A pergunta "quanto cash levar para a viagem?" não tem resposta única. EUA com US$ 100-200 resolve a vida toda. Vietname sem cash trava-te no primeiro pho. Cuba sem cash parte a viagem. Tóquio aceita cartão menos do que imaginas. Este guia mostra 15 destinos com tabela de cash recomendado por dia, moeda que rende mais (USD, EUR ou local), se compensa levar de Portugal ou trocar no destino, e porque o aeroporto é sempre a pior opção. No fim, uma regra de algibeira que serve para qualquer país do mundo.
15 min de leitura
A pergunta "quanto cash levar para a viagem?" parece simples, mas esconde três decisões diferentes: quanto, em que moeda, e onde trocar. A maioria dos viajantes responde sentada no sofá com base em folclore de primo — "leva uns 500 dólares que dá" — e descobre no destino que a conta não fecha. Cash a mais paga seguro caro, vira presa em assalto e fica parado num cofre de hotel. Cash a menos obriga-te a levantar em ATM de aeroporto com câmbio péssimo, ou pior, ficas refém de um único cartão que pode bloquear no primeiro uso.
A resposta correcta depende do destino. EUA e Canadá são economias de cartão: passas 10 dias e mal tocas em dinheiro. Tóquio, contra-intuitivamente, ainda exige cash diário para comer fora do circuito turístico. Vietname, Camboja, Laos e Cuba são economias de cash quase puras — sem dinheiro físico não andas. Argentina é um universo paralelo, onde o cash em USD vale 30-50% mais que o cartão. Cada sítio tem a sua lógica. Este guia é a tabela que faltava.
A regra dos 30%
TL;DRAntes de entrar país a país, fixa esta regra de algibeira para qualquer destino: Cash em mão nunca deve passar de 30% do orçamento total da viagem. Os outros 70% dividem-se entre: Cartão de crédito internacional (40-50%): hotel, voos comprados no destino, jantares caros, emergência médica.
Antes de entrar país a país, fixa esta regra de algibeira para qualquer destino:
Cash em mão nunca deve passar de 30% do orçamento total da viagem.
Os outros 70% dividem-se entre:
- Cartão de crédito internacional (40-50%): hotel, voos comprados no destino, jantares caros, emergência médica.
- Cartão de débito de conta global (20-30%): gasto diário em moeda do destino, com spread baixo — Wise e Revolut lideram em Maio/26.
Cash só fica contigo por três motivos: mercados de rua, transporte local (táxi, tuk-tuk, autocarro) e países onde o cartão não funciona. Tudo o que pode ser pago no cartão deve ser pago no cartão — desde que o spread do teu cartão seja decente.
Tabela por destino — cash recomendado por dia
TL;DROs valores abaixo são para um viajante de classe média, ritmo "explora a cidade", come fora 2 vezes por dia, usa transporte público misturado com táxi quando necessário. Não inclui alojamento (que vai sempre no cartão) nem voos internos. É o cash que fica no teu bolso para rodar o dia.
Os valores abaixo são para um viajante de classe média, ritmo "explora a cidade", come fora 2 vezes por dia, usa transporte público misturado com táxi quando necessário. Não inclui alojamento (que vai sempre no cartão) nem voos internos. É o cash que fica no teu bolso para rodar o dia.
| País / Destino | Cash diário recomendado | Moeda preferida | Cartão funciona? | Onde trocar |
|---|---|---|---|---|
| EUA | US$ 30-50 | USD local | Sim, em 98% dos sítios | Em Portugal (cotação melhor) |
| Canadá | CAD 30-50 | CAD local | Sim, em 98% dos sítios | Em Portugal (USD) e troca lá |
| Europa Ocidental (FR, IT, ES, DE, NL) | €30-50 | EUR local | Sim, em 95% | Não aplicável (zona euro) |
| Reino Unido | £30-50 | GBP local | Sim, em 98% (contactless dominante) | Em Portugal |
| Japão (Tóquio, Quioto) | ¥10k-15k | JPY local | Híbrido (60% dos sítios) | Em Portugal em JPY ou USD + troca local |
| Vietname | US$ 40-60 ou equivalente em VND | USD ou VND | Pouco (só hotel/restaurante turístico) | No destino (casas de câmbio do centro) |
| Camboja | US$ 30-50 | USD limpo (sim, USD circula localmente) | Quase não | Não precisa trocar — usa USD |
| Laos | US$ 30-50 ou LAK | USD ou LAK | Mal | No destino |
| Tailândia | THB 1.000-1.500 | THB local | Híbrido (70% dos sítios) | No destino (Bangkok tem câmbio melhor que aeroporto) |
| Indonésia (Bali) | IDR 500k-800k | IDR local | Híbrido (60% dos sítios turísticos) | No destino (casas de câmbio fiáveis) |
| Argentina | US$ 30-60 | USD em espécie (troca no blue) | Sim, mas perde 30-50% | Em Portugal em USD + troca no blue lá |
| Cuba | €50-100 | EUR em espécie (USD sofre penalidade) | Quase não funciona | Em Portugal em EUR |
| México | MXN 500-1.000 | MXN local | Sim em cidade (90%) | No destino ou em Portugal em USD |
| Egito | US$ 30-50 ou EGP | USD ou EGP | Mal (só hotel grande) | No destino (casas de câmbio fiáveis) |
| Marrocos | MAD 300-500 | MAD local | Híbrido (60% dos sítios) | No destino (dirham é moeda fechada — não dá para levar de Portugal) |
| Turquia | TRY 1.000-1.500 ou USD | USD (inflação alta) | Sim, mas a lira desvaloriza rápido | No destino (troca diária para evitar acumulação) |
EUA, Canadá e Europa Ocidental — o mundo do cartão
TL;DRNestes destinos, o cash é quase decorativo. EUA tem contactless dominante desde 2020, Europa Ocidental foi atrás, Canadá idem. Passas 10 dias em Nova Iorque, Paris, Lisboa ou Toronto e mal vês uma nota. Tudo é cartão, Apple Pay ou Google Pay.
Nestes destinos, o cash é quase decorativo. EUA tem contactless dominante desde 2020, Europa Ocidental foi atrás, Canadá idem. Passas 10 dias em Nova Iorque, Paris, Lisboa ou Toronto e mal vês uma nota. Tudo é cartão, Apple Pay ou Google Pay.
Quando precisas de cash: gorjetas em hotel (US$ 1-2 por mala, US$ 2-5 por dia para a empregada), gorjeta de táxi tradicional fora do Uber, mercados de rua (Borough Market em Londres, mercados de produtores no sul da Europa, Chinatown em qualquer cidade grande), e bares pequenos em bairros não-turísticos.
Quanto levar: US$ 100-200 ou €100-200 cobre tranquilamente 7-10 dias. Levar mais é gastar com spread sem necessidade.
Onde trocar: Em Portugal, sempre. Casa de câmbio do centro de Lisboa ou Porto bate qualquer balcão de aeroporto. Compara três casas antes de fechar.

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Curadoria Voyspark
2 years in the Voyspark editorial team
Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.
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