Tirar ou renovar o passaporte brasileiro em 2026 custa R$ 257,25 de taxa (GRU) e sai em cerca de 6 dias úteis depois do atendimento na Polícia Federal — e "renovar" não existe: é uma nova emissão do zero, com os mesmos documentos e a mesma foto tirada no posto. Este guia mostra o passo a passo pelo gov.br, os documentos exigidos, as regras para menores, o passaporte de emergência e por que muitos países só te deixam entrar com 6 meses de validade sobrando.
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Tem uma verdade sobre o passaporte brasileiro que ninguém te conta no balcão da agência de viagem: ele é mais fácil de tirar do que dizem, e mais fácil de deixar vencer do que você imagina. Todo mês milhares de brasileiros descobrem, três semanas antes do voo, que o documento expirou — ou que aquele país exige validade que eles não têm. O passaporte não avisa. Ou melhor: avisa por e-mail uns 8 meses antes, e ninguém lê.
Este guia é para você não ser essa pessoa.
Vamos cobrir tudo — quanto custa de verdade em 2026, quanto tempo demora, o que a Polícia Federal exige, o que fazer com menor de idade, o que é passaporte de emergência, e a armadilha da validade de 6 meses que barra gente no embarque. Números reais, prazos reais, e onde confirmar cada um deles na fonte oficial. Sem "descubra o segredo", porque não há segredo. Há burocracia previsível — e previsível é bom.
Quem emite: é a Polícia Federal, e só ela
O passaporte comum brasileiro é emitido pela Polícia Federal. Não é cartório, não é o Ministério das Relações Exteriores (que só cuida de brasileiros no exterior, via consulados), não é despachante. Qualquer serviço que se apresente como "emissor de passaporte" e não seja a PF está, na melhor hipótese, cobrando para preencher um formulário que você preenche sozinho em 15 minutos.
O processo é híbrido: começa online, no gov.br e no site de serviços da PF (servicos.pf.gov.br), e termina presencialmente num posto da Polícia Federal, onde você tira a foto, dá as digitais e assina. A foto é tirada no posto — você não leva foto 3x4, não precisa de fotógrafo. É a PF que fotografa, com o padrão biométrico dela.
Quanto custa o passaporte em 2026: a taxa (GRU) real
A taxa oficial de emissão do passaporte comum em 2026 é de R$ 257,25. Esse é o valor da GRU (Guia de Recolhimento da União), o boleto que você gera e paga antes de agendar. É o mesmo preço para adulto e para criança — não há desconto por idade.
Ela pode ser paga em qualquer banco, internet banking, aplicativo ou lotérica, até a data de vencimento da guia. Enquanto não paga, você não consegue agendar o atendimento. O pagamento leva algumas horas (às vezes até um dia útil) para ser reconhecido no sistema — então não deixe para gerar e pagar a GRU na véspera de tentar agendar.
Alguns valores extras que valem conhecer, todos vigentes no início de 2026:
- Passaporte comum: R$ 257,25
- Passaporte de emergência: R$ 334,42 (a taxa comum acrescida de R$ 77,17)
- Reemissão por perda, furto, roubo ou extravio: R$ 514,50 (o dobro da taxa comum, como penalidade por não ter apresentado o documento anterior)
Um aviso de honestidade: houve ao longo de 2026 conversas sobre um reajuste da taxa comum para algo em torno de R$ 430. No início do ano o valor vigente seguia R$ 257,25, mas confirme sempre o valor atual na hora de gerar a GRU, direto no site da Polícia Federal (servicos.pf.gov.br). Taxa é o tipo de número que muda por portaria, sem alarde. Não pague guia antiga achando que o preço é o de um post de blog de meses atrás — inclusive este.
O passo a passo pelo gov.br e site da PF
O fluxo é sempre o mesmo, para primeira via ou "renovação":
- Entre com sua conta gov.br. Se você já usou o app gov.br para qualquer coisa (imposto, INSS, CNH digital), é a mesma conta. Quanto mais alto o nível da conta (prata ou ouro), menos fricção.
- Preencha o formulário de solicitação no site de serviços da PF. São seus dados pessoais, endereço, e informações do documento de identidade.
- Gere e pague a GRU (R$ 257,25). Guarde o comprovante.
- Aguarde a compensação do pagamento — algumas horas a um dia útil.
- Agende o atendimento presencial. Você escolhe a unidade da PF, a data e o horário disponíveis. Aqui está o gargalo real (mais sobre isso abaixo).
- Compareça pessoalmente no dia e hora marcados, com todos os documentos originais. A PF confere os papéis, tira sua foto, coleta as digitais e a assinatura.
- Retire o passaporte no mesmo posto quando ficar pronto — ou, em alguns casos, receba por outro meio conforme a unidade. A retirada também é presencial na maioria dos postos.
O agendamento é feito exclusivamente pelo site da PF. Não existe agendamento por telefone, por WhatsApp, nem por sites de terceiros que cobram por isso. Se um site pede pagamento "para agendar", é intermediário — o agendamento oficial é gratuito.
Documentos exigidos para maiores de 18 anos
Leve tudo original. A PF confere no balcão, e um documento faltando significa remarcar — e perder a vaga que você esperou semanas para conseguir. Para maiores de 18 anos:
- Documento de identidade original com foto: RG, ou CNH válida, ou carteira de trabalho com foto, ou outro documento de identificação civil válido. CNH vencida não vale como identidade.
- CPF: pode estar impresso no próprio RG/CNH, ou em documento separado. Se o número já consta na identidade, está resolvido.
- Título de eleitor com quitação eleitoral: para maiores de 18 anos. Você não precisa levar o título físico, mas precisa estar quitado com a Justiça Eleitoral (sem multas ou pendências de votação). Confira sua situação no site do TSE antes.
- Comprovante de quitação do serviço militar: obrigatório para homens de 18 a 45 anos. É o certificado de reservista, de dispensa ou equivalente.
- Comprovante de residência: em geral pedido para confirmar endereço.
A foto e a assinatura digital são feitas no posto. Você não leva foto. Vá com aparência "de documento": sem óculos escuros, sem chapéu, cabelo fora do rosto. Piercings e maquiagem pesada às vezes geram pedido de retirar — não é regra rígida, mas evite dor de cabeça.
"Renovar" o passaporte não existe — e isso muda seu planejamento
Aqui está o ponto que mais confunde brasileiro: não existe renovação de passaporte no Brasil. Não há um processo simplificado, mais barato ou mais rápido para quem já teve passaporte. Quando o seu vence (ou está para vencer), você faz uma nova emissão, do zero: mesmo formulário, mesma taxa de R$ 257,25, mesmos documentos, nova foto e nova biometria no posto.
O passaporte antigo, vencido, é seu — você pode guardar de recordação, e ele até serve para comprovar viagens anteriores em alguns pedidos de visto. Mas ele não é "atualizado". É substituído por um novo, com novo número.
Consequência prática: não deixe para a última hora achando que "renovar é rápido". Renovar tem exatamente o mesmo prazo e a mesma fila de uma primeira emissão. Se o seu vence em 2026 e você viaja no mesmo ano, comece o processo com pelo menos 1 a 2 meses de folga — mais, se for temporada alta (dezembro-fevereiro e julho lotam os postos).
Prazo de emissão e retirada: o que esperar de verdade
A regra oficial é de cerca de 6 dias úteis após o atendimento presencial para o passaporte ficar pronto. Alguns postos e comunicações citam até 7 dias úteis. Na prática, muita gente recebe antes — mas planeje pelo prazo cheio, nunca pelo melhor caso.
Importante entender o que conta como prazo. Os 6 dias úteis começam depois do atendimento presencial (foto e biometria), não a partir do dia em que você pagou a GRU. E o gargalo verdadeiro não é a produção do documento — é conseguir a data de agendamento. Em cidades grandes e em alta temporada, a primeira vaga disponível pode estar a duas, três, quatro semanas de distância. Some isso ao prazo de emissão e você entende por que "tirei em cima da hora" costuma virar "perdi a viagem".
Somando tudo, o cronograma realista para quem não está com pressa:
- Formulário + GRU paga: 1 dia
- Espera pela vaga de agendamento: de poucos dias a 3-4 semanas (depende da cidade e da época)
- Atendimento presencial: o dia agendado
- Emissão: cerca de 6 dias úteis
- Retirada: presencial, quando avisado que está pronto
Do começo ao passaporte na mão, conte com 2 a 6 semanas em condições normais. Menos que isso, é sorte. Mais que isso, é alta temporada.
Validade: 10 anos para adultos, escalonado para crianças
Passaporte comum de maior de idade vale 10 anos. Simples.
Para menores, a validade é reduzida e proporcional à idade — porque a fisionomia de criança muda rápido e a foto perde utilidade para identificação. As faixas em 2026:
- Menor de 1 ano: validade de 1 ano
- De 1 a 2 anos (incompletos): 2 anos
- De 2 a 3 anos (incompletos): 3 anos
- De 3 a 4 anos (incompletos): 4 anos
- De 4 a 18 anos (incompletos): 5 anos
A validade começa a contar da data do atendimento presencial (coleta de biometria), não da data de retirada nem da viagem. E é improrrogável — não se estende, não se renova. Quando acaba, nova emissão.
Um detalhe que salva: o Brasil manda um e-mail de alerta cerca de 8 meses antes do vencimento. Se você cadastrou um e-mail que ainda usa, você será avisado. Se cadastrou aquele e-mail de 2015 que ninguém abre, você não será. Vale anotar você mesmo a data de validade na agenda do celular — no dia em que o passaporte fizer 9 anos e 6 meses, se maior de idade, já comece a pensar na substituição.
A armadilha da validade de 6 meses
Este é o erro que mais barra brasileiro no aeroporto, e ele não tem nada a ver com o passaporte estar vencido. Dezenas de países exigem que seu passaporte tenha pelo menos 6 meses de validade contados a partir da data de entrada. Ou seja: mesmo com o documento válido, se faltarem menos de 6 meses para vencer, o país pode te barrar — e a companhia aérea pode nem te deixar embarcar, porque a multa por transportar passageiro que será recusado é dela.
Entre os destinos que aplicam a regra dos 6 meses estão Austrália, Canadá, China, Egito, Índia e Tailândia, além de vários outros. Não é uma lista curta nem óbvia.
A Europa é a exceção que confunde. Para o Espaço Schengen (França, Espanha, Itália, Alemanha, Portugal e os demais), a regra formal é ter validade de pelo menos 3 meses além da data prevista de saída do bloco. Mas — e este "mas" é grande — muitas companhias aéreas e agentes de imigração exigem os 6 meses na prática, por segurança. Ou seja: a lei diz 3, mas o balcão do check-in pode te exigir 6.
Os Estados Unidos são mais folgados: exigem que o passaporte seja válido durante toda a estadia, sem margem extra obrigatória. Mas mesmo lá, margem de sobra evita susto.
A regra de bolso que resolve tudo isso: não viaje internacionalmente com menos de 6 meses de validade no passaporte. Se a data está apertada, faça a nova emissão antes de comprar a passagem. É mais barato refazer o documento do que perder o voo.
Passaporte para menores de idade: as regras que travam gente no balcão
Passaporte de criança tem o mesmo custo (R$ 257,25) e o mesmo fluxo online — mas com exigências presenciais que pegam pais desavisados.
Documento de identidade da criança: certidão de nascimento serve como identidade até os 12 anos. A partir dos 12, o RG passa a ser obrigatório. Se seu filho tem 12+ e nunca tirou RG, resolva isso antes de agendar o passaporte.
Presença dos pais/responsáveis: a regra geral é que o menor e ambos os genitores (ou responsáveis legais) compareçam juntos ao posto no dia agendado, para assinar o formulário de autorização na frente do atendente. Não vale autorização assinada em casa e enviada. Se um dos pais não puder ir, há caminhos alternativos — autorização com firma reconhecida, ou autorização judicial em casos de guarda, ausência ou desacordo — mas eles exigem documentação extra e reconhecimento de firma. Confirme o procedimento exato no site da PF antes de agendar, porque isso varia por situação familiar e é a causa número um de atendimento remarcado.
O bom senso: se os pais são casados e presentes, vão os três, levam certidão de nascimento (ou RG, se 12+), documento de identidade dos pais, e resolvem em uma visita. Se a situação é mais complexa (pais separados, um no exterior, guarda unilateral), estude o caso na fonte oficial e monte a papelada antes.
Passaporte de emergência e de urgência: quando você não pode esperar
Existem dois caminhos acelerados, e eles não são a mesma coisa.
Passaporte de emergência: válido por 1 ano, entregue em até 24 horas. Custa R$ 334,42 (a taxa comum + R$ 77,17). Ele não é para quem simplesmente se atrasou — é para necessidade urgente e comprovada de viagem que não pode aguardar o prazo regular. As situações reconhecidas incluem ajuda humanitária, interesse da administração pública, catástrofes naturais, conflitos armados e outras emergências graves. Você precisa comprovar a urgência, e nem todo posto emite — em várias capitais, só uma unidade específica faz passaporte de emergência. A validade curta (1 ano) é o preço da pressa.
Passaporte de urgência: válido por até 10 anos (como o comum), entregue em até 72 horas úteis. É para quem comprova que não pode aguardar os ~6 dias úteis regulares, mas tem um pouco mais de margem que o caso emergencial. Também depende de comprovação e de disponibilidade da unidade.
Em ambos os casos, o requerente precisa já satisfazer todas as exigências normais de documentação — a pressa não dispensa título de eleitor, CPF, reservista etc. E, dependendo da unidade e da situação, pode haver atendimento sem agendamento prévio para casos emergenciais comprovados. Não conte com isso como plano A: é rede de segurança, não atalho de conveniência.
Vale lembrar: idosos (60+), gestantes, lactantes, pessoas com deficiência, pessoas com crianças de colo e obesos têm direito a atendimento prioritário por lei (Lei 10.048/2000) em qualquer posto. Isso não acelera a emissão, mas encurta a fila no dia.
2ª via, perda e roubo
Se você perdeu o passaporte, foi furtado ou roubado, ou o documento se danificou, o caminho é o mesmo de uma nova emissão — porque, de novo, tudo é nova emissão. A diferença está no bolso: a reemissão nesses casos custa R$ 514,50, o dobro da taxa comum. É uma penalidade por não apresentar o documento anterior.
Em caso de roubo ou furto, registre um boletim de ocorrência — ele é útil para o processo e essencial se o extravio aconteceu no exterior (aí a via é o consulado brasileiro mais próximo). Se você reencontrar o passaporte antigo depois de já ter pago a reemissão, o documento antigo fica inválido de qualquer forma; use o novo.
O plano honesto para 2026
Se você tira uma coisa deste guia, que seja o cronograma. O passaporte brasileiro é barato (R$ 257,25) e o processo é direto, mas ele não perdoa quem deixa para depois. As três datas que importam:
- A data da sua viagem — de onde tudo conta para trás.
- A validade que o destino exige — 6 meses sobrando, na dúvida.
- A folga para fila + emissão — 2 a 6 semanas em condição normal, mais em alta temporada.
Faça as contas hoje. Abra o site da Polícia Federal, confirme a taxa vigente, olhe a primeira vaga de agendamento na sua cidade, e cheque a validade do seu passaporte atual — se você tem um. Cinco minutos agora valem mais do que qualquer passaporte de emergência a R$ 334,42 na véspera do embarque.
Key points
A taxa (GRU) do passaporte comum é R$ 257,25 em 2026; emergencial R$ 334,42; e reemissão por perda/roubo R$ 514,50. Sempre confirme no site da PF antes de pagar.
"Renovar" passaporte brasileiro é um mito: não há renovação simplificada. É sempre uma nova emissão, com os mesmos documentos e nova foto no posto.
O prazo é de cerca de 6 dias úteis após o atendimento presencial — não conte com isso em cima da hora. Emergencial sai em até 24h, urgência em até 72h.
Frequently asked questions
A taxa (GRU) do passaporte comum é R$ 257,25 em 2026, igual para adultos e crianças. O emergencial custa R$ 334,42 e a reemissão por perda ou roubo, R$ 514,50. Houve discussão sobre reajuste ao longo do ano, então confirme o valor vigente no site da Polícia Federal antes de gerar a guia.
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Curadoria Voyspark
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Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.
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