Dividir despesa de grupo em viagem: Splitwise, Tricount ou folha de cálculo (testado) — imagem de capa

Dividir despesa de grupo em viagem: Splitwise, Tricount ou folha de cálculo (testado)

Seis pessoas, dez dias em Tóquio, três moedas, um jantar onde "só alguns comeram" — a app errada destrói amizades. Testámos Splitwise, Tricount, Settle Up, Google Sheets e Notion na vida real.

Com conta
Curadoria VoysparkporCuradoria Voyspark 07 de maio de 2026 13 min Atualizado em 12 de agosto de 2026

Splitwise é o padrão global mas trava no multimoeda do plano gratuito. Tricount é europeu e ganha em UX simples. Settle Up tem o melhor algoritmo de acerto. Google Sheets vence quando o grupo tem um nerd. Notion é onde projectos morrem. Fizemos a conta com seis amigos em Tóquio, ¥ + US$ + EUR, e há ferramenta certa para cada perfil de grupo.

13 min de leitura

O problema que ninguém quer admitir

TL;DRViagem em grupo morre por três motivos: alguém ressona, alguém atrasa, e ninguém quer falar de dinheiro. O terceiro mata mais amizades que os dois primeiros somados. Sai de Portugal com seis amigos para passar dez dias em Tóquio. Alguém pagou o táxi do aeroporto em iene.

Viagem em grupo morre por três motivos: alguém ressona, alguém atrasa, e ninguém quer falar de dinheiro. O terceiro mata mais amizades que os dois primeiros somados.

Sai de Portugal com seis amigos para passar dez dias em Tóquio. Alguém pagou o táxi do aeroporto em iene. Outro colocou o Airbnb no cartão em dólar. Um terceiro pagou jantar em yen com taxa cambial. No quarto dia, alguém pede ramen e dois saem antes. No sexto, dividem um jantar de EUR 320 onde duas pessoas só comeram entrada. No nono, ninguém se lembra mais quem pagou o quê.

A app errada, ou pior, nenhuma app, transforma o regresso a casa em folha de Excel com tom passivo-agressivo no grupo do WhatsApp. Já vi rolo de uma noite em Lisboa quebrar amizade de quinze anos.

Este texto é o teste real. Splitwise, Tricount, Settle Up, Google Sheets e Notion, com um grupo de seis pessoas, três moedas (¥, US$, EUR), dez dias de despesas misturadas, e a conciliação final que dói sempre.

Para o lado financeiro do câmbio em si, vale a pena ler Quanto dinheiro físico levar por país antes de fechar a mala.


O que uma app de divisão precisa de fazer (a sério)

TL;DRQuase toda a gente testa uma app pelo que ela faz bonito. Errado. Avalie pelo que ela faz quando aperta: Multimoeda em tempo real: viagem internacional tem ¥, US$, EUR no mesmo dia. A app converte com câmbio do dia da despesa, não do dia do acerto?

Quase toda a gente testa uma app pelo que ela faz bonito. Errado. Avalie pelo que ela faz quando aperta:

  1. Multimoeda em tempo real: viagem internacional tem ¥, US$, EUR no mesmo dia. A app converte com câmbio do dia da despesa, não do dia do acerto?
  2. Divisão por shares ou %: jantar onde dois pediram só entrada precisa ser dividido por shares (peso) ou %, não em partes iguais.
  3. Exclusão por participante: alguém perdeu o passeio? A app deixa marcar "esta despesa não inclui Fulano" em 2 toques?
  4. Algoritmo de acerto: no final, a app calcula o mínimo de transferências entre as pessoas, ou pede que todos paguem todos?
  5. Exportação: consegue descarregar CSV ou PDF para o grupo conferir antes de transferir?
  6. Integração banco/MB Way/Wise: a app tem botão para gerar pagamento ou link Wise directo?

Splitwise acerta 4 dos 6, mas o multimoeda em tempo real passou a pago. Tricount acerta 5 dos 6, falhando na integração banco. Settle Up acerta os 6, mas exige curva de aprendizagem.


Splitwise: o padrão, mas mais frágil em 2026

TL;DRSplitwise é a app que toda a gente já tem. Desde 2011, dominou o nicho. Tem versão web, iOS, Android, e foi a primeira a popularizar o conceito de "balance" (saldo) em vez de transacções individuais. Como funciona: cria-se um grupo, adicionam-se pessoas (por e-mail ou link), e cada despesa entra com quem pagou e como dividir.

Splitwise é a app que toda a gente já tem. Desde 2011, dominou o nicho. Tem versão web, iOS, Android, e foi a primeira a popularizar o conceito de "balance" (saldo) em vez de transacções individuais.

Como funciona: cria-se um grupo, adicionam-se pessoas (por e-mail ou link), e cada despesa entra com quem pagou e como dividir. A app mantém o saldo de cada um e, no final, sugere quem deve pagar a quem.

O que mudou desde 2024: o plano gratuito ficou apertado. Hoje tem limite de 3 despesas/dia no plano grátis. Em viagem real, isso estoura no primeiro dia de Tóquio (pequeno-almoço, almoço, jantar, táxi, bilhete — 5 despesas só em 12 horas).

Splitwise Pro: US$ 4/mês (~EUR 3,80) ou US$ 40/ano. Liberta despesas ilimitadas, conversão automática de moeda em tempo real, gráficos, OCR de recibo e backup. Em viagem de 10 dias, vale a pena se for o tesoureiro do grupo.

Onde vence: grupo misto onde algumas pessoas nunca usaram app de despesa. UX é a mais limpa do mercado, onboarding em 30 segundos.

Onde perde: grupo grande (8+ pessoas) em que ninguém quer pagar Pro. O plano grátis vai travar, alguém vai esquecer de lançar, e o saldo final fica errado.

Continue lendo

Este artigo é para quem está dentro

Registo grátis. Sem cartão. Em 30 segundos termina de ler.

  • Acesso a todos os artigos free
  • Salvar leituras em bookmarks
  • Comentar e seguir autores
Foto de Curadoria Voyspark

Sobre o autor

Curadoria Voyspark

2 anos no editorial Voyspark

Time editorial da Voyspark — escritores, repórteres, fotógrafos e fixers em Lisboa, Tóquio, Nova York, Cidade do México e Marrakech. Coletivo. Sem voz corporativa. Cada peça com checagem cruzada por um editor regional e um chef ou curador local.

Especialidades

slow-travelfoodiesustentabilidadecultureworkationfamily

Continue a leitura

Turismo dentário e médico 2026: a conta real, com os riscos que ninguém escreve — imagem do artigo

Travel Hacking · 16 min

Turismo dentário e médico 2026: a conta real, com os riscos que ninguém escreve

Um implante dentário completo em Istambul custa entre 400€ e 700€ em 2026, contra 1.200€ a 2.200€ em Portugal ou US$3.000 a US$5.000 nos Estados Unidos — mas a conta real soma voo, hotel, intérprete e, em até 15% dos casos segundo clínicas turcas, uma segunda viagem para corrigir o que não cicatrizou bem. A Hungria domina a cirurgia dentária complexa na Europa, a Tailândia lidera a cirurgia estética e bariátrica, o México atende os Estados Unidos pela proximidade. Este guia soma o procedimento, o voo, a estadia e o regresso — e diz que tratamentos não compensam sair de casa.

Bagagem de mão 2026: o que podes levar, líquidos e dimensões — imagem do artigo

Travel Hacking · 15 min

Bagagem de mão 2026: o que podes levar, líquidos e dimensões

Em 2026, a bagagem de mão padrão no Brasil vai até 10 kg e ronda os 55 x 35 x 25 cm (com rodas e alças), mas a GOL e a LATAM já trabalham com 12 kg em muitas tarifas — confirma sempre a tua. A regra dos líquidos no avião continua a ser 100 ml por frasco, dentro de um saco transparente de 1 litro, nos voos internacionais, mas dezenas de aeroportos europeus já aboliram esse limite. E o power bank passou a ter lei nova da ANAC: no máximo dois, sempre na mão, proibido carregá-lo a bordo.

Vacinas para viajar em 2026: quais tomar e que países exigem febre amarela — imagem do artigo

Travel Hacking · 15 min

Vacinas para viajar em 2026: quais tomar e que países exigem febre amarela

Só a febre amarela é legalmente exigida — 47 países pedem o CIVP, o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, com validade vitalícia e uma dose única. Tem de ser tomada 10 dias antes de embarcar, num Centro de Vacinação Internacional da DGS. Todas as outras (hepatite A e B, VASPR, febre tifoide, raiva) são recomendação, não exigência — e a malária é comprimido, não vacina.

My trip
Voyspark AI