Desde 2023 o Vietname abriu o e-Visa a praticamente o mundo inteiro, com estadia até 90 dias e opção de entrada única ou múltipla. Para o passaporte português, é o caminho — e aqui há uma reviravolta que apanha quase toda a gente. Vizinhos europeus como Espanha, França, Itália e Alemanha estão isentos de visto até 45 dias, mas Portugal não entrou nessa lista. O cidadão português precisa mesmo do e-Visa. Preenche online, anexa fotografia e passaporte, paga com cartão e em poucos dias recebe a autorização por e-mail, sem pisar num consulado. O problema não é o processo. É a fraude. Dezenas de sites intermediários fazem-se passar pelo oficial, cobram 70 a 150 dólares por algo que o governo vende por 25, e alguns desaparecem com o seu dinheiro. Este guia mostra o único site verdadeiro, o passo a passo real, a diferença entre entrada única e múltipla, a lista de pontos habilitados e os erros que o barram no balcão de imigração.
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O Vietname passou a década inteira a facilitar a vida ao turista. Em Agosto de 2023 deu o passo mais ousado: abriu o e-Visa a cidadãos de todos os países e territórios, esticou a estadia de 30 para até 90 dias e passou a oferecer entrada múltipla. Preenche um formulário online, anexa fotografia e passaporte digitalizado, paga com cartão e recebe a autorização por e-mail. Sem consulado, sem fila, sem enviar o passaporte pelo correio. Para o passaporte português, funciona bem.
E aqui vem a reviravolta que vale a pena saber logo no início. O Vietname isenta de visto vários países europeus por estadias até 45 dias — Espanha, França, Itália, Alemanha, países nórdicos e, desde Agosto de 2025, uma dúzia de novos como Bélgica, Países Baixos, Polónia ou Suíça. Portugal ficou de fora. É uma das poucas excepções da Europa ocidental. Se um amigo espanhol lhe disser que "para o Vietname não é preciso visto", ele tem razão — para o passaporte dele. Para o seu, não. O passaporte português precisa do e-Visa. Não é drama nenhum: o processo é simples, barato e online. Mas é preciso fazê-lo, e há quem chegue ao aeroporto a contar com uma isenção que não tem.
Então porque é que tanta gente se atrapalha? Por causa da fraude. Escreve "visto Vietname online" no Google e os primeiros resultados — pagos, em destaque — são sites de empresas intermediárias com cara de oficial. Estrela amarela, bandeira vermelha, "Vietnam Government Visa". Cobram 70, 100, às vezes 150 dólares por um e-Visa que o governo vietnamita vende por 25. Alguns entregam (atrasado). Outros desaparecem com o seu dinheiro e com os dados do seu passaporte.
Este guia tem um objectivo prático: levá-lo ao site verdadeiro, mostrar o processo real e tirá-lo das armadilhas. Sem vender consultoria, sem link de afiliado, sem "facilitador". Faz tudo sozinho em meia hora.
O único site oficial: evisa.gov.vn
Memorize: evisa.gov.vn. Termina em .gov.vn, o domínio do governo vietnamita. É o único lugar onde o e-Visa de turismo é emitido pelo valor oficial. O sistema também responde pelo endereço completo evisa.xuatnhapcanh.gov.vn — "xuat nhap canh" é "imigração" em vietnamita, o nome do Departamento de Imigração que opera o serviço.
O caminho dentro do site pode mudar de aspecto, mas a raiz nunca muda: gov.vn. Se o domínio não termina em gov.vn, não é o governo.
Como reconhecer um site falso:
- Domínios do tipo
vietnam-visa.org,evisa-vietnam.com,vietnamvisa.gov.com,vietnamimmigration.org,vietnam-evisa.net. Nenhum destes é oficial. Cuidado especial com.gov.come.org— parecem oficiais e não são. - Anúncios pagos no topo do Google ("Patrocinado"). O site oficial raramente paga publicidade. Os primeiros resultados costumam ser intermediários.
- Preços inflacionados: se lhe pediram mais de 50 dólares pelo turismo padrão, é intermediário.
- "Taxa de serviço", "processamento urgente", "garantia de aprovação", "apoio 24h" embutidos no preço. O governo cobra a taxa do visto. Ponto final.
- Pressa artificial: "aprovação em 30 minutos", "só hoje". O e-Visa a sério leva dias e não tem promoção.
Os intermediários não são todos criminosos — alguns só revendem caro um serviço que faria de graça. Mas há fraudes puras pelo meio, que ficam com o seu dinheiro ou copiam os dados do seu passaporte. Para si, o resultado é o mesmo: pagou caro à toa, ou pior. Vá directo a evisa.gov.vn.
Precisa de e-Visa ou está isento? A primeira pergunta (e a surpresa portuguesa)
O Vietname isenta de visto cidadãos de vários países por períodos de 15 a 45 dias. A lista de 45 dias inclui boa parte da Europa ocidental: Espanha, França, Itália, Alemanha, os países nórdicos, o Reino Unido. Desde Agosto de 2025 alargou-se ainda a Bélgica, Bulgária, Croácia, República Checa, Hungria, Luxemburgo, Países Baixos, Polónia, Roménia, Eslováquia, Eslovénia e Suíça. Quem é desses países entra apenas com o passaporte, sem qualquer papel.
Portugal não entrou nessa lista em 2026. É uma das poucas excepções da Europa ocidental, e é exactamente por isso que tanta gente se engana: parte do princípio de que "Europa = isenção" e descobre tarde demais que não é o caso. O cidadão português precisa de visto para entrar no Vietname — e o caminho natural é o e-Visa. Não vale ler num fórum estrangeiro que "não é preciso visto para o Vietname": isso aplica-se a quem tem passaporte espanhol, francês, alemão ou de outro país isento, não ao seu.
A isenção, de resto, é mais restrita do que parece mesmo para quem a tem. Quem é isento por 45 dias e quer ficar mais tempo precisa, ainda assim, de um visto. E há regras de intervalo entre entradas em alguns casos. Para o passaporte português, porém, a conversa é simples: tira o e-Visa. E há um lado bom nisto — o e-Visa dá-lhe até 90 dias, o triplo dos 45 dias de isenção que os vizinhos têm. Quem quer ficar uma temporada longa no Vietname acaba por estar em melhor posição com o e-Visa do que com a isenção dos outros.
e-Visa, visa on arrival ou consulado? A diferença que importa
O Vietname tem três caminhos para a entrada de quem não está isento. Saber qual é o seu evita pagar a mais, ser barrado ou perder tempo.
| e-Visa | Visa on Arrival (VOA) | Visto consular (autocolante) | |
|---|---|---|---|
| Onde se pede | Online, evisa.gov.vn | Online (carta) + balcão no aeroporto | Embaixada/consulado, presencial ou correio |
| Documento | PDF no e-mail | Carimbo colado no aeroporto | Autocolante colado no passaporte |
| Antes de viajar | Visto pronto no e-mail | É preciso uma carta de aprovação obtida antes | Visto pronto no passaporte |
| Prazo | 3 a 5 dias úteis | Carta em 2 a 5 dias úteis | 1 a 3 semanas |
| Onde vale entrar | Aeroportos, terra e mar habilitados | Só por via aérea | Qualquer ponto autorizado |
| Custo | 25 / 50 dólares (governo) | Carta (intermediário) + taxa de carimbo 25/50 dólares no balcão | Mais caro, varia |
| Para quem | Turista padrão | Caso raro hoje | Estadia longa, trabalho, estudo |
Para 95% dos turistas portugueses, o e-Visa resolve. É o mais barato, o mais previsível e o único 100% online, pago directamente ao governo.
O visa on arrival ainda existe, mas perdeu o sentido para o turista comum. Não é "chegar e pedir": precisa, antes de embarcar, de uma carta de aprovação (approval letter) emitida por uma agência licenciada no Vietname — quase sempre um intermediário pago. Com a carta, faz fila no balcão de imigração do aeroporto, entrega fotografia e formulário, paga a taxa de carimbo (stamping fee, 25 dólares para entrada única, 50 dólares para múltipla) e espera. E o VOA só funciona por via aérea. Comparado ao e-Visa, é mais caro, mais lento no aeroporto e dependente de terceiros. Use-o só se houver um motivo muito específico.
O visto consular é para quem vai estudar, trabalhar com remuneração, fazer jornalismo, missão diplomática ou ficar muito para além dos 90 dias. Para férias, é desnecessário. Há ainda um pormenor logístico: não existe embaixada nem consulado do Vietname em Portugal, pelo que a via consular obrigaria a tratar do assunto através de uma representação noutro país. Mais uma razão para o e-Visa ser o caminho natural.
Se vai aterrar em Hanói ou em Ho Chi Minh, ver a baía de Ha Long, Hoi An, o delta do Mekong e voltar, é e-Visa. Sem dúvida.

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Curadoria Voyspark
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Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.
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