeroporto específico de saída. Confirme no site oficial do aeroporto na semana da viagem.

O que pode e o que não pode levar na bagagem de mão

Aqui vale uma inversão de lógica que confunde quase todo passageiro de primeira viagem: as coisas mais valiosas e mais perigosas vão na MÃO, não na despachada. Bateria, remédio e eletrônico ficam com você. Faca, tesoura e líquido grande vão pro porão.

Eletrônicos e baterias: sempre na mão

  • Notebook, tablet, câmera, celular, fone: bagagem de mão, sempre. Não pela regra — pelo bom senso. Bagagem despachada some, é revistada e é jogada. Nunca coloque nada caro no porão.
  • Bateria de lítio solta / avulsa (pilha recarregável, bateria de câmera, bateria sobressalente): proibida na despachada. Tem que ir na cabine, com você. Bateria de lítio no porão é risco de incêndio que ninguém apaga em voo — por isso a regra é dura.

Power bank: a lei nova da ANAC de 2026

Este é o item que mais mudou, e onde mais gente vai ser pega desprevenida em 2026. A ANAC reescreveu as regras de transporte de carregadores portáteis (power banks). O que passou a valer:

  • Sempre na bagagem de mão. Power bank no porão está proibido — sem exceção.
  • Limite por capacidade (em Wh, não em mAh):
    • Até 100 Wh: liberado, sem autorização. Cobre a esmagadora maioria dos power banks de bolso.
    • Entre 100 e 160 Wh: só com autorização prévia da companhia aérea.
    • Acima de 160 Wh: proibido. Fica no aeroporto.
  • Máximo de 2 power banks por passageiro.
  • Proibido recarregar o power bank dentro do avião, e a ANAC recomenda não usá-lo em voo pra carregar celular ou tablet.
  • Terminais protegidos contra curto — na embalagem original ou com os contatos isolados.

Como saber os Wh do seu? A conta é: Wh = (mAh ÷ 1000) × Voltagem. Um power bank comum de 20.000 mAh a 3,7 V dá ~74 Wh — dentro do limite tranquilo. A maioria dos modelos de viagem está abaixo de 100 Wh. Se o seu é gigante (26.800 mAh+) ou de estação de energia, cheque o rótulo. E lembre: cada companhia pode ser mais rígida que a ANAC — confirme antes de embarcar.

Medicamentos: podem, mas leve a receita

  • Remédios de uso pessoal vão na bagagem de mão — você não quer que sua insulina, seu anticoagulante ou seu remédio de pressão fique perdido numa mala extraviada.
  • Medicamento líquido (xarope, insulina, colírio, soro) é exceção à regra dos 100 ml: pode passar acima de 100 ml se for necessidade médica. Leve receita ou prescrição médica (de preferência em inglês, em voo internacional) e declare no raio-X. Sem o documento, o agente pode barrar.
  • Seringas e agulhas acompanhando o medicamento: permitidas com a receita.

Comida: mais liberado do que você pensa

  • Comida sólida (sanduíche, biscoito, fruta, chocolate, castanha, queijo firme) passa na bagagem de mão sem problema, doméstico ou internacional.
  • Comida pastosa ou líquida (iogurte, pote de mel, geleia, pasta de amendoim, açaí) cai na regra dos 100 ml em voo internacional. Comida de bebê e leite materno são exceção — permitidos em quantidade razoável.
  • Atenção à alfândega do destino, que é outra história: muitos países (EUA, Austrália, boa parte da Europa) proíbem a entrada de carne, laticínio, fruta e semente, mesmo que a companhia deixe embarcar. Levar o queijo é uma regra; entrar com ele no país é outra.

O que NÃO pode na mão (vai pra despachada ou fica em casa)

  • Objetos cortantes ou perfurantes: tesoura de lâmina longa, canivete, faca, lâmina de barbear solta, alicate grande, chave de fenda grande. Vão na despachada. (Tesourinha de unha e barbeador descartável costumam passar, mas dependem do agente.)
  • Líquidos acima de 100 ml em voo internacional: despachada.
  • Inflamáveis, explosivos, gases: isqueiro maçarico, gás de camping, fogos, tinta spray grande. Em geral proibidos nos dois lados — cheque a lista de artigos perigosos da companhia.
  • Bastão de selfie e tripé grande: variam por companhia — muitas mandam despachar.

Bagagem de mão x despachada: quando compensa cada uma

A diferença não é só tamanho. É filosofia de viagem.

Bagagem despachada custa tempo (fila do check-in, espera na esteira no destino) e dinheiro (num voo doméstico brasileiro, despachar 23 kg pode sair de graça na tarifa certa ou custar de R$ 100 a mais de R$ 600 se comprado de última hora no balcão — a franquia varia por tarifa desde a Resolução 400 da ANAC, que liberou as companhias a venderem passagem sem bagagem inclusa). O peso-padrão da despachada é 23 kg por volume, doméstico e internacional, na maioria das companhias.

Bagagem de mão custa disciplina. Você tem ~10 a 12 kg e um espaço pequeno pra caber tudo. Em troca: zero fila de despacho, zero espera na esteira, zero risco de extravio, e a liberdade de descer do avião e ir embora.

A regra de bolso: compre a franquia de despacho junto com a passagem, nunca no aeroporto. A diferença de preço entre comprar antes e comprar no balcão é o maior assalto legalizado da aviação — pode triplicar.

Táticas de quem viaja só com a mão

Viajar só com carry-on não é sobre levar pouco. É sobre levar certo. As táticas que funcionam de verdade:

  • Regra dos 3 sapatos, no máximo: um no pé, dois na mala. Sapato é o item que mais rouba espaço e peso.
  • Enrole, não dobre. Roupa enrolada ocupa menos e amassa menos. Cubos de compressão (packing cubes) transformam o volume da mala.
  • Vista o mais pesado no voo: casaco, jaqueta, bota. O que você veste não conta no peso da mala. Companhia nenhuma pesa passageiro.
  • Kit de líquidos permanente: um saco de 1 litro montado uma vez, com frascos reaproveitáveis de 100 ml, que fica pronto pra sempre. Compre pasta de dente, shampoo e protetor pequenos, ou transfira pros frascos.
  • Cuidado com o item pessoal: ele salva. Notebook, carregador, power bank, remédio, muda de roupa de emergência e documentos vão nele. Se a companhia te obrigar a despachar a mala de cabine no portão (acontece em voo lotado), o item pessoal continua com você — e nele está tudo que importa.
  • Pese em casa. Uma balança de gancho de mala custa uns R$ 30 e paga por si na primeira viagem que você não precisa reorganizar a mala no chão do aeroporto.

O carry-on-only não serve pra toda viagem. Mês na Patagônia com equipamento de trilha? Despache. Fim de semana em Buenos Aires ou cinco dias em Lisboa? Cabe na mão, e você economiza duas horas de aeroporto na viagem inteira.

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Pontos-chave

Dimensão padrão de bagagem de mão no Brasil: ~55 x 35 x 25 cm e até 10 kg — mas GOL e LATAM já usam 12 kg em várias tarifas. O item pessoal (mochila/bolsa sob o assento) mede até ~45 x 35 x 20 cm e é separado.

Regra de líquidos avião: 100 ml por frasco, todos dentro de um saco transparente resselável de 1 litro. Vale só em voos internacionais — em voo doméstico no Brasil não há esse limite.

Novidade 2026: dezenas de aeroportos europeus (Heathrow, Gatwick, Roma Fiumicino, Milão Linate, Dublin, Praga T2) aboliram o limite de 100 ml. É um mosaico — não confie, confirme no aeroporto de saída.

Perguntas frequentes

O padrão de referência no Brasil é ~55 x 35 x 25 cm (incluindo rodinhas e alças) e até 10 kg, garantidos pela ANAC. Mas GOL e LATAM já trabalham com 12 kg em muitas tarifas, e voos internacionais costumam ser mais rígidos (55 x 35 x 20 cm). Sempre confira a página de bagagem da sua companhia com o código da reserva.

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