Em maio/26 o IOF de compra internacional no cartão é 3,5%, não 6,38%. Esse número antigo virou folclore. Entretanto, o banco cobra-te 4-6% de spread sobre a cotação comercial do dólar — e essa parte nem aparece na fatura com nome. Este guia mostra a fórmula real, compara oito cartões e contas globais com cotação efetiva final, e explica porque "cartão sem IOF" às vezes sai mais caro do que um cartão comum.
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Cada vez que um brasileiro passa o cartão no estrangeiro, paga duas portagens. A primeira tem nome, alíquota e aparece na fatura: IOF (imposto brasileiro sobre operações financeiras), 3,5% em maio/26. A segunda não tem nome, não aparece destacada, e é maior que a primeira: o spread cambial do banco emissor. É uma percentagem que o banco adiciona sobre a cotação comercial do dólar antes de converter a tua compra para reais. Nunca vês esse número. Vês só o resultado final.
A maioria dos artigos sobre IOF na internet ainda fala em 6,38%. Esse número está morto desde 2022, quando o governo reduziu a alíquota progressivamente até consolidar em 3,5% para compras internacionais no cartão de crédito. Os 6,38% sobreviveram em conteúdo desatualizado, em folhas de cálculo de blogues e na memória colectiva. O resultado é que milhões de brasileiros acreditam pagar mais imposto do que pagam — e ignoram a portagem real, que é o spread.
Este artigo desmonta a conta com calma. Mostra a fórmula. Mostra cartão a cartão. E mostra como medir, em 30 segundos, o spread do teu próprio cartão.
A premissa errada que o Google ainda repete
TL;DRFaz a pesquisa agora. "IOF cartão internacional". Os primeiros resultados misturam 6,38%, 5,38%, 4,38% e 3,5%. Cada um de um ano diferente, cada um sem data clara. É a herança de um governo que reduziu a alíquota por etapas — janeiro/22 começou em 6,38%, caiu para 5,38% em 2023, depois 4,38%, depois 3,38%, e em 2026 ficou em.
Faz a pesquisa agora. "IOF cartão internacional". Os primeiros resultados misturam 6,38%, 5,38%, 4,38% e 3,5%. Cada um de um ano diferente, cada um sem data clara. É a herança de um governo que reduziu a alíquota por etapas — janeiro/22 começou em 6,38%, caiu para 5,38% em 2023, depois 4,38%, depois 3,38%, e em 2026 ficou em 3,5% após o ajuste final.
A consequência dessa confusão: o brasileiro vê uma compra de USD 100 virar R$ 615 na fatura e pensa que pagou R$ 38 de imposto. Não pagou. Pagou R$ 18,50 de IOF e R$ 31 de spread do banco. O imposto é metade do que parece. O resto é a portagem invisível.
Quem ainda fala em 6,38% está a vender informação velha. E quem ataca só o IOF está a atacar o vilão errado.
A fórmula real (decora esta linha)
TL;DRCada conversão de compra internacional no cartão segue a mesma fórmula: Cotação efetiva por USD 1 = USD comercial do dia × (1 + spread do banco) × (1 + IOF) Em maio/26, com IOF de 3,5%, a fórmula vira: Cotação efetiva = USD comercial × (1 + spread) × 1,035 O USD comercial é o dólar de.
Cada conversão de compra internacional no cartão segue a mesma fórmula:
Cotação efetiva por USD 1 = USD comercial do dia × (1 + spread do banco) × (1 + IOF)
Em maio/26, com IOF de 3,5%, a fórmula vira:
Cotação efetiva = USD comercial × (1 + spread) × 1,035
O USD comercial é o dólar de referência do mercado interbancário (o número que aparece no Google quando pesquisas "dólar hoje"). O spread é o que o banco soma. O IOF é o imposto federal. Só.
Exemplo com USD comercial a R$ 5,40 e spread bancário de 6%:
- Cotação efetiva = 5,40 × 1,06 × 1,035 = R$ 5,92 por dólar
Mesmo exemplo com spread de 1% (fintech):
- Cotação efetiva = 5,40 × 1,01 × 1,035 = R$ 5,64 por dólar
Diferença de R$ 0,28 por dólar. Numa compra de USD 1.000, são R$ 280 a mais ou a menos. A escolha do cartão é o que define esta conta. Não o IOF.

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