Vancouver est la ville canadienne qui a décidé, délibérément, de ne pas être européenne. Adossée au Pacifique à l'extrémité sud-ouest de la Colombie-Britannique, elle a grandi comme port forestier dès 1886 et, en un peu plus d'un siècle, est devenue la métropole la plus multiculturelle par habitant du monde occidental : plus de 50 % de la population est née hors du Canada, avec mandarin, pendjabi, tagalog et cantonais qui rivalisent avec l'anglais dans les rues. Stanley Park (1 000 acres de forêt primaire en plein centre-ville, créé en 1888) est plus vaste que Central Park.
Stanley Park é o coração geográfico e simbólico da cidade — uma península inteira de 405 hectares (1.000 acres) ligada ao downtown por uma ponte só, coberta por floresta primária de cedros gigantes (Western Red Cedar de 500-800 anos), trilhas, praias e uma muralha marítima (Seawall) de 28 km que dá a volta completa ao parque colada na água. Foi criado em 1888, apenas dois anos depois da fundação oficial de Vancouver, sob protesto dos madeireiros que queriam derrubar tudo. Hoje é território cerimonial reconhecido de três Primeiras Nações — Musqueam, Squamish e Tsleil-Waututh — que habitavam a região há pelo menos 9.000 anos antes de qualquer europeu. O conjunto de postes totêmicos em Brockton Point (nove peças instaladas em 1920) é o monumento indígena mais visitado da Colúmbia Britânica.
A bússola gastronômica de Vancouver aponta para o Pacífico Asiático, não para a Europa. Richmond, o subúrbio do sul, é 50% chinês de origem (sobretudo Hong Kong, Cantão e Taiwan) e abriga o que críticos do New York Times e do Eater já chamaram, repetidamente, do "melhor dim sum fora da Ásia" — restaurantes como Sun Sui Wah, Chef Tony e HK BBQ Master operam em padrões equivalentes aos de Hong Kong real. O Richmond Night Market (maio a outubro, sextas a domingos) reúne 100+ barracas de comida de rua taiwanesa, malaia, coreana e japonesa, com 8.000 pessoas por noite. Em Vancouver propriamente dita, Chinatown (a segunda maior da América do Norte, depois de SF) ainda funciona, e Granville Island Public Market — instalado num antigo polo industrial de 1979 — concentra os melhores produtores de salmão defumado, queijos BC, pão artesanal e café de specialty da costa oeste.
A geografia entrega o que nenhuma outra grande cidade norte-americana entrega: ski de manhã, praia à tarde, no mesmo dia, no mesmo cartão de transporte. As três montanhas de North Shore — Cypress, Grouse e Seymour — ficam a 25-40 minutos de carro do downtown, com pistas de ski operando de dezembro a março. Whistler-Blackcomb, sede da Olimpíada de Inverno de 2010 e considerada uma das três melhores estações de ski do mundo, está a apenas 2 horas (120 km) pela Sea-to-Sky Highway 99 — uma das estradas cênicas mais bonitas do continente, recortada entre fiordes, geleiras e quedas d'água. No verão, as mesmas montanhas viram trilhas, bike parks e mirantes (Grouse Grind, Lions Binkert Trail), e as praias urbanas — Kits Beach, English Bay, Spanish Banks, Wreck Beach (nudista) — oferecem pôr-do-sol Pacífico com vista direta para a península da Ilha de Vancouver.
A chuva é o pacto. Vancouver registra cerca de 165 dias de chuva por ano, concentrados de outubro a maio, e a cidade aceitou isso como identidade: cafés de specialty (49th Parallel, Revolver, Prototype), livrarias indie de bairro, leitura em poltrona com vista para o pingar do Pacífico. Mas o pacto vem com um prêmio rigoroso: o verão de Vancouver, de meados de junho a meados de setembro, é estatisticamente o melhor verão da costa oeste norte-americana — 22°C médios, umidade baixa, sol até as 21h, sem mosquitos, sem furacões, sem inundações. Junho-setembro é quando os hotéis ficam lotados, as bicicletas de aluguel acabam às 9h da manhã, e o pôr-do-sol no Sunset Beach às 21h vira ritual coletivo. Quem decide ir, vai entre junho e setembro. Quem encara o resto do ano, ganha tarifas 40-60% menores e descobre que a cidade tem alma de inverno também.
Sélection Voyspark · mise à jour chaque mois par notre rédactrice résidente à Vancouver.