Quem viaja com passaporte português ou de outro país da UE tem a vida facilitada na Austrália em 2026: usa o eVisitor (subclass 651), uma autorização eletrónica gratuita, pedida online pelo ImmiAccount, válida por 12 meses. Não precisa do Visitor visa 600 nem da ETA paga. Este guia separa as três portas de entrada, mostra como pedir o eVisitor passo a passo, o que a imigração quer ver e como não cair em sites que cobram por algo que é grátis.
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Comecemos pela boa notícia, a que poupa tempo e dinheiro: se viaja com passaporte português, a Austrália é uma das entradas mais simples e baratas que vai encontrar. Não precisa de visto pago, não precisa de formulário longo, não precisa de marcação em consulado. Tem direito ao eVisitor (subclass 651), uma autorização eletrónica gratuita, pedida online em minutos.
Isto confunde muita gente, e por um bom motivo. A Austrália tem fama de burocracia pesada para vistos, e há nacionalidades que de facto pagam caro e esperam semanas. Lê relatos de quem desembolsou centenas de dólares e juntou pilhas de documentos, e assume que o seu caso é igual. Não é. Essa via mais pesada — o Visitor visa 600 — existe para passaportes que não estão nas listas eletrónicas. O português está. E a porta certa para Portugal e para a UE chama-se eVisitor.
O eVisitor está ligado à nacionalidade do passaporte, não à sua preferência. Toda a União Europeia tem direito a ele, mais um conjunto de países europeus de fora da UE. Portugal está na lista desde sempre. Por isso, esqueça a ETA paga e esqueça o Visitor visa 600: o seu caminho é o 651, e é de graça.
Este guia separa as três autorizações de turismo da Austrália (601, 651 e 600), mostra quem usa cada uma, e foca no que interessa a quem viaja com passaporte português: como pedir o eVisitor pelo ImmiAccount, o que a imigração quer ver, quanto tempo demora, e as burlas que rondam quem pesquisa "visto Austrália" no Google.
As três portas de entrada: ETA, eVisitor e Visitor visa
A Austrália oferece três autorizações diferentes para quem vai a turismo ou negócios de curta duração. Parecem alternativas concorrentes, mas não são. Qual usa depende do seu passaporte, não da sua escolha. Não opta pela mais barata — usa aquela a que o seu país dá direito.
- ETA — Electronic Travel Authority (subclass 601). Autorização eletrónica, ligada ao passaporte. Para um grupo específico de países (EUA, Japão, Canadá e companhia). Pede-se pela app Australian ETA, com uma taxa de serviço de AUD 20.
- eVisitor (subclass 651). Também eletrónica, também rápida, mas gratuita e reservada a passaportes europeus, incluindo toda a UE. Pede-se pelo ImmiAccount. É a porta do português.
- Visitor visa (subclass 600). O visto de visitante "tradicional", pago, para nacionalidades que não se encaixam nas duas portas acima. Tem taxa, formulário detalhado e análise demorada. Pede-se pelo ImmiAccount.
A regra que resume tudo: se o seu passaporte está na lista europeia, usa eVisitor. Se está na lista da ETA, usa ETA. Se não está em nenhuma, usa o Visitor visa 600. Para Portugal e para a UE, a resposta é sempre a primeira: eVisitor, gratuito.
eVisitor (subclass 651): a sua porta, e é de graça
Este é o seu visto. O eVisitor é uma autorização eletrónica ligada ao número do passaporte, sem nada colado nas páginas. É gratuito — zero taxa de governo, ao contrário de praticamente todos os outros vistos do país. Vale por 12 meses a partir da concessão, permite múltiplas entradas e estadas de até 3 meses por visita.
Quem tem direito: passaportes de toda a União Europeia — Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Países Baixos, Irlanda, e por aí — mais Reino Unido, Suíça, Noruega, Islândia, Liechtenstein, Andorra, Mónaco, São Marino e Vaticano. Se viaja com passaporte português, está dentro sem discussão.
Como funciona: pede-se online, pelo sistema ImmiAccount do Department of Home Affairs. Cria a conta, preenche um formulário curto com os dados do passaporte e algumas perguntas de carácter (antecedentes, saúde), submete, e na esmagadora maioria dos casos a aprovação chega em horas ou poucos dias, por email. Não há formulário em papel, não há entrevista, não há documentos a anexar para um turista comum. É a definição de visto simples.
Uma nota importante para a diáspora dos PALOP. Quem tem dupla nacionalidade portuguesa — e muita gente em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé tem — deve viajar e pedir o eVisitor com o passaporte português (ou de outro país da UE). É grátis e rápido. Já quem viaja apenas com passaporte angolano, moçambicano, cabo-verdiano, guineense ou são-tomense não tem direito ao eVisitor: para esses passaportes, o caminho é o Visitor visa 600, pago. Verifique sempre a elegibilidade da sua nacionalidade antes de planear.
ETA (subclass 601): o equivalente para outras nacionalidades
A ETA é a prima do eVisitor para um grupo diferente de países. É também uma autorização eletrónica ligada ao número do passaporte, válida por 12 meses, com múltiplas entradas e estadas de até 3 meses por visita. A diferença é que tem uma taxa de serviço de AUD 20 para usar a app — o eVisitor não tem.
Desde 2022, a ETA só se pede por um caminho: a app oficial Australian ETA (iOS e Android). Não há site, não há formulário web, não há agência. Faz-se o download da app, lê-se o chip do passaporte com o telemóvel, paga-se os AUD 20 e, na maioria dos casos, a aprovação chega depressa.
Quem usa a ETA: passaportes de Estados Unidos, Japão, Canadá, Singapura, Coreia do Sul, Malásia, Hong Kong (RAE), Brunei, entre outros. É uma lista curta de países com acordo específico com a Austrália, distinta da lista europeia do eVisitor.
Para o português, a ETA é irrelevante. Não só o seu passaporte não está na lista da ETA, como nem faria sentido pagar AUD 20 quando o eVisitor cobre exatamente a mesma coisa de graça. Se algum site lhe sugerir a "ETA para portugueses", está a vender-lhe algo que não existe e que, mesmo existindo, seria pior do que o que tem por direito.

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Curadoria Voyspark
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