Para o viajante brasileiro em 2026, os documentos dependem do destino: para o Mercosul, basta o RG físico em bom estado (emitido há menos de 10 anos); para a Europa/Schengen, passaporte válido, seguro de viagem de 30 mil euros e o novo ETIAS (20 euros, a partir do último trimestre de 2026); para o Reino Unido, passaporte mais o ETA (16 libras, a subir para 20 libras em abril de 2026); e para os EUA, passaporte com visto B1/B2 (taxa MRV de 185 dólares) — porque o Brasil não entra no ESTA. Este checklist mostra, país a país, o que é obrigatório, quanto custa e quando tratar.
14 min de leitura
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O documento de viagem é a parte mais maçadora do planeamento e a única que, se falhares, deita tudo a perder. Podes escolher o hotel errado e ainda assim ter uma boa viagem. Não podes embarcar sem o papel certo. A imigração não negoceia, não há esquema que valha, e o "não sabia" não conta ao balcão do check-in.
O problema é que a resposta para "de que preciso para viajar ao estrangeiro" mudou em 2026. Três novidades entraram em vigor ou estão prestes a entrar: o ETIAS na Europa, o ETA no Reino Unido e um piloto de via rápida para o visto americano. Muita informação que circula ainda está desatualizada. Este guia é por destino, com número, prazo e data — e deixa claro onde tens de confirmar a fonte oficial antes de comprares a passagem.
Uma regra que vale para tudo antes de começar: verifica hoje a validade do teu passaporte. Vários países exigem que ele tenha pelo menos 6 meses de validade a contar da data de entrada (alguns aceitam 3 meses no Schengen, mas o padrão seguro são 6). Um passaporte novo pela Polícia Federal demora de poucos dias a algumas semanas, consoante a delegação e a época — não deixes para a semana da viagem.
América do Sul e Mercosul: o teu RG é o passaporte
Esta é a boa notícia do continente. Para a Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia — e, na prática, também Peru, Equador, Colômbia e Venezuela — o brasileiro não precisa de passaporte. Basta o cartão de identidade. É o acordo de livre-trânsito do Mercosul e dos países associados.
Mas há letra miúda, e é aqui que se perdem voos:
- O RG tem de ser físico. Foto no telemóvel, PDF, cópia autenticada: nada disto serve na imigração.
- Tem de estar em bom estado de conservação. Um RG plastificado a descascar, rasurado, molhado ou com a fotografia apagada pode ser recusado — mesmo dentro da validade.
- A fotografia tem de permitir identificação clara. Aquele RG com a foto de quando tinhas 12 anos e hoje já usas barba? A Polícia Federal avisa que documentos emitidos há mais de 10 anos podem ser barrados. Se o teu é antigo, tira um novo ou leva o passaporte.
Sobre a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN): também serve como documento de viagem no Mercosul. A expectativa é que passe a ser aceite nas fronteiras a partir de agosto de 2026. Atenção: a versão digital não substitui a física para viagem internacional — precisas do cartão em mão. E não há aflição de prazos: o RG tradicional continua válido em todo o país e a CIN só se torna obrigatória a 1 de março de 2032. Até lá, os dois valem.
Conselho honesto: mesmo podendo viajar só com o RG, se já tens passaporte, leva-o. É o documento que hotéis, empresas de aluguer e companhias aéreas entendem sem discussão, e evita o embaraço se calhares num agente de fronteira mais rígido.
Europa / Schengen: o ano em que tudo mudou
O Espaço Schengen reúne a maior parte da Europa continental que o brasileiro visita — Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Países Baixos, Grécia e mais de 20 outros. A regra de base continua boa: o brasileiro não precisa de visto para turismo até 90 dias dentro de qualquer janela de 180 dias. O que muda em 2026 é aquilo que tens de levar junto do passaporte.
1. Passaporte válido. Recomendação de segurança: pelo menos 3 a 6 meses de validade para além da data prevista de saída. Não arrisques na margem.
2. Seguro de viagem de 30 mil euros — obrigatório. Isto não é dica de blogue, é um requisito formal do Schengen. A cobertura mínima é de 30.000 euros para despesas médicas, hospitalares e de repatriamento, válida em todos os países do bloco e por toda a duração da viagem. A imigração pode pedir o comprovativo e, sem ele, a tua entrada pode ser recusada. Na prática, muita gente passa sem que peçam — mas basta calhar o fiscal do dia errado para se tornar num pesadelo. O custo é baixo perto do risco: a partir de cerca de 7 reais por dia de viagem. Um plano de 10 dias fica por volta de 70 a 150 reais. Não há razão racional para viajar sem.
3. ETIAS — a novidade de 2026. O ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem) é uma autorização eletrónica que o brasileiro vai precisar de tratar antes de embarcar. Não é visto — é um registo prévio online, à semelhança do ESTA americano ou do ETA britânico.
Os números que precisas de saber:
- Quando arranca: último trimestre de 2026 (mais provavelmente outubro ou novembro). A data exata ainda não foi fixada pela Comissão Europeia — confirma no site oficial
travel-europe.europa.euantes de contares com ela. - Quanto custa: 20 euros por pessoa. Isento para viajantes com menos de 18 ou mais de 70 anos.
- Período de transição: haverá uma janela de tolerância de cerca de 6 meses após o lançamento. Nessa fase, quem se esquecer do ETIAS não é barrado automaticamente. A obrigatoriedade plena deverá valer apenas por volta de abril de 2027. Ou seja: durante boa parte de 2026 ainda dá para viajar à Europa sem ETIAS — mas não contes com isso se a tua viagem for já perto da viragem.
- Validade: cada autorização vale vários anos (a previsão é de até 3 anos ou até o passaporte caducar, o que vier primeiro) e serve para múltiplas entradas.
O ETIAS não altera a regra dos 90/180 dias e não garante a entrada — o agente de fronteira continua a ter a última palavra. É apenas mais uma camada de controlo. O pedido é online, leva poucos minutos, e a maioria é aprovada em pouco tempo. Erro comum a evitar: sites piratas que cobram 60 ou 80 euros pelo ETIAS. O valor oficial são 20 euros e só existe um site oficial. Desconfia de qualquer "serviço de agilização".
Reino Unido: parece Europa, mas é outra história
Muita gente ainda pensa que o Reino Unido é Schengen. Não é — nunca foi, e depois do Brexit muito menos. Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm regra própria.
Em 2026, o brasileiro precisa de:
1. Passaporte válido. O padrão recomendado é ter pelo menos 2 anos de validade, embora tecnicamente baste até à data da viagem.
2. ETA (Electronic Travel Authorisation). Tal como a Europa, o Reino Unido passou a exigir uma autorização eletrónica prévia. Os números:
- Custo: 16 libras até ao fim de março, a subir para 20 libras a partir de abril de 2026. Se a tua viagem é depois de abril, orça 20 libras.
- Validade: 2 anos, com múltiplas entradas, cada estada limitada a até 6 meses.
- O que cobre: turismo, visita a família, estudo de curta duração, reuniões de negócios e tratamento médico.
- Prazo: a aprovação costuma sair em até 3 dias úteis, mas trata com folga. A aplicação oficial "UK ETA" e o site
gov.uksão os únicos canais legítimos.
Precisas de foto recente, passaporte, um cartão ou Apple/Google Pay e um email. Leva menos de 20 minutos. Uma vez mais: cuidado com os sites intermediários que cobram três vezes o valor por um formulário que tu próprio preenches.
Estados Unidos: o visto que dá mais trabalho
Aqui não houve facilitação. O brasileiro precisa de visto de turista B1/B2 para entrar nos EUA, e o processo envolve entrevista presencial no consulado. Ponto importante que confunde muita gente:
O ESTA não serve para brasileiros. O ESTA é a autorização eletrónica do programa Visa Waiver, e o Brasil não faz parte desse programa. Se tiveres uma segunda nacionalidade elegível (Portugal, Itália, Espanha, Chile e outros países do Visa Waiver), aí sim podes usar o ESTA com esse passaporte. Com passaporte brasileiro, é visto B1/B2 e ponto final.
Os números de 2026:
- Taxa MRV: 185 dólares por pessoa, algo à volta de 1.000 a 1.100 reais consoante o câmbio consular. É a única taxa obrigatória do governo americano para o B1/B2. Não é reembolsável — se o visto for recusado, não recebes o dinheiro de volta.
- Tempo de espera: o estrangulamento é a marcação da entrevista, que vai de semanas a vários meses consoante o consulado (São Paulo, Rio, Brasília, Recife e Porto Alegre têm filas diferentes). Depois de aprovado, o passaporte com o visto volta em 3 a 5 dias úteis.
- Via rápida (nova em 2026): o Departamento de Estado abriu um programa-piloto que permite antecipar a entrevista pagando 750 dólares adicionais. Vale de 1 de julho a 31 de dezembro de 2026, e depois o governo decide se o mantém. É caro e opcional — só faz sentido para quem tem viagem marcada e apanhou fila longa.
- Renovação sem entrevista: se o teu visto americano caducou há até 12 meses (regra que pode mudar — confirma no consulado), dá para renovar com dispensa de entrevista, mais depressa.
Trata do visto americano com meses de antecedência. É, de longe, o documento mais demorado da lista.
Outros destinos: visto ou isenção?
Fora dos grandes blocos, a regra é caso a caso. O passaporte brasileiro é forte e abre muita porta sem visto, mas há exceções que apanham gente desprevenida:
- Isenção de visto (turismo curto): Japão, Coreia do Sul, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, México, Turquia, boa parte do Sudeste Asiático e quase toda a América Latina.
- Autorização eletrónica prévia (tipo ETIAS/ETA): Austrália (ETA/eVisitor), Nova Zelândia (NZeTA + taxa turística IVL), Sri Lanka, entre outros. Não é visto tradicional, mas tens de te registar antes.
- Visto obrigatório: Estados Unidos (já vimos), China (embora haja isenções de trânsito nalgumas cidades), Índia (e-Visa online), Rússia e vários países de África.
A fonte definitiva é sempre o consulado ou a embaixada oficial do país de destino. Sites de "requisitos de visto" ajudam a ter uma noção, mas não substituem a página oficial. Confirma com semanas de antecedência: o e-Visa da Índia leva alguns dias, o visto chinês exige marcação e documentos físicos.
Os documentos transversais que valem para qualquer viagem
Independentemente do destino, estes salvam (ou afundam) a viagem. Muita gente foca-se no visto e esquece-se deles.
Seguro de viagem
Já dissemos que é obrigatório no Schengen (30 mil euros). Mas vale para qualquer destino, obrigatório ou não. Um dia de internamento nos EUA passa fácil dos 3.000 dólares. Um resgate numa trilha na Patagónia, uma apendicite em Banguecoque — sem seguro, ficas tu e o cartão de crédito. A partir de 7 reais por dia, é o item de melhor relação custo-benefício da viagem inteira. Contrata sempre uma cobertura mínima de 30 mil euros; para os EUA e destinos de aventura, sobe para 60 mil dólares ou mais.
CIVP — Certificado Internacional de Vacinação (febre amarela)
O CIVP é o comprovativo de vacinação contra a febre amarela, exigido por 47 países em 2026 (34 em África, 13 na América Central e do Sul). Entre eles: Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Venezuela, Panamá, e — atenção — alguns destinos asiáticos e da Oceânia como a Tailândia, Filipinas, Índia, Austrália e Fiji exigem o certificado a quem passou por um país com risco de transmissão (o Brasil é um deles).
O que precisas de saber:
- É emitido gratuitamente pela ANVISA (online, através do gov.br, ou nos postos de vacinação de fronteira).
- A vacina tem de ser tomada com antecedência mínima de 10 dias antes da viagem — o certificado só passa a valer nesse prazo.
- Vale para o resto da vida. Uma dose, um certificado, vitalício.
O erro clássico: descobrir na véspera que o destino o exige e não haver tempo para os 10 dias. Se vais a um país que pede CIVP, trata com pelo menos duas semanas de folga.
CID — Carta Internacional de Condução
Se pretendes alugar carro no estrangeiro, a carta de condução brasileira sozinha muitas vezes não chega. A CID (no Brasil, Permissão Internacional para Dirigir) é a tradução oficial da tua carta, exigida ou fortemente recomendada em boa parte da Europa, nos EUA e noutros.
- Emitida pelo Detran do teu estado. O custo varia bastante: de 80 a 500 reais consoante o estado (em São Paulo, cerca de 102 reais com portes).
- Validade: até 3 anos, ou até à caducidade da tua carta — o que vier primeiro.
- Chega pelos correios em até 10 dias úteis. Não deixes para a última hora.
- Regra de ouro: a CID não substitui a carta de condução. Tens de levar as duas — a CID é só a tradução chancelada, e o agente de trânsito ou a empresa de aluguer querem ver a original ao lado.
Autorização de viagem de menor
Este é o item que mais dores de cabeça gera no aeroporto, e a Polícia Federal é implacável. Crianças e adolescentes brasileiros (menores de 18) precisam de autorização quando viajam desacompanhados, só com um dos pais, ou com terceiros.
As regras seguem as resoluções do CNJ (Conselho Nacional de Justiça):
- Viagem internacional: se o menor viaja com apenas um dos pais, precisa de autorização do outro. Se viaja com terceiros ou sozinho, precisa de autorização de ambos. O documento pode ser feito em cartório com assinatura reconhecida, ou através da Autorização Eletrónica de Viagem (AEV) via e-Notariado (sistema online dos cartórios), que desburocratizou o processo.
- Viagem nacional: menores de 16 anos desacompanhados precisam de autorização para viajar para fora da comarca onde vivem sem os pais ou responsáveis.
- Novidade que facilita: o reconhecimento de assinatura já não obriga a ir ao cartório na presença do notário — vale a assinatura já registada.
Leva sempre a via física e, para viagem internacional, tem também a certidão de nascimento ou documento que comprove o parentesco. A PF confere. Sem o papel, o menor não embarca — e a família fica no aeroporto.
Comprovativos que a imigração pode pedir
Além dos documentos formais, vários países (Schengen e Reino Unido em especial) podem pedir, à entrada:
- Passagem de regresso ou de continuação (prova de que vais sair do país).
- Comprovativo de alojamento (reserva de hotel, carta-convite ou morada onde vais ficar).
- Comprovativo de meios financeiros — de que tens como te sustentar. Não há valor fixo universal, mas alguns países sugerem à volta de 40 a 100 euros por dia de estada, em cartão, dinheiro ou extrato.
Raramente pedem tudo, mas quando pedem e não tens, a entrada tranca. Tem estes documentos impressos ou fáceis de aceder no telemóvel — não contes com sinal de internet ao balcão da imigração.
O erro que sai mais caro: o prazo
Se tirares só uma coisa deste guia, que seja esta: o documento de viagem trata-se com antecedência, não na véspera. O ranking de tempo, do mais demorado ao mais rápido:
- Visto americano B1/B2 — meses (a fila da entrevista é o estrangulamento).
- Passaporte novo — dias a semanas, pior na época alta.
- Vacina + CIVP — mínimo de 10 dias entre a vacina e a validade.
- CID — até 10 dias úteis pelos correios.
- ETIAS / ETA / e-Visa — minutos a poucos dias, mas não deixes para o embarque.
- Autorização de menor — rápida no e-Notariado, mas depende dos dois pais.
Começa pelo visto e pelo passaporte assim que a viagem passar de ideia a plano concreto. O resto encaixa depois. E confirma sempre cada taxa e cada data na fonte oficial antes de contar com elas — as regras de fronteira mudam, e 2026 é justamente o ano em que várias mudaram.
Key points
América do Sul (Mercosul): o brasileiro viaja só com o RG físico, válido, em bom estado e emitido há menos de 10 anos — nada de foto do RG no telemóvel. O passaporte é opcional, mas mais seguro.
Europa/Schengen em 2026: passaporte + seguro de viagem de 30 mil euros obrigatório + o novo ETIAS (20 euros, isento para menores de 18 e maiores de 70 anos), que arranca no último trimestre de 2026.
O Reino Unido saiu do Schengen: agora exige passaporte + ETA online (16 libras até março, 20 libras a partir de abril de 2026), válido por 2 anos.
Frequently asked questions
Não, na maioria dos casos. Para a Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia e vários países associados do Mercosul, o brasileiro entra só com o RG físico, desde que válido, em bom estado e emitido há menos de 10 anos. O passaporte é opcional — mas útil se o teu RG for antigo ou estiver gasto.
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Curadoria Voyspark
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