O seguro viagem que vale a pena em 2026 cobre no mínimo USD 60.000 de despesa médica, repatriação, COVID dentro da médica, bagagem e cancelamento, e na Europa exige os EUR 30.000 da regra Schengen. No Brasil, Porto, SulAmérica, Assist Card e IATI dominam o mercado. Este guia compara cobertura mínima por destino, anual versus por viagem, explica franquia, telemedicina, como acionar sem calote, e revela quais cartões incluem seguro de verdade e quais incluem nada.
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Quase ninguém lê a apólice de seguro viagem até precisar dela. Aí descobre, no balcão de um hospital em Lisboa ou numa clínica em Bangkok, que a "cobertura de USD 30.000" tinha franquia, que a internação não estava inclusa, ou que a seguradora só reembolsa depois que você volta para casa e manda dezessete documentos.
Este guia é o oposto do folder de venda. Ele parte de quem já acionou seguro de verdade — quem quebrou o tornozelo esquiando, quem teve a bagagem sumida por cinco dias, quem foi internado com apendicite no exterior. O que separa um seguro que salva de um que só serve pra cumprir burocracia do consulado não é o preço. É a estrutura da cobertura.
A tese central: você não compra seguro viagem pelo cancelamento de voo ou pela bagagem. Compra pela despesa médica catastrófica. Todo o resto é acessório. Acerte a médica e o resto se resolve.
A única cobertura que importa de verdade: despesa médica e repatriação
TL;DRA despesa médica é o coração da apólice. Para Europa, o mínimo legal é EUR 30.000. Para EUA, Canadá e Ásia, mire em USD 100.000 ou mais, porque uma internação de três dias num hospital americano passa fácil de USD 50.000. Repatriação médica (te trazer de volta deitado num avião-UTI) custa USD 30.000-80.000 sozinha e tem que estar inclusa.
A despesa médica hospitalar é o número que define se o seguro presta. Tudo na apólice gira em torno dele. Os valores de bagagem, atraso de voo e cancelamento são centavos perto do que uma internação custa no exterior.
Os pisos realistas por região em 2026:
- Europa (Schengen): EUR 30.000 obrigatório por lei. Na prática, EUR 50.000 dá folga.
- EUA e Canadá: USD 100.000 é o mínimo defensável. O sistema de saúde americano cobra USD 3.000-5.000 só pela ambulância. Uma cirurgia de emergência ultrapassa USD 80.000.
- Ásia, América Latina, resto do mundo: USD 60.000 cobre a maioria dos cenários, mas USD 100.000 dorme tranquilo.
A repatriação é o item esquecido que mais quebra orçamento. Se você precisa voltar ao Brasil em maca, com médico acompanhante e avião adaptado, a conta sai entre USD 30.000 e USD 80.000. Apólice séria inclui repatriação médica e traslado de corpo (sim, o pior cenário) dentro ou somado à médica. Confira se o valor de repatriação é separado ou se consome o teto da médica.
Outro detalhe: assistência direta versus reembolso. Seguro que aciona a rede credenciada e paga o hospital direto (Assist Card, Porto Seguro premium, planos com central 24h ativa) é incomparavelmente melhor do que o que te manda pagar e pedir reembolso depois. No reembolso você adianta o dinheiro — e em hospital americano isso pode ser USD 10.000 no cartão antes de ser atendido.
A regra Schengen: o seguro obrigatório para entrar na Europa
TL;DRPara entrar nos 29 países Schengen, o seguro viagem é obrigatório por lei e exige cobertura médica mínima de EUR 30.000, válida em todo o espaço Schengen, incluindo repatriação. Brasileiro não precisa de visto para turismo até 90 dias, mas a fronteira pode exigir comprovante do seguro. Sem ele, você pode ser barrado no embarque ou na imigração.
A regra Schengen é a única exigência legal de seguro viagem que o brasileiro encontra na prática. Os 29 países do espaço Schengen (Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Grécia e companhia) determinam que todo visitante tenha seguro com:
- Cobertura médica mínima de EUR 30.000
- Validade em todo o território Schengen
- Inclusão de repatriação médica e funerária
- Cobertura por todo o período de permanência
Brasileiro não precisa de visto para turismo de até 90 dias no espaço Schengen (e a partir de 2026 passa a precisar da autorização ETIAS, eletrônica e barata). Mas o seguro continua obrigatório. Na prática, a imigração europeia raramente pede o comprovante na entrada por turismo — só que "raramente" não é "nunca". Companhias aéreas podem barrar no check-in, e se a imigração pedir e você não tiver, é barrado.
Qualquer apólice brasileira vendida como "Europa" já vem calibrada nos EUR 30.000+. As seguradoras emitem a chamada carta verde ou certificado Schengen, um PDF que comprova a cobertura no formato que o consulado aceita. Guarde impresso e no celular.
| Item | Exigência Schengen | Recomendado na prática |
|---|---|---|
| Cobertura médica | EUR 30.000 | EUR 50.000+ |
| Repatriação | Obrigatória | Inclusa, valor separado |
| Validade geográfica | Todo Schengen | Europa toda + escalas |
| Comprovante | Certificado/carta verde | PDF + impresso |

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Curadoria Voyspark
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Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.
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